October 31, 2007

Eu acho que teria gostado mais de "The Invasion" se a personagem principal não ficasse choramingando o tempo todo em vez de agir.

"A cidade está sendo bloqueada"
"Não! Mas eu TENHO que buscar meu filho, buá-á-á"

Eu o-de-io gente que choraminga. Homem, mulher, criança, tanto faz.

Fora isso, não é um mau filme. Mas não é o que se propõe a ser. Dizem que é versão do "The Invasion of the Body Snatchers", mas falta terror e tem excesso de "mensagem". Que a humanidade está doente, e seria melhor se fôssemos todos tomados por um esporo alienígena que modifica o DNA humano, Iraque, bla bla bla. Pff.

E não tem as plantas gigantes. Neste, ninguém é substituído por uma cópia. E tem um final dã.

O mais engraçado é quando alguém chega pra Nicole Kidman e recomenda : "Não demonstre emoções".

A vontade é de responder : Demonstrar emoções como, cara-pálida? Botox, remember?

October 29, 2007




Não lembro exatamente o porquê de eu não ter visto "2046" no cinema, mas provavelmente porque foi na época em que eu estava mudando pra cá. Perdi aqui e perdi em SP. Por isso, logo comprei o DVD - que ficou até hoje mofando na prateleira, vejam só.

(ele estava em boa companhia, não se preocupem - os muitos outros que eu comprei e não vi ¬¬)

2046 é o lugar onde nada muda - onde moram os amores perdidos, aqueles que ficam na memória intocados pelo tempo. É o mundo que tantos buscam, e de onde ninguém retorna. Mas um certo Tak finalmente percebe a inutilidade de se apegar a um amor do qual só resta a imagem, um ídolo sem emoções. E volta.

Tak e 2046 são ficção, criação de um escritor solitário, Chow, que conhecemos do belíssimo "In The Mood For Love". Tentando superar o coração partido, ele vive agora sozinho num hotel decadente de Hong Kong, colecionando mulheres que não ama, transformando-as em personagens de suas histórias. Obviamente, Tak é ele mesmo, e 2046 o amor que não consegue esquecer - um mundo lindo, inalcançável e carregado de melancolia.

E como o Wong Kar-Wai sabe explorar a beleza da tristeza! Além de juntar todas as deusas do cinema chinês num filme só (Gong Li, Maggie Cheung, Zhang Ziyi, Faye Wong e Carina Lau) com o charmosérrimo Tony Leung (o homem mais sortudo do mundo?), conta ainda com aquela fotografia maravilhosa de cores saturadas do Christopher Doyle e uma trilha dramática de óperas e boleros : cores fortes e letras doídas que gritam o que os desiludidos sofrem em silêncio.


Siboney (E. Lecuona)

Siboney yo te quiero yo me muero por tu amor
Siboney al arrullo de la palma pienso en ti
Ven a mi que te quiero y de todo tesoro eres tu para mi
Siboney al arrullo de la palma pienso en ti

Siboney de mi sueño si no oyes la queja de mi voz
Siboney si no vienes me moriré de amor
Siboney de mis sueños te espero con ansias en mi caney
Siboney si no vienes me moriré de amor
Oye el eco de mi canto de cristal

Siboney de mis sueños te espero con ansias en mi caney
Siboney si no vienes me moriré de amor
Oye el eco de mi canto de cristal

No te pierdas por entre el rudo Manigual

October 28, 2007

E mais uma coisa : tem gente que tem a sorte imensa de ter uma vocação, e de identificá-la cedo. Eu não fui uma dessas pessoas. But it's ok as well, essa é a pegadinha.

E por coincidência, numa lista que assino veio hoje este link. Que só vem a comprovar que ninguém é um só.

October 27, 2007

Este post aí de baixo foi escrito na verdade pensando na Cris A., que está justamente chegando nessa encruzilhada, a passos longos. Imagino que as mesmas dúvidas a estejam assombrando, por mais que ela já saiba o que quer fazer da vida. Porque ESCOLHER parece tão final, tão definitivo - sendo que não é.

Mas os tempos hoje são outros. A gente tem mais informação, mais possibilidades. E por isso mesmo acredito que qualquer que seja sua escolha, vai dar certo no final. E ela é muito, mas muito mais informada e culta do que eu jamais poderia ser na idade dela. E pelo visto, mais decidida. Certamente vai dar menos voltas na vida do que eu.

Eu tenho VINTE anos a mais ( ! ), e não tomei jeito ainda. Fiz o que contei aí embaixo e muito mais, que se eu ficasse falando aqui gastaria dias. E tenho de admitir que sou feliz mesmo.
Que sim, que você tenha a mesma sorte, menina. Vai ter, eu sei.

Eu acho que a pior angústia da minha vida foi quando tive de decidir que faculdade seguir. Na verdade, a decisão já meio que tinha de ser tomada no final do primeiro colegial, que era chamado de básico. De lá, ia-se para Humanas, Exatas ou Biológicas.
Acabei indo para Biológicas porque havia aquela vaga expectativa de eu vir a estudar Medicina, além do curso ser considerado mais "forte" no geral.

Só que o destino quis que eu tivesse um professor de português jovem e cheio de idéias novas, o que num colégio tradicional (uia, o Dante vai fazer cem anos em breve!) com professores anciões devia ser até subversivo. E subversão foi, no meu caso : ele me lembrou de que eu gostava de escrever (o que eu fazia desde criança), e plantou a primeira dúvida na minha cabeça.

