Quando se sabe que se está para morrer, como lidar com o tempo que resta? Essa é a questão que move "Le Temps qui Reste", do François Ozon. Melvil Poupaud é Romain, um jovem fotógrafo que descobre ter um câncer em estágio avançado e resolve não fazer a quimioterapia. Confuso e assustado, não consegue contar a ninguém, a não ser à avó (a grande Jeanne Moreau) e a uma garçonete que cruza seu caminho (a sempre fofa Valeria Bruni-Tedeschi). Romain é humano até o último fio dos cabelos cacheados, assim como suas reações e sentimentos. O filme é lindo, muito simples e sensível. E triste. Putain, c'est triste.
Eu faria a mesma coisa. E gostaria que meu pai também o tivesse feito. Preferia que ele tivesse passado os seus últimos meses tranquilo, em casa, sentindo o gosto da comida, lendo seus livros, andando sem ajuda, a ter presenciado os efeitos de dose após dose de quimioterapia - náuseas, fraqueza, cansaço, alergias - que só ajudaram a abater mais rápido um organismo já comprometido. É certo, as dores excruciantes viriam de qualquer forma, porque é assim que o câncer age. Mas mesmo no torpor da morfina, eu gostaria que ele tivesse levado a lembrança de uma vida normal, e eu gostaria de ter guardado uma imagem dele sem sofrimento. Mas, como diz Romain, "a gente sempre espera um milagre".
Te entendo totalmente...
ReplyDeleteTambém te entendo. Mas eu não sei se aguentaria se não houvesse nem a mais leve esperança por um milagre. Ver minha mãe sofrendo é e sempre será a pior experiência de minha vida. O câncer é cruel. Algumas vezes eu penso que ele é um karma da humanidade para nos fazer lidar com a morte de uma forma diferente.
ReplyDeleteSei lá.
Beijos e namarië,
Gal
É complicado isto, concordo com este lance de deixar fluir, é o principio do Taoísmo. Tem o lance também, de sentirmos que fizemos tudo quanto possível para evitar a culpa depois. Depende da crença de cada um também, se analisarmos sobre o ponto de vista niilista nenhuma das questões anteriores é correta e nem incorreta.
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