"30 Days of Night" é sinistro, sangrento, efeitos ótimos e boa direção. Não li a graphic novel, então não sei quanto à fidelidade ao original, mas é um programão.
Vampiros nunca estiveram no meu top 10 de coisas assustadoras - grande parte por culpa da imagem sedutora e aristocrática propagada pelo Bram Stoker, gótica demais, teatral demais. Sinceramente, me enche o saco esse viés erótico que tomou a lenda (a melhor notícia dos últimos tempos foi a Anne Rice encontrar Jesus, haha). Graçazadeus, não é o caso aqui. Os ataques são animalescos, impiedosos, a tensão é enorme e bem explorada. Os vampiros aqui parecem realmente com o tipo de criatura que alimenta pesadelos e lendas.
Saí do cinema e dei de cara com uma noite fria e prematuramente escura. Fui rapidinho pra casa...
November 21, 2007
November 17, 2007
Ontem tive meu próprio momento proustiano. Encontrei no supermercado petits pains suédois, que são pãezinhos cortados ao meio e torrados. Lembrei que gostava deles, fiquei toda alegrinha e comprei um pacote.
Cheguei em casa e já fui experimentando um. Hm, crocante e nutty. Mas fiquei meio decepcionada, porque não parecia a mesma coisa. Deixei o pacote pra lá e fui fazer outra coisa.
Mais tarde, fui tirar os queijos da geladeira pra fazer fondue, que era o jantar programado. Gruyère, emmental, e comecei a ralar. No finzinho do emmental, me deu um clique e pensei : hm, isso deve ficar bom com um dos petits pains. Cortei um pedacinho dele e comi com uma das torradinhas suecas.
Era isso! A combinação de sabores me emocionou, e de repente lembrei o porquê : foi a primeira coisa que comi em Paris, na minha primeira vez na cidade, há mais de dez anos. Um fato que eu tinha esquecido completamente, encoberto por tantos outros que se seguiram nesse tempo todo. Mas que, pelo visto, nunca deixou de ter importância.
Em 96, fui a Paris pela primeira vez, para fazer um curso de verão na Sorbonne - Langue et Civilisation Française. As residências estudantis já estavam todas ocupadas, mas consegui alugar um apartamento normal no 7ème através de um anúncio pregado não lembro onde. Cheguei na cidade num domingo, e fui pegar a chave com o administrador, um senhor brasileiro muito tranquilo. Ele foi comigo me mostrar o apartamento e como funcionavam as aparelhagens, código da porta, etc.
Fiquei pasma, porque o lugar que aluguei sem ver era um apê grande, lindo, com quarto, sala, cozinha equipada e banheiro - na verdade poderia ser dividido com mais gente, mas consegui alugá-lo sozinha. Das janelas se via a Torre Eiffel, e a rua tinha a mistura exata de movimento e calma. Não podia querer mais nada.
O administrador então se despediu e explicou que, por ser domingo à noite, ele previu que seria difícil eu conseguir comprar comida naquele horário - e deixou umas coisinhas pra que eu não ficasse sem nada.
Abri a geladeira e encontrei - sim, um pedaço de emmental e um pacote de petits pains suédois. Fiquei comovida com o cuidado inesperado, e senti que aquele período ia ser um dos mais felizes da minha vida.
E assim, na minha primeira noite de verão em Paris, sozinha frente às janelas abertas mostrando a Torre iluminada contra o céu escuro, consciente da minha tremenda sorte de estar ali, tocada pela beleza e gentileza, comi queijo suiço, pão sueco e água - e nada pareceria mais gostoso.
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November 15, 2007
"Dig for Fire - a Tribute to Pixies", pra ouvir online (sim, mais um tributo!). Em geral, bacana.
Mas claro, nada como o original.
(Via Ilustrada no Pop)
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"Chocolade Haas", um curta do holandês Sander Plug.