Penso agora que a dúvida não era só minha. Se por um lado meus pais não esperavam menos que uma filha médica (valores, valores, you know), por outro lado minha mãe se formou em literatura e teria sido jornalista ou escritora se não tivesse casado com meu pai e mudado de país. E mesmo meu pai era formado em Educação, tendo trabalhado em outros países e até como pesquisador para a UNESCO no Canadá. Eles achavam lindo eu falar inglês perfeitamente e saber escrever, mas não achavam que isso poderia servir de sustento a alguém.

Meu professor de português adorou eu pensar em prestar pra Letras ou Jornalismo, enquanto minha professora de inglês achou um absurdo - "você não pode se desperdiçar assim!". Ups.

Acabei atirando pra todos os lados, no final. Prestei pra Odontologia na USP e na Unicamp, e Jornalismo na PUC e na Cásper Líbero. Entrei em todas, menos na Unicamp (porque eu não queria ir pra Campinas e rasurei toda a prova). Me matriculei em todas, também. É, a indecisão chegou a esse ponto.

No final das contas, fiz 3 anos de Odonto, uma semana de Jornalismo na Cásper e larguei ambas. Fui dar aulas de inglês na Berlitz e ganhei muuuuita grana. Meu pai ficou puto comigo e de mal por um tempo. E fui pra Cuba com uma banda de amigos meus que foram participar de um festival e fiz uma série de vídeos. Fui convidada a mostrar os vídeos num programa de TV (do Serginho Groisman, na Cultura) como background da entrevista dos meus amigos. Os vídeos eram um lixo, na verdade, mas tive a oportunidade de ver como funcionava um programa de TV, um estúdio.

Resolvi então fazer Rádio e TV na ECA/USP. Ah, pelo menos algo com que me identificava. Mas não sem ter considerado antes Música/Canto, o que continuei estudando informalmente, trabalhando paralelamente. Entrei a fundo, fiz estágio e passei 3 anos da minha vida na Fundação Padre Anchieta - conhecendo gente incrível e fazendo coisas legais. Mas uma hora o métier de TV se mostrou tudo aquilo que eu odeio - networking, lobbying e panelinhas. Desencanei, mas me formei. E acabei tirando o DRT só de locução, que é o que acabei seguindo depois. E até hoje trabalho com isso. Roteiro? Direção? Produção? Pff, no way.

Fui estudar francês em Paris, morando num apartamento lindo alugado no 7ème e explorando a cidade todo dia. Reencontrei uma paixão louca que conhecera em São Paulo, um francês que trabalhava com o grupo catalão de teatro La Fura dels Baus, e fui encontrá-lo em Barcelona. Acompanhei o grupo numa pequena turnê européia, indo parar na Holanda num festival de teatro internacional.

Depois de muitas lágrimas, voltei ao Brasil. Claro que não estava satisfeita com nada do que tinha ali, e voltei a dar aula de inglês. Conheci ali dois dos meus melhores amigos nesta vida, mas logo saí por aí de novo. Fui fazer um curso de língua e cultura coreanas com minha irmã em Seul. Foram 4 meses em que coreano foi o que menos aprendemos. Viajamos pelo Sudeste Asiático - Hong Kong, Tailândia, Malásia - e também pela Austrália.

Voltei pro Brasil e embarquei numa relação destrutiva, meio por burrice, meio por ser boazinha demais. E, de novo ao sabor dos ventos, acabei indo trabalhar numa companhia aérea, em SP. Foi ótimo durante os cinco anos que durou - tanto que só deixei o trabalho quando conheci o Akira, pra vir pra Holanda, casar e fazer este mestrado em Cinema que já terminou.

Ou seja : quando a gente tem 16, 17 anos, não tem a menor idéia de como a vida vai se desenrolar - daí ser a maior injustiça do mundo obrigar alguém a escolher nessa época. E ao mesmo tempo, é um pecado se limitar a uma coisa só quando se tem muitos interesses. Se eu tivesse o conhecimento que tenho hoje naquela época, não teria escolhido nem Odonto, nem Jornalismo, nem Letras. E também não teria escolhido Rádio e TV, e nem Cinema. Na verdade, não faria diferença o que eu tivesse escolhido - podendo viver minha vida toda de novo do jeito que foi, o faria (tirando alguns momentos, claro). Independente do que marquei como opção no vestibular, no final das contas a gente só faz o de que gosta mesmo.

October 26, 2007

Eu sempre gostei do Sleeper, a banda. Quando soube que a vocalista começou a escrever livros, já fui atrás do primeiro, em 2002 : "Goodnight Steve McQueen". Lembro que achei muito bom, surpreendentemente bom.
Mês passado, lembrei de novo da Louise Wener e descobri que ela publicou mais dois romances desde então. Comprei o último a ser lançado, "The Half Life of Stars".
Comecei a ler e já pensei "ela escreve mesmo muito bem", o início já me cativou. No meio do livro, quando os personagens começam a resvalar no clichê, desanimo um pouco. Mas chego ao fim e meus olhos até se comovem um pouco, querendo soltar umas lagriminhas. Mas de repente são meus hormônios, vai saber.

Daniel Ronson, um jovem advogado bem-sucedido, desaparece do nada um dia. Sua família - mãe, irmãs, mulher e bebê - não sabem como lidar com a situação. Claire, a filha do meio, em quem ninguém põe a menor fé, resolve encontrá-lo, e parte numa jornada improvável da Inglaterra aos EUA, onde acaba encontrando outras respostas - para perguntas de que nem lembrava que tinha.

Na verdade, é uma história sobre arrependimentos. Regret. Sobre como lidamos com eles - se os alimentamos a vida inteira, a ponto de não sobrar espaço para mais nada, ou se os encaramos como coisas da vida, que acontecem. E sim, como parte de nós tende a escolher a primeira opção, dando poder a velhos fantasmas que, de outra forma, nunca teriam forças de se levantar. Como às vezes acreditamos nos papéis que nos impõem, sob pena de sentimento de fracasso perpétuo, quando na verdade a infelicidade é não ser o que se é. A velha pergunta "e se...?" nunca esmagou mais a auto-estima de alguém como na família Ronson.

