August 31, 2007




Damn.

Terminei de ler o ótimo "Middlesex", do Jeffrey Eugenides. O autor de "The Virgin Suicides" conduz agora o leitor por uma verdadeira mini-odisséia moderna : partindo da Ásia Menor, de onde um casal de gregos foge da guerra com os turcos, rumo à Berlim de hoje, passando pelos EUA dos anos 70, onde uma família greco-americana vive num subúrbio de Detroit, com os problemas que toda boa família greco-americana tem. Em meio a conflitos raciais, buscas religiosas, relações familiares conturbadas e mitos gregos, Calliope Stephanides passa por todas as angústias de ser adolescente, de se sentir diferente de todo mundo e ter sentimentos "errados". Mas ah! O Destino tem desígnios misteriosos e a jovem Calliope descobre ser hermafrodita, XY de nascença mas criada como mulher - e passa a viver como Cal. A voz que conta a saga se alterna entre o masculino e o feminino, o presente e o passado, onisciente e onipresente como um coro grego, e por ela aprendemos o que acontece por dentro e por fora de uma pessoa que os índios norte-americanos chamavam de double spirited. O livro levanta questões boas de se discutir, como a diferença entre "sexo" e "gênero", experimentalismo sexual na puberdade, tabus sociais, etc - sem deixar de ser leve. Curti bastante.

August 30, 2007

Assim que voltei, dormi, ajeitei minhas coisas e pulei num Thalys e rumei a Paris. Desci na Gare du Nord às onze da noite e a Ana estava esperando por mim. Meu hotel era o Hotel de Saint-Germain, bem na rue du Four. Depois do recepcionista brincar comigo dizendo que minha reserva tinha caído, e eu accordingly ter dado uma bronca leve, deixei minhas coisas e fomos tomar um vinho no Café de Flore. Não adianta, é turístico mas tem uma vibe Sartre-Beauvoir inegável, e fica aberto até tarde. Batemos papo até tarde.

No dia seguinte, choveu pencas. Mas não fazia diferença, Paris não é mais destino turístico : é quintal de casa, hahahaha. Então andamos até o Cimetière de Montparnasse e fomos prestar homenagem ao eterno Gainsbourg. Paramos num café próximo pra almoçar e ficamos a tarde toda em companhia de um steak tartare e um steak thon.

Eu tenho que admitir que eu não lembro muito do que fizemos. Mas sei que andamos pela Rue de Rennes, depois fomos ao Champ de Mars, passamos perto da minha antiga residência na rue St.Dominique. Fomos aos Champs Elysées, onde o comércio fecha mais tarde, e entramos na Virgin. Por coincidência, a Amélie Nothomb estava autografando o novo livro, mas ignoramos o hype e fomos direto ao café.
Depois fizemos compras na Monoprix, na Fnac e voltamos a Saint Germain, para comer no Le Buci. Serviço gentilíssimo e comida razoável, bom para as altas horas.

No dia seguinte, fiz minhas compras obrigatórias de queijos e manteigas francesas, e andamos muito pelo bairro. Pelo quai, depois entrando pelo 7ème, chegamos ao Le Bon Marché, onde estava rolando uma expo "Tokyo Design - Emballe-moi", com o melhor dos produtos japoneses expostos em globos de arame. Fiz umas compras na Grande Épicérie de Paris, na mesma loja, e já era hora de voltar.
Comprei as três principais revistas francesas sobre cinema na estação : Prémière, Studio e a Cahiers du Cinéma, e todas elas falavam sobre os mesmos assuntos : Ludivine Sagnier, a mostra de filmes romenos, as novas cineastas francesas e o novo filme do Olivier Assayas. Incrível, mas cada uma com seu enfoque. A Prémière é mais jovem, e tem a Ludivine Sagnier na capa. A Studio traz Laetitia Casta na capa, mas basicamente os mesmos assuntos dentro. E a Cahiers, clássica, tem Juliette Binoche na capa, com uma bela entrevista ilustrada por desenhos feitos pela própria. Ator francês é outra coisa, ela discorre sobre assuntos interessantíssimos como o trabalho como cineastas como Kiarostami, Amos Gitai, Berri, Carax, Haneke, Minghella, Téchiné, Hou Hsiao-hsien, com uma fluidez e sensibilidade de uma verdadeira artista. Génial.
E assim foi meu passeinho por terras gaulesas. Uma espécie de pré-presente de aniversário, andando com uma pessoa inteligentíssima e com histórico semelhante ao meu. Foi super.