(Via SeriousEats)
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November 14, 2007
November 13, 2007
Ainda pelo Orkut, notei que duas profissões são o alvo de sonhos de muita gente : comissário de bordo e locutor de rádio. Chega ao ponto de ter gente dizendo que trabalharia sem pagamento, se tivesse uma chance.
Primeiro : quer trabalhar sem ganhar dinheiro, vai ser voluntário pra alguma instituição útil, que PRECISA da sua mão-de-obra gratuita. Deixa quem tem capacitação pra exercer a função ganhar o salário devido e tirar um pouco de grana das grandes corporações. Porque SIM, eles ganham dinheiro, mesmo que não te paguem.
Segundo : as duas carreiras precisam de treinamento especializado E uma certa vocação. Mas acima de tudo, um certo senso de realidade. Tá bom que você quer ser comissário porque acha nasceu pra servir os outros e acha o máximo da recompensa um sorriso de um passageiro (!). Eu sei que o que você quer mesmo é fazer o circuito Elizabeth Arden e conhecer o mundo. Não há problema nenhum nisso. Da mesma forma, o sem noção que fala que o dinheiro não importa, ele quer é se comunicar com o mundo, na verdade quer é ser famoso, um Eli Corrêa da vida (quem?). Encarem isso que fica mais fácil. Em 90% dos casos, é isso que acontece. E quem ganha são esses cursos fuleiros que cobram uma grana dos sonhadores incautos.
(o curso de locução do SENAC é bom e confiável, e quanto aos aspirantes a comissário...bem, nenhum dos meus amigos que foram contratados por companhias internacionais - AF e LH - jamais pisou numa dessas escolas de aviação. Cada empresa tem seu treinamento específico e te dá um tempo pra tirar o certificado geral, já contratado. Mas o pior mesmo é gente que faz curso de agente de solo - pagar pra aprender a fazer check-in, embarque e desembarque, sendo que cada companhia aérea tem um procedimento e sistema diferente?!)
O foda é que eu vejo nego achando que comissário/aeroviário não tem que falar outra língua e aspirante a locutor não sabendo falar nem português. Sério : se você acha que o passageiro estrangeiro não se importa de não ser capaz de se comunicar com você verbalmente e se satisfaz com a sua simpatia, precisa realmente viajar mais como pagante. E se você acha que tudo que o ouvinte quer é ouvir a sua bela voz falando "as árvere somos nozes" ou levando a palavra de Jesus, tem de criar um pouco de noção. Senão o máximo que você vai conhecer do mundo vai ser o Rio de Janeiro e a palavra de Jesus não vai passar do boteco da esquina.
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9:48 PM
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* finalmente a temperatura vai chegar perto de zero grau. Não chovendo, tá bom.
* finalmente o Orkut viu a luz e não me obriga mais a ver se fulano adicionou vídeos, mudou o profile ou resolveu andar de quatro. Fora updates!
* finalmente decidi não comprar mais NADA de roupas, sapatos ou cosméticos até eu usar tudo o que tenho. O armário transbordante agradece, e meu bolso também.
* frutas aqui nesta estação são um tédio : maçã, pêra, pêra, maçã. O que salva são os morangos holandeses (que são ótimos) e as ocasionais frutas importadas. Mesmo assim, as mangas não têm cheiro algum (!) e as bananas são Chiquita.
Eu acho que só gosto do verão pelas cerejas.
* Dean&Britta não vão tocar aqui. Tem show de TUDO quanto é banda aqui, mas não vai ter Dean&Britta. Merde.
* Eu tenho um twitter, mas prefiro postar essas coisinhas aqui, ué.