Apesar de escrito por uma mulher, não é chick-lit. É mais algo na linha Nick Hornby, sem as referências musicais e futebolísticas, sobre pessoas desajeitadas, solitárias mas com boas intenções e uma certa esperança de que tudo vai dar certo no final.

Don't we all?

October 25, 2007

Por falar em frio, tava aqui pensando no assunto de carbon footprint. Ou seja, a quantidade de gás carbônico que acabamos emitindo na atmosfera durante os processos do dia-a-dia, direta ou indiretamente.

Por um lado, acho que a footprint aqui de casa acaba não sendo muito pesada : não temos carro, e o modo de deslocamento é de bonde (elétrico), bicicleta ou a pé. Estou tentando não usar demais o aquecimento, e água quente só no banho. No verão, desligo a água enquanto lavo o cabelo, e só ligo de novo para enxaguar. Tentamos não comprar frutas e verduras importadas e fora de estação, que implicam em transporte aéreo. Separamos todos os papéis e vidros para reciclagem, assim como o óleo de cozinha usado e aparelhos eletrônicos descartados, e lavo a louça com a torneira fechada. Também não temos máquina de lavar roupa, e só mandamos para a lavanderia somente quando a sacola está cheia, uma vez a cada duas semanas. Ou mais.

Por outro lado, eu peco bastante nas viagens, eu sei. Só este ano, já fiz duas ou três viagens de avião de longa distância, algumas de curta distância e várias outras de trem, que eu imagino que já tenham emitido mais CO2 do que tentei poupar em casa.
Também continuamos consumindo carne vermelha constantemente, e como os dois trabalham em casa, as electrical appliances funcionam non-stop : luz, computadores, carregadores de celular, etc. Bad humans.

Ainda assim, acredito que o esforço consciente de tentar reduzir a emissão de dióxido de carbono já faça alguma diferença a longo prazo, e pretendo continuar. E, postando aqui, lembrar a vocês disso. Nunca fui do tipo ecochata, nunca me filiei ao Greenpeace ou à PETA, mas eu SEI que não tenho de esperar determinação de governo nenhum para começar a me preocupar com isso. Aliás, achar que o governo de qualquer lugar tenha a responsabilidade de começar ou regular algo é de uma imaturidade sem igual. Não tenho que esperar o "governo" estabelecer que as sacolas de plástico dos supermercados são maléficas ao ambiente - posso começar a levar minha própria mochila às compras por conta própria (o que fazemos sempre aqui). Não tenho que esperar que o "governo" imponha uma multa a estabelecimentos que abusem de água, eletricidade ou plásticos. Eu mesma posso boicotá-los. Eu tenho a autonomia de decidir usar produtos e serviços que afetem menos a camada de ozônio. E assim por diante. Nada do que faço é um grande sacrifício, e tenho certeza de que faz alguma diferença no final.

Tem gente que pensa : "ah, mas só o meu esforço não vai fazer diferença nenhuma". Faz sim, principalmente se você procurar conscientizar os outros (sem pregação, pelamordedeus!!). UMA pessoa que mude os hábitos leva a outras do mesmo círculo, e assim vamos. E se você pensar na quantidade de lixo que você produz, sozinho, num ano, é assustador. Multiplicado pela população do seu bairro, da sua cidade, do seu país? Ufa.

Desde que vim morar aqui na Holanda, que tem as quatro estações definidas, pude perceber o quanto o aquecimento global é realidade, e como ele tem modificado pouco a pouco a situação "normal" do clima. As estações estão atrasadas um mês há pelo menos 3 anos, não tem feito tanto frio nem calor como devia, nem nas épocas certas.

Eu acho que mudanças têm de ser assimiladas pouco a pouco. Tudo é questão de hábito. Quando vou a SP, aquele mar de sacolinhas de supermercado já me fazem sentir péssima, e já estou considerando levar minha mochila de compras daqui pra lá da próxima vez. Tudo bem, eu sei que vou continuar a dirigir meu carro lá, porque em São Paulo tudo é muito longe, e perigoso às vezes - mas vou tentar reduzir ao máximo o uso do carro, e organizar caronas, pra que menos automóveis saiam às ruas.


(tá, agora podem chamar : hippie! Foda-se)

Tá frio e tô com vontade ZERO de sair de casa. Alguém avisa?

October 24, 2007



You know what I hate? Entre outras coisas, gente que se leva muito a sério. O humor e a sátira sempre foram meios muito, muito mais eficazes de crítica social do que discursos empolados e moralistas.

"Shoot'Em Up" é tão, tão divertido e tira tanto, tanto sarro da cultura de armas, violência gratuita e filmes de ação que é imperdível. Do tipo de filme que a platéia aplaude no final.

Tem o Clive Owen esbanjando testosterona, tem a Monica Bellucci lindíssima, tem o ótimo Paul Giamatti fazendo cara de mau. Tem cenas absurdas, muitas referências e muito tiro. Tem um herói de passado misterioso, que adora crianças e animais e uma habilidade com armas sobrenatural. Tão certinho que aperta o cinto de segurança ao roubar um carro e sair fugindo dos bandidos. Tem aquele gostinho de vingança contra os babacas que dirigem cortando os carros no trânsito, que jogam lixo na rua, que bebem café fazendo barulho e estacionam na vaga reservada para deficientes. Tem ônibus que vai para "Wherever" e tem a melhor homenagem ao Chuck Jones e seu Pernalonga que poderia ser feita, com espingardas em armadilhas e vilões que não morrem nunca. Com direito à "Cavalgada das Valqúirias" de Wagner, imortalizada por Hortelino Trocaletra em português como "Mata, mata o toelho, mata o toelho, mata o toelho!". How fitting.