Na segunda, vimos finalmente Glasgow com sol. Mas já era hora de partir, então o bom tempo nos acompanhou no trajeto de trem até o Glasgow Prestwick International Airport. O nome pomposo engana - é um aeroporto pequenininho a 45 minutos da Central, e monopolizado pelas empresas low-cost. Mas a estrutura é ótima e o acesso é fácil, tem algumas lojas, lugares para comer uma coisinha e bares pra um último pint antes de viajar. Inclusive, o pub dentro da área de embarque segue o clima rock 'n roll glaswegian e homenageia ninguém menos que The King himself. Que James, Charles ou o quê.

August 28, 2007

Edinburgo sempre é uma viagem no tempo. As duas vezes em que lá estive foram em pleno Fringe : cidade lotada, Royal Mile povoada de grupos divulgando suas peças, cantores líricos, violinistas, comediantes, acrobatas, mímicos e bailarinos fazendo pequenos números ao ar livre, transeuntes conferindo o bric-à-brac das muitas lojinhas ao longo da rua, gente sentada nos pubs comendo e bebendo cerveja. Com isso tudo e o Castelo ao fundo, o chão de pedras e as ruelas sinuosas aqui e ali, impossível não se imaginar numa feira medieval.

O Castelo em si estava bem menos concorrido, felizmente. Curti bem mais desta vez, e pude observar melhor algumas coisas, deixando as menos interessantes de lado. Mas a verdade é que é um lugar tão absurdamente antigo e tão carregado de história que o simples fato de transpor as muralhas já me dá arrepios. Certamente o melhor lugar de onde observar a bela Edinburgo do alto.

Depois, percorremos a Royal Mile no sentido oposto, até o Hollyrood Palace. Estava fechado, mas o passeio serviu pra pararmos no cemitério de Canongate, na casa do John Knox e no pub The World's End pra umas pints e um haggis. A comida é boa (não excelente) e o atendimento, como em todo lugar em que fomos na Escócia, pra lá de simpático e eficiente. Com uma curiosidade - o nome não é por nada. Vizinho ao World End's Close, que era realmente o limite da cidade no séc. XVI, o pub foi construído sobre as bases do antigo muro que cercava a velha Edinburgo.

August 26, 2007

No dia seguinte, ignoramos completamente o scottish breakfast do hotel, acordamos tarde e fomos direto pegar o ônibus de volta a Stirling, e de lá o trem para Glasgow.
A chuva foi uma constante durante o dia todo. O hotel é ótimo e altamente recomendável. Bem próximo às duas estações de trem, a Glasgow Central e a Queen St., às ruas comerciais e vários centros de compras, cinema e boa parte das atrações da cidade.
Fomos dar uma volta, mesmo sob a chuva. Compramos um guarda-chuva numa loja de "tudo por 1 libra" e andamos pela Sauchiehall Street (gah, tem uma Primark lá! Mas consegui não entrar. A Primark é o paraíso das roupinhas budget, mas eu sinceramente não tenho mais onde guardar roupa). Entramos num pub para comer, porque eu já estava verde de fome. E foi uma boa escolha, porque o Lauders tem o pub grub básico e bom, além de uma (boa!) banda tocando jazz ao vivo. Achei barato comparado a Londres, a maioria do cardápio por volta de 6 pounds.
Andamos mais pelo centro, passamos pela linda e gigantesca estação Central, pela Gallery of Modern Art, pelas Buchanan Galleries (não se enganem com o nome, não tem nada a ver com arte - é um shopping center, como os que temos no Brasil e coisa rara aqui na Europa), Hope Street, etc. Apesar das construções sólidas e altas, Glasgow é uma cidade bem menos opressora que Londres, com ruas amplas e uniformemente divididas, como em Manhattan. Diferente do interior do país, a atmosfera é bem urbana e apressada, com uma parcela de decadência que toda cidade grande tem.