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7:45 PM
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November 12, 2007

(sim, a capa é do Yoshitomo Nara)
Snif. Agora não sobrou nenhum livro da Banana Yoshimoto pra ler, até ser lançado o próximo. Terminei "Hardboiled/Hard Luck" ontem, e achei muito bom. Obviamente, porque o tom fantástico de "Hardboiled" lembra um Murakami mais melancólico e feminino. E "Hard Luck" é lindo e simples, principalmente pra quem passou por situação semelhante. As duas histórias giram em torno do mesmo tema - a morte de alguém querido - mas o tom nunca é depressivo, e sim reflexivo. De fato, eu diria que são mesmo sobre a vida em si e uma de suas grandes verdades : perdas e despedidas fazem parte da existência. Não se deve encarar o vazio que fica quando alguém morre, e sim perceber em si o quanto dessa pessoa ficou, e o quanto esses fragmentos de presença - lembranças, vestígios, ensinamentos - transparecem ou influem no que fazemos pelo resto da vida. Ou seja, vão sempre ser parte de nós. Quem entende isso é capaz de seguir vivendo e ser feliz.
Afinal, sentir saudade não deixa de ser uma forma de poder carregar consigo um pedacinho de quem a gente perde.
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November 11, 2007
Olhei na geladeira e encontrei os seguintes restos mortais olhando pra mim : um cubinho de manteiga de 2cm x 2cm; UMA fatia de presunto cozido; vários pedaços de queijo (comté, tomme noire, manchego, grana padano e boursin); meio vidro de champignon em conserva; umas ervas frescas já não tão frescas assim (alecrim, tomilho, sálvia) - eles estavam PEDINDO pra virar molho, nénão? Ainda mais porque no armário tinha meio pacote de fusilli moscando há meses sem ninguém dar atenção, coitado.
Derreti a manteiga em fogo baixo, joguei a sálvia picada. Depois, meio pacote de Boursin (alho e ervas), os queijos ralados, algumas folhas de tomilho e alecrim. Um pouco de leite (uns 200 ml?), os champignons e o presunto picado. Mexendo sempre, ainda botei um pouquinho de vinho branco, pra aromatizar, e de maizena, pra engrossar um pouco. Pimenta-do-reino, deixar cozinhar e pronto! Um quase-romanesca pra servir com pasta. Ou será parisiense? Anyway, não tinha ervilhas. Eu lembro que adorava pedir ravioli à parisiense na Cantina Roperto no começo dos anos 90, e jogar um mooonte de parmesão ralado em cima. Good times.
(se eu não tivesse o Boursin, eu faria um molho branco básico - manteiga, fritar um pouco de farinha e misturar leite - e depois acrescentaria o resto)
Só não tirei foto porque ficou Belmondo. Mas aproveitei imensamente.
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8:00 PM
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November 10, 2007

O privilégio de ter conhecido alguém de tantos talentos e com um coração tão grande quanto o seu foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida. Por isso, obrigada por existir.
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8:32 PM
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"Stupeur et Tremblements" é a versão cinematográfica do livro da Amélie Nothomb. Semi-autobiográfico, ele conta como a jovem Amélie, belga nascida no Japão, retorna para trabalhar no país do qual guarda lindas lembranças de infância e um certo fascínio. O cotidiano corporativo japonês acaba por se mostrar massacrante, não fisicamente, mas psicologicamente - pressão extrema pela perfeição, humilhação e subserviência, obediência acima da iniciativa, competição acirrada. Mas nada disso demove Amélie, que, em busca de se tornar um pouco japonesa, assume uma das posturas mais características - a de não perder a dignidade. Pedir demissão seria uma vergonha maior do que se submeter aos abusos dos chefes, e ela encara tudo com um certo espírito zen-masoquista - até mesmo ser mandada cuidar dos banheiros. Sua educação ocidental e sua cara de estrangeira entram em choque o tempo todo com a cultura tradicionalista e xenófoba do Japão, resultando em insights interessantes e críticos. Obviamente, referências a "Furyo" não faltam, sendo citadas até diretamente.
É um filme belo e um pouco fabulesco, imagino que para tirar um pouco do peso da neurose, mas imperdível pra quem quer conhecer um pouco a outra face desse país, a que não é mostrada em "Lost in Translation". Amélie sim, sofre com a falta de comunicação. E eu gosto muuuuito da Sylvie Testud.