Assistam quando estrear aí, lembrando do vídeo acima. Nunca mais vocês verão cenouras da mesma forma. Eu garanto.

October 23, 2007

E por falar em Orkut, por incrível que pareça é o site de relacionamentos de que eu mais gosto e uso. Sempre que me mandam um convite pra algum outro, eu entro e dou uma olhada, pelo menos. Em 90% dos casos, deleto e tchau. Pra que ter perfil em trocentos sites iguais, com as mesmas pessoas? O Myspace tem a grande vantagem do contato com as bandas, e o Facebook tem aqueles trocinhos todos viciantes e bonitinhos, então mantenho, mas confesso que às vezes até esqueço de entrar...

Um motivo REAL pelo qual o Orkut alegra minha vida : scraps espontâneos dos amigos mais queridos, só pra dizer que que estão com saudades. Vários. Ao mesmo tempo e sem motivo especial. That's love.


(todo mundo junto : awwwwwww!)

(ou então : emoooooo!)

"Ventany! Terrany! Oceani! Kaciuleny!"

*chorando de rir*

O melhor post do dia, no Shoe-Me.

Ah, sim. Custa a bagatela de 200.000 euros. Se quiser vaga na garagem, são mais 18.000. Será que a vaga vai ser triangular também?

October 22, 2007



Maravilhas da arquitetura holandesa. Isso aqui é a planta de um apartamento. Não é digno de um Simbecil?

October 21, 2007

* Aqui não tem restaurante árabe. Claro, tem marroquino, turco, persa e libanês, mas o que eu queria mesmo era um dos que a gente conhece como árabe no Brasil. Que tenha quibe cru, frito e assado, hummus com pão sírio torrado, salada fatouche, esfiha, essas coisas. Mas como não tem, tive que aprender a fazer tudo isso aí. Os primeiros não são problema, mas as esfihas são the tricky part. A massa sempre sai meio de pizza, quando teria de ser um pouco mais elástica e macia. Será que usar receita de focaccia é muita heresia? Também não queria que saísse com jeito de esfiha de lanchonete, que são mais uns pãezinhos recheados do que qualquer outra coisa. Hm.

* Como a gente adora cozinhar, entrei numas de querer usar o mínimo possível de produtos processados industrialmente. Holandês definitivamente não é um povo que cozinha, não tem paladar e adora misturas prontas pra tudo (molho, pizza, purê, omelete, paella, whatever) e todo dia no supermercado eu vejo gente comprando pratos semi- prontos, e eu olho a cara daquilo e acho tão incrivelmente disgusting. Quão difícil é fazer espaguete à bolonhesa, peixe ou arroz? Eu entendo a praticidade - não suja panelas, não tem que picar cebola, etc. Só colocar a caixinha no microondas e pronto - pra quem trabalha e/ou mora sozinho deve ser uma mão na roda. Mas eu fico enjoada vendo aquelas maçarocas. Não sei nem se é bom, porque nunca tive coragem de experimentar.

Enquanto isso, eu vou tentando fazer o que dá from scratch - além da comida de todo dia, que é sempre feita com ingredientes frescos, pão e massa de pizza já faço periodicamente, e pasta está nos planos. Já descobri também que é possível fazer ricota e manteiga em casa, e dizem que quem prova o produto caseiro não quer mais saber do comercial (hippie é a vó). Claro que isso demanda tempo e uma certa habilidade, mas eu curto tentar fazer tudo uma vez pelo menos, só pra ver o resultado. Fora que ter controle de vez em quando sobre a higiene e preparação daquilo que você come é um alívio.

(mas não se enganem, eu adoro um Whopper duplo com queijo, coisas enlatadas, embutidos em geral e batata frita. Sou hipócrita and I love it)

Ainda sobre "Stardust" : o livro e o filme são duas coisas distintas, ainda que relacionadas. Se o filme corta algumas passagens do livro que teriam sido bem interessantes visualmente, também desenvolve com mais humor os personagens que entraram no roteiro. E ainda tem o lance dos dois finais serem diferentes - o do filme é, obviamente, mais adequado a um conto de fadas Grimm. O tom geral do livro é mais melancólico e sarcástico, e não tem grandes explosões e raios de luz. Mas gostei de ambos.

(o Gaiman explica numa entrevista que um dos personagens do livro, uma árvore, é a Tori Amos. Hein?)

October 19, 2007

Nunca coloquei o Joy Division entre minhas bandas favoritas, curiosamente. Triste demais, sombrio demais. Entretanto, há que se reconhecer o poder daquelas linhas de baixo poderosas do Peter Hook e das letras e performance angustiadas de Ian Curtis. Durante a sessão de "Control", esses dois fatores insistiam em me arrepiar os pêlos. O tempo todo. E, percebi, conheço todas. Assim como você.

Num filme onde já se sabe o final, o importante é tentar entender a trajetória humana do mito Curtis, e de onde surgiram músicas fundamentais como "Love Will Tear Us Apart" e "She's Lost Control". O filme do Corbijn é em preto-e-branco - não poderia ser de outra forma. A vida na Manchester do final dos anos 70 dificilmente teria cor.

Fora isso, há todo o contexto. Factory Records, e o inesquecível Tony Wilson, que morreu há pouco tempo. Sex Pistols, Iggy Pop, David Bowie, Buzzcocks, Cabaret Voltaire, A Certain Ratio. O pós-punk nasceu ali, e com ele dezenas de bandas que até hoje influenciam a música contemporânea.