(acho que eu moraria em Glasgow. É mais ou menos do tamanho de A'dam, mas menos bicho-grilo, e com a mesma estrutura)

A Virgin Megastore da Buchanan St me assustou. Estava quase deserta, com as gôndolas de CDs cheias de...espaços vazios. Não sei se eles tiveram problema com a reposição de mercadorias, se estão em fechamento iminente ou se é consequência da internet, mas o fato é que nunca vi uma Virgin tão abandonada.

Tomamos uma Tennent's no Iron Horse, um pub com boa música mas cheio de peruas naquele horário. Ouvir "500 miles" dos Proclaimers num pub escocês é divertido - todo mundo canta junto.

Acabamos jantando num italiano ao lado do hotel, o DiMaggio's - nada excepcional, mas como em todo o país, o atendimento era extremamente bom. E as mussels Livornese nos deram uma boa idéia para se fazer em casa.

Voltando : a cerimônia do casamento foi simples e divertida, com gaita de fole e costumes celtas. Se seguiu um típico ceilidh, com parte do Belle&Sebastian tocando a música da primeira dança dos noivos. Ha! Nada mais adequado, já que se não fosse a banda esse casamento nem estaria acontecendo ;)

Os escoceses são certamente um dos povos mais simpáticos e gentis da Europa. Os homens são amáveis e educadíssimos, sem perder o porte altivo de quem carrega tantos séculos de história nos ombros. Basta observá-los, magros, gordos, altos, baixos, jovens ou velhos, elegantíssimos em seus kilts e dançando as coreografias tradicionais, para ser lembrado de William Wallace e Robert the Bruce, os dois maiores ícones do orgulho escocês. Fascinante.

Todos nós acabamos participando das danças, por natureza conviviais e alegres. Divertido e educativo. E ainda conhecemos pessoas ótimas, com quem dividimos a mesa -uma franco-brasileira, um malásio, um espanhol, além do Chris Geddes do B&S e sua namorada, uma moça simpaticíssima, fofa e falante, cujo PUTA sotaque glaswegian manteve os meus ouvidos afiados por boa parte da noite (adoro!).

Muito vinho, stovies com bannocks, música e fotos depois, voltamos para o hotel. Bem felizes por ter passado uma noite ótima, cheia de amor, alegria e todas essas coisas que pessoas especiais trazem.


video

August 24, 2007

E pra não perder o gancho de "cada um tem a audiência que merece, graçazadeus" : a internet é uma grande ferramenta para descobrir pessoas com gostos similares aos nossos, cabeças pensantes e, como eu digo, quem nos faça voltar a ter fé na humanidade, hohoho. Pra quem não notou, tem link novo aí do lado, o PostBlogger. Filmes ótimos e pouco conhecidos, música boa e uma boa vontade imensa de postar tudo isso com legendas - eu garanto, gente : mina de ouro.

Eu já gostava dela porque é inteligente, culta, cool, simpática e um doce de pessoa. E sonha com galinhas gays. Como se não bastasse, ainda tem o blog mais original dos últimos tempos, que faz o link entre a arte e o rock.

Por isso, quando ela me disse que estaria em Paris esta semana, como eu poderia deixar de encontrá-la? :) Lá fui eu aportar em Saint-Germain por uns dois dias, visitar o Gainsbourg e tomar chuva e Bordeaux em ótima companhia.

;)

August 21, 2007

Oops. Eu disse que continuava hoje, but these boots were made for walkin'. Volto na quinta. À jeudi!

August 20, 2007

E o fim de semana foi dedicado à cerimônia escocesa do casamento da Gaybee. Foi um verdadeiro périplo - saímos de Amsterdam rumo a Edinburgh pela Easyjet na sexta de manhã (1h30 de viagem). Pegamos o AirLink até a Waverley Station (mais 25 min), depois um trem até Stirling (50 min). Lá, a idéia era pegar um ônibus H31 até Crieff, mas ele nunca chegou e por sorte tínhamos a opção de pegar o 47, depois de esperar 50 minutos em vão. Mais uns 40 minutos de viagem em direção ao norte e chegamos à simpática cidadezinha de Crieff, capital dos Highland Games e berço do Ewan McGregor.