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12:06 AM
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November 09, 2007
De todos os nossas capacidades, acho que sonhar é uma das minhas preferidas. Mas sonhar mesmo, daqueles quando a gente dorme e o inconsciente toma conta, misturando acontecimentos, medos, desejos, frustrações e pirações em pequenas cenas com um mínimo de coerência pra dar liga. Mínimo mesmo, só pra não virar uma maçaroca desconexa.
(Chris, Klein, Hector e tanta gente que falou sobre o assunto ultimamente e mais o Gondry podem atestar)
Pra falar de novo em Star Trek (I know, I know - pode chamar de nerd que eu gosto), fiquei emocionada quando num dos episódios o Data desenvolve a capacidade de sonhar. Não entende a princípio - mas depois percebe como é um privilégio. E como não encarar como um presente a chance de correr por lugares estranhos e que não existem, conversar com pessoas queridas distantes de você, viver situações que na vida real seriam arriscadas ou, melhor ainda, impossíveis? Eu adoro.
Às vezes os sonhos me consomem - acordo cansada fisicamente, quebrada mesmo, depois de sonhos onde corro ou ando sem parar (como o de hoje, em que eu andava de bicicleta numa avenida imensa em SP, que não existe, mas ligava o Anhembi à zona leste passando pelo minhocão, com alguém que não lembro quem era na garupa). Como pode?
Outras vezes, são tão bons que fico verdadeiramente chateada ao acordar - de que outra forma eu poderia abraçar meu pai e resolver a saudade de perguntar coisas triviais como "você quer que eu vá buscar uma pizza?", como se ele ainda estivesse por aqui?
E por isso mesmo, sonho legal é sonho absurdo. Como bem disse a Chris, sonho com coisas normais é mau sinal.
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November 08, 2007
Ouvindo umas velharias de que gosto tanto. Dylan, claro. Itamar BeneditoJoãodosSantosSilvaBeleléuvulgoNegoDitoCascavé Assumpção, tanto cantando Ataulfo como "Sampa Midnight". Renaissance, "Carpet of the Sun" e "Let it Grow" tentando seguir os agudos da Annie Haslam (num passado distante eu conseguia). Nico e sua voz peculiar em "I'll Keep it With Mine". Lembrando que comprei CDs dos Seekers e do Manfred Mann e mal ouvi (especificamente por causa de "Georgy Girl" e de "Doo Wah Diddy Diddy", confesso - mas eu adoooooooro essas músicas).
Me intriga o fato de eu gostar mais de coisas produzidas no máximo até a década de 80 do que das de agora, não importa o gênero - que eu não me prendo a essas coisas. Tudo hoje parece releitura de algo (hm, na verdade é). Esgotou a fonte? Há menos paixão? O talento se diluiu na vida moderna? Sei lá.
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7:57 PM
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November 07, 2007
Experimentei fazer empanadas hoje. Bem gostoso - a massa ficou bem elástica e deu pra esticar bem fininho, e o recheio ficou bom. Da próxima vez, contudo, acho que vou usar filé picadinho no lugar da carne moída, echalotes em vez de cebolas e juntar um pouco de vinho tinto e tomilho (será que é muita heresia?).
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November 06, 2007
Assisti ontem a um episódio de "Star Trek : TNG" bastante interessante, porque tratava de algo que temos (hã, dizem) mas não se sabe totalmente como funciona : a memória. Um dos personagens, o Data - pra quem não conhece a série - é um andróide - e como tal, tem a memória toda organizada e catalogada, como um computador. Ô, que sonho. Tudo dividido em pastas, com datas, tags - pra acessar e localizar algo seria facílimo.