"Control" é um belíssimo filme, sobre uma belíssima pessoa num belíssimo momento. Apesar de ser baseado no livro de Deborah Curtis, viúva de Ian, em nenhum momento toma partido na questão da crise do casamento e do caso com a belga Annik. Fãs e não-fãs, assistam.

(e fechar com "Atmosphere" é quase golpe baixo, eu digo. Já vi que vou passar dias ouvindo Joy Division)

October 18, 2007

Ontem fomos ver o show do Marcus Miller no Paradiso. O cara é de um talento e musicalidade inegáveis, tendo tocado com o Miles Davis na década de 80, e eu curto baixistas que fazem slapping (heh). A primeira metade foi ótima. Mas quando ele chamou uma cantora convidada e começou a rolar aquele pop-jazz misturado com r&b odiável, desencanamos e fomos ver a outra banda que estava tocando na sala menor. Bem rock and roll, mas achei igualmente chato. O vocalista era meio gordinho e ficava pulando pra lá e pra cá, o que só me fez lembrar do Jack Black no School of Rock.

Ainda bem que existe cerveja, nessas horas.

Projeto fotográfico : Running From Camera.


via HectorLima (muitos outros links interessantes, vão lá!)

October 17, 2007

Sonhei que estava em São Paulo, num supermercado. E quando percebi, no sonho, onde estava, pensei : "Tô em São Paulo? Tenho que aproveitar e comprar pão francês!"

October 16, 2007

Uou. "The Bedroom Secrets of the Master Chefs" pode não ser o melhor livro do Irvine Welsh, mas eu gostei paca. Como resistir a uma versão escocesa punk-rock de Dorian Gray?

Numa saga que começa num show do Clash em Edinburgh, Danny Skinner tenta equilibrar trabalho, vida amorosa e alcoolismo enquanto vai atrás da resposta de um milhão de libras : quem é seu pai? Sua mãe, uma punk envelhecida que trabalha como cabeleireira, não quer lhe contar.

No meio do caminho, tromba com Brian Kibby, seu oposto e nêmesis. Magro, tímido, nerd e virgem. E arrimo de família.

Esses dois arquétipos se engalfinham em torturas psicológicas e, mais tarde, físicas também - quando, por algum motivo, Skinner descobre que pode desviar para Kibby todas as consequências de seus auto-abusos. Kibby começa então a sentir dores inexplicáveis e vê seu corpo e mente desintegrarem-se à medida que Skinner mergulha no álcool, drogas e brigas e emerge cada vez mais lúcido, íntegro e em controle de sua vida.

Claro, tudo fica meio óbvio a partir de um certo momento, mas curti as zilhões de referências - literárias, musicais, culturais e gastronômicas, misturado ao fato de nenhum dos dois personagens ser especialmente gostável ou totalmente odiável. Sem falar na parte em que se diz que Coldplay e U2 são música de elevador. Como eu posso não gostar de um livro que concorda comigo?

October 15, 2007

Eu até queria comentar sobre "Stardust", o filme baseado no livro, mas o que poderia ser melhor que um texto do próprio Gaiman, neste artigo no Guardian?

Robert DeNiro e os contos de fadas nunca mais serão os mesmos.


(e a Sienna Miller poderia sumir de vez, por mim)

Você gosta de post-rock? De pós-punk? De progressivo? De experimental? De noise? De John Cage? De Zappa? De música dodecafônica/serial/atonal? De free jazz? De Kraftwerk? De Can? De sonoridades estranhas e ritmos não-convencionais?

Se respondeu "sim" a qualquer uma dessas perguntas, vai certamente gostar de Battles. Se é que já não gosta. O rótulo oficial é math rock, mas não se assuste com o nome seco. É criativo, energético e muito, muito envolvente.

Fomos ontem ao show deles no Melkweg. Lotado, e muitas e muitas cabecinhas pulando ao ritmo das batidas, como fazia tempo que não via. Especialmente em se tratando de música instrumental. As influências estão todas ali, reconhecíveis, mas o produto final consegue ser algo próprio, não um mero pastiche.

Tocarão no Brasil em breve. Dos meus amigos, tenho quase certeza de que a Dani e o João devem curtir, e desde já jogo a idéia pra Cris A. e pra Ana, que têm um bom gosto notório.

Pra variar, os meus videozinhos toscos (o som não faz jus ao show, por favor procurem coisas mais decentes no YouTube):

video

October 12, 2007

Fui assistir a "Duska", do Jos Stelling. Que provavelmente é o único diretor holandês conhecido no Brasil (fora o Paul Verhoeven), por "De Illusionist" e "No Trains No Planes".

Bob é um crítico de cinema, cinquentão e solitário. Vive em Amsterdam, em frente a um cineclube - que frequenta quase que diariamente. Tem uma paixonite pela menina da bilheteria, mas é tão tímido que nunca consegue dizer nada. Até que um dia, por força do acaso, se vê com ela em seu apartamento. E nesse momento, surge Duska - um russo simpático, amoroso e, acima de tudo, sem noção. Que se instala na sala de Bob, que a princípio aceita a situação. Mais por não saber o que fazer do que por qualquer outra coisa, mas críticos de cinema também têm coração. Acho.

Com essa história simples, com um pé no improvável e outro no cinema mudo, e esse elenco enxuto e competente, poderia ser um filme extraordinário. Mas saí do cinema achando que faltou algo. Os dois protagonistas são quase clowns, quase clichês. O filme não chega a ser nem história de amor nem comédia. Não é ousado, mas também não é tradicional. Não chega às raias do absurdo e também fica longe do real. Na verdade, não chega a lugar algum no geral. De repente esse é o problema, o não-chegar-lá.