Mas ainda não acabou : fizemos o check-in no Crieff Hotel, trocamos de roupa e já fomos para o Crieff Hydro, o lugar da festa. Mais uns 15 minutos caminhando morro acima, e aí realmente chegamos. Mas valeu a pena, porque afinal foi uma ocasião especial para duas pessoas especiais.

(continua amanhã)

August 16, 2007

Até agora, as adaptações da Marvel para o cinema têm sido as melhores. "Fantastic Four : The Rise of the Silver Surfer" é bem divertido, apesar de perder um pouco de tempo na crítica ao culto a celebridades. Mas eu sou suspeita pra falar : desde cedo eu curto o Coisa e adoro o bordão "It's clobberin' time", tão bem adaptado para o português como "Tá na hora do pau!". É, eu tenho um fraco por personagens extremamente inteligentes mas exilados do convívio humano por alguma "deficiência". Portanto, o Surfista Prateado também figura no meu panteão de figuras ideais, e merecia um filme só pra ele. Mas pelo que vi, não tarda.

August 12, 2007

Desculpem o sumiço. Visitas conhecendo a Europa pela primeira vez sempre merecem um tratamento exclusivo, ainda mais quando são família de uma amiga querida. E ainda mais quando uma das visitas em si é uma senhora de 62 anos ansiosa por ver tudo que o mundo oferece :)

E depois, claro, deu uma puta preguiça de escrever. Qualquer coisa - email, blog, blablabla. Hoje tô voltando pro mundo dos vivos.

Finalmente consegui ir assistir a "Les Témoins". Na estrutura tragédica clássica de três atos, poderia ser mais uma crônica de relacionamentos humanos, sexualidade e triângulos amorosos - todos temas queridos do diretor. Puro Téchiné, pura geração Cahiers. Mas aqui um acontecimento real, de um passado nada distante - o grande estouro da AIDS nos anos 80 - acaba acrescentando um elemento : o medo.

E é por situar temporalmente a história que subitamente Manu, Mehdi, Sarah, Adrien e Julie deixam de ser personagens e tornam-se reais e próximos. Ao menos para pessoas da minha geração, uma das primeiras a entrar em contato (direto ou indireto) com o que viria a ser apelidado de peste, pela velocidade com que se disseminou e pela falta de perspectivas de cura. Com ela vieram mudanças de comportamento, desconfiança, desespero, tristeza, todas bem retratadas no pequeno universo desse grupo - assim como também manifestações de amor, aceitação e solidariedade. Realmente, testemunhas de nosso tempo.

Manu é o personagem deflagrador, que entra em cena para alterar o destino de todos os outros. É também o fio condutor da história, mas o principal não é sua degradação física com a doença, mas sim como ela afeta aos que o cercam. Como em "Les Roseaux Sauvages", vários tipos de amor e atração se revelam e interagem. Há ciúmes e a ausência total dele. Há paixão e há frieza. Há egoísmo e total abnegação. Há erotismo e platonismo. Téchiné consegue que essas forças todas se complementem, sem anulação de nenhuma, compondo um retrato complexo e sensível da sexualidade humana. Vale ver.

Que coincidência. Fui assistir a "Les Témoins" na sexta e hoje me deparo com a notícia no Terra de que pesquisadores franceses conseguiram determinar onde o HIV se esconde no organismo dos pacientes que têm se submetido a tratamento contínuo.

Para mim e tantos outros que já perderam pessoas queridas com AIDS, e têm ainda amigos infectados mas com a síndrome sob controle, isso é mais que uma boa notícia - é um breakthrough importantíssimo que pode significar o começo da cura. Vamos torcer.