Infelizmente, nossa condição de humanos estabelece que a nossa memória seja armazenada segundo padrões totalmente subjetivos. Você pode coçar o cérebro até gastar, mas não vai lembrar do nome daquela música, ou daquele filme de que gosta na hora que quer. Da mesma forma, lembranças daquele namoro bom ou ruim vão aparecer do nada, quando menos foram chamadas. Ou ainda, sentindo o cheiro de água salgada, por exemplo, vai se lembrar de algum momento crucial da sua infância, esquecido até então. Sem querer.
Eu me considero uma pessoa com memória seletiva - costumo enterrar bem fundo as lembranças indesejáveis, e ao mesmo tempo sou capaz de desenterrar épocas apenas com um cheiro ou visão de um lugar conhecido. Não costumo ficar imersa em memórias em geral, porque pra frente é que se anda. Mas há momentos que certamente gostaria de manter num lugar protegido, como 2046...
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9:27 PM
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November 05, 2007
E já que eu falei de festivais, neste final de semana rola o International Amsterdam Film Festival, o antigo RESfest de Amsterdam. O destaque é o filme novo do Hal Hartley, "Fay Grim", continuação de "Henry Fool", de 1997. Só por isso eu já iria, porque eu AMO HH e desde "The Book of Life", dos últimos filmes dele não vi nem sombra.
Além disso, vão ser exibidos também os documentários "Good Copy, Bad Copy", sobre copyrights e pirataria (e que, coerentemente, tem download disponível no próprio site), "Inside/Outside", sobre grafite, vandalismo e street art e inclui a cena de São Paulo, e "Mr. Catra o Fiel", que mostra uma das faces da cultura funk das favelas cariocas. Os três são do dinamarquês Andreas Johnsen, que tem mais alguns que parecem igualmente bons no Rosforth.com. Acho que vale a pena conferir.
Se eu me animar a enfrentar as hordas de modernetes e de holandeses paga-pau de terceiro mundo que provavelmente vão encher o centro cultural, eu conto pra vocês.
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November 04, 2007
Só porque eu fiz pouco caso de quem compra cebola já picada no supermercado.
Ontem fiz zás! no meu polegar. Como o entusiasmo não era muito e existem as unhas, pelo menos fiz um talho no dedo através da unha e não fatiei fora a ponta. Mas dói do mesmo jeito.
(note to self : quando dizem que a gente tem de dar tudo de si em tudo que faz, não significa literalmente. Dedos fazem falta)
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November 02, 2007
Eu sou incapaz de jogar comida fora, traço que certamente puxei da minha mãe. A geladeira e a despensa da casa dela são o equivalente doméstico à ala egípcia do Louvre - pacotes e containers de coisas ressecadas, congeladas, empoeiradas e mumificadas. Algumas coisas nem devem ter data de validade, e sim teste de carbono 14.
Aqui em casa só não acontece o mesmo porque a gente tem um pouquinho mais de controle sobre o que é comprado e usado e o Akira é um neat freak, mas mesmo assim a nossa tendência a fazer comida pra um batalhão sempre resulta em sobras. O que é comemorado, porque significa que não precisamos fazer comida por uns dias.
(eu não sabia, mas descobri ao longo dos anos que tem gente que nem cogita consumir sobras - felizmente, nunca tive esse problema)
Daí que por acaso tínhamos um pedaço de atum cru na geladeira. Não fresco o suficiente pra fazer sashimi de novo, mas bom ainda. E um purê de batatas com alho-poró da semana passada também. A idéia é fazer um tartare de atum (cortar em cubinhos, misturar com suco de limão, shoyu, gengibre, cebolinha picada, wasabi e umas gotinhas de óleo de gergelim e deixar na geladeira por uma hora) com potato fritters (juntar um ovo e farinha de rosca ao purê, temperar com sal, pimenta, azeite, mostarda e pimenta vermelha. Formar panquequinhas e fritar em óleo quente). Colocar o tartare sobre as panquecas de batata e servir tudo sobre uma salada verde.