Achei interessante o ênfase na incomunicabilidade - Bob quase não fala, e por vezes não escuta. A garota fala um pouco, mas não revela absolutamente nada de si por meio das palavras. E Duska fala por monossílabos, pelo obstáculo do idioma. Esses três se comunicam no nível mais básico, mas nenhum deles entende o outro realmente. Mas mesmo isso é pouco para sustentar um filme - meia mensagem é pior que nenhuma.

Pra mim, valeu como uma homenagem ao Filmmuseum Cinerama, que foi a locação para o cineclube da história, e que foi demolido recentemente. Inclusive a demolição foi retratada no filme, o que me lembrou o final de "Durval Discos", de certa forma, querendo dizer a mesma coisa. Que o tempo passa.

October 11, 2007

Bom, a brincadeira de "abrir o livro mais próximo na página 161 e transcrever a quinta frase completa" deu sua 7564ª volta ao mundo e fui tagged pela Julia.

É curioso como certos termos acabam sendo usados ou entendidos de forma errônea. Eu ia dizer que esse jogo não poderia ser chamado de meme. Meme é um termo cunhado pelo autor do livro "The Selfish Gene", Richard Dawkins. Pela definição, teria de ser um elemento cultural que vai sendo transmitido se for considerado relevante (o que é relativo), como se fosse uma informação genética. Algo que aprendemos com outros, interpretamos e realizamos do nosso jeito, e eventualmente passamos adiante. Uma lenda urbana é um meme. O jingle dos Cobertores Parahyba é um meme. O marketing viral é um meme. Nosso comportamento social é memético, assim como nosso aprendizado da linguagem. Contudo, pensando nisso, acho que o próprio conceito de "meme" se tornou um meme em si - foi entendido ou empregado erroneamente por alguém em algum momento, e está sendo difundido nessa nova forma. Interessante.

Dito isso, vamos lá. Aqui o livro é "Japonês em Quadrinhos", do Marc Bernabé, e a frase é "Em português fazemos uma diferenciação apenas entre 'irmão' e 'irmã'".
Essa informação foi útil pra alguém? É, imaginei.

October 10, 2007

Putz, me vi às voltas com uma pergunta que me fizeram aqui : "que tipo de música faz sucesso em São Paulo hoje?". A pessoa queria saber também se existia algum movimento na linha MangueBeat rolando atualmente no Brasil, ou algo do gênero, visto o sucesso do CSS.

Cacete, que resposta difícil. Hoje em dia, com a disponibilidade de gêneros e possibilidades no Myspace e outros sites, com a velocidade em que surgem bandas novas e a facilidade com que tudo cai na rede, eu acho que acabou essa história de "movimento" - não é mais necessário o agrupamento pra se conseguir visibilidade, e nem as pessoas têm esse espírito de criação coletiva unidirecional. Cada um faz o seu som. Certo, e também não se cria nada de novo. Como eu sempre digo, o Manguebeat foi o último movimento criativo na música brasileira. Tudo que veio depois é reciclagem.
E agora eu vejo se repetir o fenômeno dos anos 80, quando TODO mundo se metia a ter uma banda - obviamente, a maioria era muito ruim, mas as boas eram ótimas. A diferença é que o esquema da época era completamente manco, em termos de produção, distribuição e divulgação. Hoje com a internet e os equipamentos certos, isso é fichinha - pode-se fazer tudo de casa, com um alcance que os anos 80 nem poderiam imaginar. Daí que somos inundados de novas bandas, todos os dias, de todos os gêneros, de todas as procedências, por todos os lados. Haja filtro pra ter alguma favorita.

(O CSS, assim como o Bonde do Rolê, estourou por dois fatores : esse da facilidade de divulgação, e o de ter o conceito certo na hora certa - que não foi entendido no Brasil na época em que surgiu. Além, é claro, de ser ótimo de verdade - música, visual, integrantes e atitude na combinação pop perfeita. Expliquei pra pessoa que CSS e Bonde são um fenômeno, casos isolados)

Fui aos sites de algumas rádios de SP pra ver o que o paulistano médio ouve. São duas vertentes : a popular, com forró, pagode e funk, e a MTV Brasil/rádios rock, onde reinam Charlie Brown Jr., Fresno e CPM22. E tem o pop/r&b/hip-hop que ambas ouvem, como Rihanna, Beyoncé e Diddy - assim como o resto do mundo, mas a parte internacional não interessa aqui.

Fora do mainstream, obviamente a qualidade sobe drasticamente, mas o cenário é totalmente fragmentado : as opiniões se dividem entre bandas do Ceará, do Paraná, de Minas Gerais, do RS, do Rio e algumas de São Paulo, mas que eu saiba, não existe unanimidade, algo de que TODO mundo goste. Não conheço todas, mas claro que há grupos ótimos, com público cativo - mas eu realmente não chamaria isso de "sucesso", no sentido com que me foi perguntado, certo? Hit pra 200 pessoas é hit? Se eu fizer uma seleção das dez melhores bandas de SP, não posso dizer que sejam os dez maiores sucessos. Qualidade e comerciabilidade são conceitos que às vezes não gostam de andar juntos...

Ou seja, existe um movimento musical em SP? Não (movimento comportamental, sim). Dá pra se dizer o que é "hot" em SP? Depende de que SP você está falando.

October 09, 2007




Spreading the insanity.



(pra tentar entender, aqui)

October 06, 2007

Ler sobre a Aum Shinrikiyo me fez lembrar por que eu não tenho religião, e nunca tive. Também não condeno quem tenha, claro, mas o ideal seria que cada um filtrasse o que faz mais sentido para si, ao invés de abraçar completamente os dogmas e doutrinas que cada vertente apresenta. Ao mesmo tempo, entendo que a prova de fé mais exigida é justamente essa, a da aceitação cega - e algumas pessoas não têm escolha.