August 09, 2007

Assistiu a "Ratatouille" e ficou com vontade de cozinhar, mas se sente intimidado com termos extremamente técnicos como "picar a cebola" e "untar a fôrma"? Nunca sabe qual parte da cebolinha usar, a branca ou a verde? Não entende o que quer dizer "fatiar a carne across the grain"?

A Pioneer Woman ajuda! Mais fácil que isso, só tendo um ratinho sob a toque mesmo.


(via Slashfood)

August 08, 2007

Saudades pra caralho de São Paulo.

Terminei de ler "Blind Willow, Sleeping Woman", do Murakami. Bom, como tudo que ele escreve, mas nada de excepcional. Como são contos, a maior parte deles dá até um certo déjà-vu com temas já desenvolvidos em livros anteriores. Tenho esperança de que "After Dark", o mais recente, seja mais legal.

August 07, 2007

A você que entrou aqui procurando "photos tamanho original sagrada família barcelona", eu me sinto na obrigação de avisar : se algum dia você achar, não esquece de ajustar o monitor, hein?

Então, lembram do que eu disse sobre voltar a ter fé na humanidade? Dêem uma lida no Dessine-moi un mouton! e suspirem aliviados.

Dica da Galaxy of Emptiness.



(ah, meus 15 anos!)

August 06, 2007

Da última vez que saí com a Beth, ficamos discutindo sobre essa neura atual das mulheres quererem ser magras-esqueleto. Vimos uma passando perto do café onde estávamos, e o assunto se somou a vários debates sobre o assunto numa lista de discussão que assino e na mídia em geral.

Desculpa, mas eu CANSO de falar pra mulherada : do que eu conheço a mentalidade masculina hetero comum, homem NÃO gosta de osso. E, na boa, o seu desempenho (leia-se desembaraço) na cama e sua personalidade falam muito mais alto do que você ter pneuzinhos ou celulite a mais. NUNCA na minha vida vi um homem se queixar de encontrar celulite na mulher que ele ama. Mas já vi muitos reclamando de não conseguir manter uma conversa com a mulher que tem.

Eu conheço pelo menos duas mulheres quase-anoréxicas. E além de achar que elas têm corpo de menino, as duas já deixaram bem claro que não querem ter filhos. Uma delas, mais corajosa, deixou claro que não quer "estragar o corpo" ficando grávida. A outra não diz isso, mas fala com todo o orgulho : "Falaram que eu ia engordar quanto chegasse aos quarenta, mas não engordei!". Claro, cada um, cada um. Ter filhos ou não é escolha de cada um, seja por questões sociais ou pessoais. Mas ditar essa escolha por um padrão artificial e imposto, eu acho tosco.

CLARO que existe a questão do gosto, e homens que gostam de mulheres magras - mas também há aqueles que não seriam vistos jamais ao lado de alguém que fuja aos padrões fashionistas de estética pra não pegar mal, mas a minha pergunta às mulheres pensantes que frequentam este blog é : vocês perderiam tempo ao lado de alguém que pensa assim, sendo que para manter essa expectativa talvez vocês precisassem colocar em risco sua saúde e seu metabolismo natural?

E claro que existem as naturalmente magras, que absolutamente não se encaixam nesse rant que virou este post e são felizes, mas eu continuo sustentando : QUEM inventou que mulheres têm de ser esqueléticas para ser atraentes?

August 05, 2007

Estes dias fiz pela primeira vez japchae, um prato coreano à base de macarrão transparente (feito de batata-doce) com vegetais e cogumelos, temperado com óleo de gergelim e shoyu. É um dos meus exemplos de comfort food, que remete sempre a casa e ocasiões especiais em família (ou algo próximo disso).
Tão curioso. Quando provei e vi que ficou com o gosto certo, a cara certa, não pude deixar de sentir uma sensação de continuidade. Como se as gerações anteriores da minha família estivessem dizendo naquele momento : "vai, agora é com você".

August 04, 2007

Em tempos de "Lost" e "Heroes" e tantas outras séries gerando manias (e que eu nunca vi), o meu vício mesmo é "Star Trek" - o original, com o Kirk e o Spock.