Parece bom, né? O problema é que antes disso eu tinha decidido fazer oden (um cozido japonês com batata, nabo, ovo, tofu, konnyaku e bolinhas de massa de peixe, que se come com mostarda japonesa). Tem um panelão no fogo e vai durar uns 3 dias, pra nós dois.
Que será que se pode fazer com resto de oden?...
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Novembro também é hora do festival Crossing Border, em Den Haag. A programação deste ano não me interessa terrivelmente, mas ver quem esteve nas outras edições é de babar : Nick Hornby, Holger Czukay, Can, Tindersticks, Douglas Coupland, Lou Reed e Laurie Anderson, Norman Mailer, Zadie Smith...gah. Literatura, música e outras formas de arte, tudo junto. Uau.
(spoken word não é muito minha praia, mas combinado com outras atrações até vai)
Em 2007 os destaques são o Salman Rushdie e o Rufus Wainwright, and I couldn't care less por nenhum dos dois, mas tem Patti Smith, Chuck Palahniuk e Roddy Doyle, que eu curto paca. E putz, o Norman Blake e a Emma Pollock na noite escocesa.
(tem ainda a Soko, SFA e BRMC, mas esses não me tiram de casa)
Hum. Eu ainda não sei se vou, mas fica a dica pra quem for da área.
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2:29 PM
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November 01, 2007
Se bem que tenho que confessar que essa minha determinação toda de "no presents" sente os joelhos tremerem toda vez que vejo o JBox.
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10:29 PM
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Novembro já? Pra onde foi o ano que eu não vi?
Bom, já que na cabeça de todo mundo Natal é época de presentes, é hora de ir lá nos Correios escolher uma cartinha e fazer a sua boa ação anual. Em São Paulo, geralmente as cartas ficam à disposição na agência da Lapa - mas é só ligar que eles informam certinho. Parece que agora eles se encarregam pela entrega dos presentes (ano passado ou retrasado disseram pra minha irmã que não, mas ela argumentou que seria o mínimo que eles poderiam fazer, e no final das contas não cobraram o frete - vocês não devem ter esse problema este ano).
Em casa ninguém liga pra datas comemorativas, então sempre combinamos que em vez de gastar com presentes pra nós mesmos, cada um escolhe uma carta pra atender.
(claro, quem for olhar as cartas vai se deparar com pedidos espertinhos, como notebook ou consoles de videogame, mas também tem gente que pede caderno e lápis pra poder ir à escola, cesta básica, essas coisas - obviamente escolhemos os pedidos razoáveis)
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Annix
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6:53 PM
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Tinha esquecido como queijo manchego é bom. Damn.
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5:54 PM
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October 31, 2007
Eu acho que teria gostado mais de "The Invasion" se a personagem principal não ficasse choramingando o tempo todo em vez de agir.
"A cidade está sendo bloqueada"
"Não! Mas eu TENHO que buscar meu filho, buá-á-á"
Eu o-de-io gente que choraminga. Homem, mulher, criança, tanto faz.
Fora isso, não é um mau filme. Mas não é o que se propõe a ser. Dizem que é versão do "The Invasion of the Body Snatchers", mas falta terror e tem excesso de "mensagem". Que a humanidade está doente, e seria melhor se fôssemos todos tomados por um esporo alienígena que modifica o DNA humano, Iraque, bla bla bla. Pff.
E não tem as plantas gigantes. Neste, ninguém é substituído por uma cópia. E tem um final dã.
O mais engraçado é quando alguém chega pra Nicole Kidman e recomenda : "Não demonstre emoções".
A vontade é de responder : Demonstrar emoções como, cara-pálida? Botox, remember?
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October 29, 2007

Não lembro exatamente o porquê de eu não ter visto "2046" no cinema, mas provavelmente porque foi na época em que eu estava mudando pra cá. Perdi aqui e perdi em SP. Por isso, logo comprei o DVD - que ficou até hoje mofando na prateleira, vejam só.