E eu vejo que o que atrai nas religiões e cultos é justamente essa desobrigatoriedade de pensar, de ter de estabelecer por conta própria o que é "certo" e "errado". Seguir preceitos E ganhar ainda por cima a "salvação", negocião.

Meu pai era uma pessoa especialmente cética, mas não desprovido de alguma fé (paradoxo? heh, todos somos). E quando eu e minha irmã nascemos, ele se recusou a nos restringir a qualquer religião pré-estabelecida, e nunca fomos batizadas ou qualquer coisa parecida. Que nós encontrássemos nosso próprio caminho e crenças quando pudéssemos. Ou quiséssemos.

Curiosamente, acabamos estudando a vida toda numa escola italiana, e consquentemente, católica. As horas das aulas de catecismo eram livres pra nós, juntamente com as crianças judias - eu passava todas na biblioteca, e não achava nem um pouco ruim, hahahaha.

Na época da Primeira Comunhão, eu obviamente me sentia um pouco de fora, porque afinal todos os coleguinhas estavam concentrados nisso, e as meninas usavam aqueles vestidos meio de noiva. Mas ao mesmo tempo sabia que não estaria confortável naquele meio, então nunca foi um trauma :)

Anos mais tarde, voluntariamente ou não, acabei entrando em contato superficial com vários tipos de religiões. Alguns me interessavam mais, outros menos. Li algumas histórias bíblicas, outras budistas, outras afro-cubanas e algumas espíritas, e achava tudo muito interessante. Mas a verdade é, eu acho que nunca estive em busca de respostas. Tudo que eu queria saber nesse campo, eu sabia instintivamente, ou chegava a conclusões próprias, depois de ler. Eu seria o pior alvo de uma seita, porque simplesmente eu nunca busquei respostas. Simplesmente acreditava naquilo em que acreditava, e pronto. Nunca nem sei de onde veio isso tudo.

Depois que meu pai faleceu, tive cada vez mais provas de que sim, existe algo sobre-humano e além da vida que conhecemos - e como nunca tive nenhuma base religiosa, tudo isso se acrescentou bem ao em que já acreditava. Conversei há pouco tempo com uma pessoa interessantíssima, que estuda teologia entre outras coisas. E vejo cada vez mais como é mais proveitoso analisar tudo a partir de um ponto de vista descompromissado. Acreditar em algo é uma necessidade do ser humano, mas religiões são algo criado por nós mesmos - não há nada de "divino" aí. Os mandamentos, regras, whatever, são regras de bom senso e convivialidade, nada mais. Rituais são criados para se manter a disciplina necessária ao comportamento social básico e, principalmente, para atender àqueles que necessitam de algo concreto para confirmar que sim, acreditam em algo. E também que pertencem a algum lugar.

Eu? Eu tenho medo só das interpretações que alguns fazem do que lêem e consideram sagrado. Aula de interpretação de texto neles.

Er, a pergunta da Julia no post de baixo me fez perceber uma coisa - não faço idéia se a maior parte dos livros, filmes ou whatever que eu recomendo ou falo sobre aqui são facilmente disponíveis onde quer que quem leia isto aqui mora. Sorry about that :-\

(mas gente, eu tenho de dizer que o acesso a coisas importadas - especialmente livros, filmes e discos - melhorou PENCAS no mundo todo. Eu lembro como era no Brasil há 15, 20 anos - em São Paulo, ainda tínhamos a Livraria Cultura pelo menos - imagina nas outras cidades. Hoje é facinho)

October 05, 2007

Ainda estou nas últimas páginas, mas "Underground", do Haruki Murakami, já é um livro que recomendo fortemente.
Quando do ataque com gás sarin ao metrô de Tóquio em 1995, perpetrado por membros da seita Aum Shinrikyo, muito se noticiou sobre a tragédia que afetou milhares de pessoas - mas como sempre, em geral a mídia se esquece de que cada vítima é um ser humano, com vida, família, história e sentimentos. O Murakami resolveu levantar esse lado do desastre e se pôs a tentar entrevistar os sobreviventes, pra mostrar a visão de quem estava lá - o que pensaram, o que sentiram, o que fizeram. Não surpreendentemente, foi difícil. A cultura japonesa preza a discrição, o abafamento do escândalo, e ele mal conseguiu uns 60 depoimentos.
A versão traduzida para o inglês só traz metade dessas histórias, mas são mais do que suficientes para revelar aspectos da sociedade que, para quem vive no mundo ocidental, parece tão enigmática às vezes. Eu mesma me surpreendi ao saber que lá tanta gente que se programa para chegar pelo menos uma hora antes do início do horário de trabalho. É o mínimo esperado. Também fiquei chocada com o pensamento fixo de algumas vítimas que, intoxicadas com o gás, mal conseguiam andar ou falar : "tenho que chegar no trabalho a tempo". Fiquei com pena de quem vive sob tanta pressão.
Também é comovente o quanto as vítimas se sentiram desamparadas, tanto pelos serviços públicos e de saúde quanto por outros seres humanos. Mais de um relatou sua indignação por tanta gente passando visivelmente mal ser ignorada pelos transeuntes, na mais clara demonstração de "isso não é meu problema, não devo me envolver". Fora o despreparo dos hospitais, que não levaram a sério os primeiros casos que apareceram por não terem idéia do que estava acontecendo, e a falta de ambulâncias.
Mas o pior mesmo é ler a história de uma vítima fatal, contada pela viúva e pelos pais. De cortar o coração.