I know, I know. Nerd alert total. Mas a série é legal paca. Como não gostar de uma equipe formada por personagens carismáticos e fora dos padrões? - e nisso o Gene Roddenberry se esmerou : vocês imaginam o que era mostrar uma equipe harmônica formada por diferentes etnias, e homens e mulheres exercendo funções iguais em plenos anos 60 nos EUA? Um personagem russo em tempos de Guerra Fria? Um nipo-americano, enquanto as relações EUA-Japão ainda estavam meio estremecidas depois da guerra? Uma MULHER e NEGRA entre os tripulantes principais? Um half-breed de alienígena com terráqueo que ainda por cima é o ser mais inteligente e ponderado da nave? E o all-american boy volta e meia desobedece às regras se achar que deve. Pô. Tenho certeza de que poucas séries hoje em dia ousam questionar o posicionamento norte-americano em relação ao mundo assim, e ainda promover o pensamento de convivência pacífica entre culturas diferentes, sem interferência.

E, acima de tudo, I ♥ Spock :

August 03, 2007

"Ratatouille" já está sendo aclamado nos food blogs mundo afora como uma absoluta delícia. E com razão. Mas mesmo quem não tem uma paixão profunda por gastronomia, Paris, desenhos da Pixar ou ratos com aspirações humanas vai adorar o filme. Primeiro, porque eu não acredito que exista um ser humano pensante que não goste de pelo menos uma das alternativas acima. C'mon : Comida? Criaturas fofas e carismáticas? PARIS? Ya gotta be kidding me.
Segundo, porque é dirigido pelo Brad Bird, que até agora tem dois filmes muito adoráveis no currículo : "The Iron Giant" e "The Incredibles" - que, se não são nenhuma revolução no cinema, ainda assim são divertidos e emocionantes sem cair no piegas.
Com colaborações de gente como Tony Bourdain e Thomas Keller, é um retrato surpreendentemente realista da rotina cachorra de uma cozinha profissional entremeado com uma boa dose de fantasia e (acima de tudo) amor à arte culinária - que sim, é tratada como arte, mas acessível a meros mortais. Quem se entusiasma com o perfume de um ramo de tomilho vai saber do que estou falando.
E, não sei se ando hormonalmente emotiva demais, mas a verdade é que eu quase chorei quando Rémy, o ratinho, descobre estar em Paris e vislumbra a cidade do alto, com todas as suas luzes. Se alguém ama Paris como eu, vai entender. E o insight do crítico ao provar o prato que dá nome ao filme é absolutamente emblemático para se compreender o poder de um sabor - de transportar, excitar, confortar. Delightful.

August 01, 2007

Por falar nisso, alguém consegue definir exatamente "charme"? Só consegui explicar com uma frase gigantesca, "qualidade que torna atraente sem ter ncessariamente relação direta com beleza física". Mas mesmo assim talvez seja mais que isso, sei lá.

Pensei nisso porque assistindo ao "Ensemble...", não pude deixar de notar como os atores franceses em geral são um poço de charme natural. Incrível. Seja segurando um cigarro, dando um sorrisinho besta ou simplesmente olhando para o nada, eles conseguem parecer as criaturas mais atraentes da terra. É alguma coisa ligada a autoconfiança, à consciência corporal, à atenção aos prazeres, acho. E daí também me veio outro insight : o oposto total, os holandeses. Jesus, finalmente eu entendi o que me incomoda neles : a falta total e absoluta de charme. Alguns podem ser até bonitos (homens e mulheres) e tal, mas você olha dois minutos e diz : "cansei de você - next!".
Não sei se é o excesso de "camponismo", se é a secura calvinista, mas eu vejo holandeses atuando e eu tenho vontade de sair correndo. E até agora, o que assisti de produções daqui por algum motivo só tem gente gritando, discutindo, drama mesmo. Saca americano caipira? Então.

E eu ia finalizar colocando umas fotos como estudo comparativo, mas desencanei porque em foto até a Britney Spears consegue sair bem (embora ultimamente não tenha sido o caso). O negócio é ver a pessoa andar, falar, respirar. Mas como enfeitar nunca é demais e eu já tinha separado essa foto mesmo, vai o Guillaume Canet.