(ele estava em boa companhia, não se preocupem - os muitos outros que eu comprei e não vi ¬¬)
2046 é o lugar onde nada muda - onde moram os amores perdidos, aqueles que ficam na memória intocados pelo tempo. É o mundo que tantos buscam, e de onde ninguém retorna. Mas um certo Tak finalmente percebe a inutilidade de se apegar a um amor do qual só resta a imagem, um ídolo sem emoções. E volta.
Tak e 2046 são ficção, criação de um escritor solitário, Chow, que conhecemos do belíssimo "In The Mood For Love". Tentando superar o coração partido, ele vive agora sozinho num hotel decadente de Hong Kong, colecionando mulheres que não ama, transformando-as em personagens de suas histórias. Obviamente, Tak é ele mesmo, e 2046 o amor que não consegue esquecer - um mundo lindo, inalcançável e carregado de melancolia.
E como o Wong Kar-Wai sabe explorar a beleza da tristeza! Além de juntar todas as deusas do cinema chinês num filme só (Gong Li, Maggie Cheung, Zhang Ziyi, Faye Wong e Carina Lau) com o charmosérrimo Tony Leung (o homem mais sortudo do mundo?), conta ainda com aquela fotografia maravilhosa de cores saturadas do Christopher Doyle e uma trilha dramática de óperas e boleros : cores fortes e letras doídas que gritam o que os desiludidos sofrem em silêncio.
Siboney (E. Lecuona)
Siboney yo te quiero yo me muero por tu amor
Siboney al arrullo de la palma pienso en ti
Ven a mi que te quiero y de todo tesoro eres tu para mi
Siboney al arrullo de la palma pienso en ti
Siboney de mi sueño si no oyes la queja de mi voz
Siboney si no vienes me moriré de amor
Siboney de mis sueños te espero con ansias en mi caney
Siboney si no vienes me moriré de amor
Oye el eco de mi canto de cristal
Siboney de mis sueños te espero con ansias en mi caney
Siboney si no vienes me moriré de amor
Oye el eco de mi canto de cristal
No te pierdas por entre el rudo Manigual
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October 28, 2007
E mais uma coisa : tem gente que tem a sorte imensa de ter uma vocação, e de identificá-la cedo. Eu não fui uma dessas pessoas. But it's ok as well, essa é a pegadinha.
E por coincidência, numa lista que assino veio hoje este link. Que só vem a comprovar que ninguém é um só.
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Annix
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October 27, 2007
Este post aí de baixo foi escrito na verdade pensando na Cris A., que está justamente chegando nessa encruzilhada, a passos longos. Imagino que as mesmas dúvidas a estejam assombrando, por mais que ela já saiba o que quer fazer da vida. Porque ESCOLHER parece tão final, tão definitivo - sendo que não é.
Mas os tempos hoje são outros. A gente tem mais informação, mais possibilidades. E por isso mesmo acredito que qualquer que seja sua escolha, vai dar certo no final. E ela é muito, mas muito mais informada e culta do que eu jamais poderia ser na idade dela. E pelo visto, mais decidida. Certamente vai dar menos voltas na vida do que eu.
Eu tenho VINTE anos a mais ( ! ), e não tomei jeito ainda. Fiz o que contei aí embaixo e muito mais, que se eu ficasse falando aqui gastaria dias. E tenho de admitir que sou feliz mesmo.
Que sim, que você tenha a mesma sorte, menina. Vai ter, eu sei.
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11:42 PM
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Eu acho que a pior angústia da minha vida foi quando tive de decidir que faculdade seguir. Na verdade, a decisão já meio que tinha de ser tomada no final do primeiro colegial, que era chamado de básico. De lá, ia-se para Humanas, Exatas ou Biológicas.
Acabei indo para Biológicas porque havia aquela vaga expectativa de eu vir a estudar Medicina, além do curso ser considerado mais "forte" no geral.