Como se não bastasse ter conseguido elaborar esse retrato bastante inesperado do Japão de hoje, o autor dá um passo adiante e entrevista também o lado do perpetrador. Sem julgamentos, conseguimos uma olhadinha na mentalidade de alguns membros da seita. Os pontos em comum de seus perfis salta aos olhos - pessoas inteligentes, em busca de respostas e beirando a sociopatia. E acima de tudo, que encontraram no líder do culto, Shoko Asahara, uma figura em que podiam depositar suas vidas - o peso de tomar decisões e responsabilidades não era mais deles, mas do grupo. Assustador e revelador.

Procurem ler, vale a pena.

Fui a Rotterdam de novo, pra pegar a papelada que deixei lá semana passada. Devo dizer que o seu Gomes, do consulado, é uma pessoa boníssima.
Fui de novo ao Boijmans pra ver o que ficou faltando da outra vez. Acreditem, ainda assim fiquei pelo menos uma hora lá. Dalí e seu paranóico e tantas outras obras.
Resolvi passar pela Chinatown de Rotterdam e já entrei no primeiro supermercado oriental que vi. Comprei toneladas de coisas, é como ir à Liberdade em São Paulo.
Fazer compras na Europa hoje em dia não tem mais graça. Todas as lojas têm filiais em tudo quanto é cidade. Eu prefiro me perder nos mercadinhos étnicos.

October 03, 2007

. E que o Google e a popularização da internet continuem gerando muuuuitas e muitas buscas absurdas, porque o que a gente vê por aí ninguém seria capaz de inventar.

Por enquanto só coloquei as minhas estatísticas do mês, depois vou colocando as contribuições. Mandem aí as suas!

Stats Quê?

October 02, 2007

Eu hesitei muito pra assistir ao "Hairspray" de 2007. Sendo fã do John Waters e tendo visto o trailer da versão-cinematográfica-do-musical-inspirado-pelo-filme-original, nada me tirava da cabeça de que seria uma pálida lembrança açucarada e diluída (aguada? Hehe, pun intended) do filme de 1988.

Bem, eu estava certa. Mas tenho de admitir também que a tal versão virou a damn fine piece of entertainment! E se nem o próprio Waters renegou o neto bastardo, aparecendo brevemente na primeira sequência, quem sou eu pra fazer isso? :)
O Travolta não chega aos pés de Divine, obviamente, mas ver o Christopher Walken como dono de uma loja de truques é uma das maiores sacadas de elenco - o humor do improvável. Aliás, todo o cast é uma agradável surpresa - a talentosa Nikki Blonski como Tracy, um James Marsden surpreendente cantando e dançando, Michelle Pfeiffer no papel que foi de Debbie Harry no original. O Link de 88 era um sósia do Elvis, e aqui o Zac Efron não faz feio (hello, cabelo preto e olhos azuis são uma combinação de matar, não?), muito pelo contrário. Vários atores da versão original em participaçõezinhas rápidas (Ricki Lake, Jerry Stiller, Mink Stole), vários talentos novos. E finalmente, eu gostava mais da Motormouth Maybelle da Ruth Brown, mas a Queen Latifah também mandou bem, apesar de tornar o personagem mais doce.

Pois então, a acidez tentou ser salva em algumas letras, a mensagem geral é a velha e boa ode às diferenças, e a questão racial continua como ponto principal da trama - mas em meio a tanta música e dança contagiantes, homenagens a Motown, girl groups e musicais clássicos, visuais deliciosamente campy e retro, teenyboppers, ídolos e outros elementos da cultura pop da América sixties (mas sumiram com os beatniks!), quem se importa? É um musical, não uma tese de antropologia. Groovy.

October 01, 2007

Ontem tive bastaaaante tempo pra ficar fuçando a internet. Akira ficou trabalhando até as cinco da manhã e fiquei acordada junto. Believe you me, foi tempo de sobra pra umas tantas reflexões aleatórias em tempos de inclusão digital.

1. Tem gente que leva esse negócio de blog a sério demais. Dos malucos que criam várias identidades diferentes pra ficar comentando/trolling outros blogs mais conhecidos, aos malucos em si que expõem fotos dos filhos, família, detalhes pessoais, etc. Os trolls eu até entendo, são pessoas extremamente problemáticas que se valem do "anonimato" para soltar os cachorros (lembrando que não existe propriamente anonimato na web, tudo é passível de rastreio) e compensar frustrações pessoais criando personas e atacando geral. Agora, quem posta tudo que é info na rede, ou é muita ingenuidade ou muito desprendimento.
Um amigo meu me disse : "nossa, que coragem a sua de se expor assim no blog". Expor o quê? Quem lê isso aqui sabe no máximo que eu moro em Amsterdam, que eu gosto de cinema, livros e arte e tenho uma certa obsessão com comida e viagens. Que eu saiba, nunca coloquei nada que possa alimentar stalkers e doidos em geral. Sempre tive motivos pra isso, mas isso é história pra outro post.

2. Há gente que escreve muito bem por aí. Infelizmente, a proporção de gente que escreve mal é maior.

3. A internet aumentou 100 vezes as tentações para o meu lado consumista. Sites como o Retro to Go e a versão online da Topshop me fazem ter ataques. Sorte que eu decidi não gastar nada com roupas este ano.

4. Eu devo ter algum problema. Eu babo com fotos de gatos e filhotes em geral, mas ignoro bebês humanos. A menos que sejam a Suri Cruise (ou Holmes?).

5. Eu vou fazer um blog só com as buscas absurdas que fazem por aqui, mas preciso de um nome. Alguém tem alguma sugestão? Não quero usar a minha tag "Oh Mighty Google" porque tem o nome Google. E quem tiver contribuições, favor mandar pro meu email : annix1971 lá no gêmail mesmo. O mundo precisa de coisas como "porque eu pulo quando eu estou assistindo filme de terror". Todo dia.