Só que o destino quis que eu tivesse um professor de português jovem e cheio de idéias novas, o que num colégio tradicional (uia, o Dante vai fazer cem anos em breve!) com professores anciões devia ser até subversivo. E subversão foi, no meu caso : ele me lembrou de que eu gostava de escrever (o que eu fazia desde criança), e plantou a primeira dúvida na minha cabeça.
Penso agora que a dúvida não era só minha. Se por um lado meus pais não esperavam menos que uma filha médica (valores, valores, you know), por outro lado minha mãe se formou em literatura e teria sido jornalista ou escritora se não tivesse casado com meu pai e mudado de país. E mesmo meu pai era formado em Educação, tendo trabalhado em outros países e até como pesquisador para a UNESCO no Canadá. Eles achavam lindo eu falar inglês perfeitamente e saber escrever, mas não achavam que isso poderia servir de sustento a alguém.
Meu professor de português adorou eu pensar em prestar pra Letras ou Jornalismo, enquanto minha professora de inglês achou um absurdo - "você não pode se desperdiçar assim!". Ups.
Acabei atirando pra todos os lados, no final. Prestei pra Odontologia na USP e na Unicamp, e Jornalismo na PUC e na Cásper Líbero. Entrei em todas, menos na Unicamp (porque eu não queria ir pra Campinas e rasurei toda a prova). Me matriculei em todas, também. É, a indecisão chegou a esse ponto.
No final das contas, fiz 3 anos de Odonto, uma semana de Jornalismo na Cásper e larguei ambas. Fui dar aulas de inglês na Berlitz e ganhei muuuuita grana. Meu pai ficou puto comigo e de mal por um tempo. E fui pra Cuba com uma banda de amigos meus que foram participar de um festival e fiz uma série de vídeos. Fui convidada a mostrar os vídeos num programa de TV (do Serginho Groisman, na Cultura) como background da entrevista dos meus amigos. Os vídeos eram um lixo, na verdade, mas tive a oportunidade de ver como funcionava um programa de TV, um estúdio.
Resolvi então fazer Rádio e TV na ECA/USP. Ah, pelo menos algo com que me identificava. Mas não sem ter considerado antes Música/Canto, o que continuei estudando informalmente, trabalhando paralelamente. Entrei a fundo, fiz estágio e passei 3 anos da minha vida na Fundação Padre Anchieta - conhecendo gente incrível e fazendo coisas legais. Mas uma hora o métier de TV se mostrou tudo aquilo que eu odeio - networking, lobbying e panelinhas. Desencanei, mas me formei. E acabei tirando o DRT só de locução, que é o que acabei seguindo depois. E até hoje trabalho com isso. Roteiro? Direção? Produção? Pff, no way.
Fui estudar francês em Paris, morando num apartamento lindo alugado no 7ème e explorando a cidade todo dia. Reencontrei uma paixão louca que conhecera em São Paulo, um francês que trabalhava com o grupo catalão de teatro La Fura dels Baus, e fui encontrá-lo em Barcelona. Acompanhei o grupo numa pequena turnê européia, indo parar na Holanda num festival de teatro internacional.
Depois de muitas lágrimas, voltei ao Brasil. Claro que não estava satisfeita com nada do que tinha ali, e voltei a dar aula de inglês. Conheci ali dois dos meus melhores amigos nesta vida, mas logo saí por aí de novo. Fui fazer um curso de língua e cultura coreanas com minha irmã em Seul. Foram 4 meses em que coreano foi o que menos aprendemos. Viajamos pelo Sudeste Asiático - Hong Kong, Tailândia, Malásia - e também pela Austrália.
Voltei pro Brasil e embarquei numa relação destrutiva, meio por burrice, meio por ser boazinha demais. E, de novo ao sabor dos ventos, acabei indo trabalhar numa companhia aérea, em SP. Foi ótimo durante os cinco anos que durou - tanto que só deixei o trabalho quando conheci o Akira, pra vir pra Holanda, casar e fazer este mestrado em Cinema que já terminou.
Ou seja : quando a gente tem 16, 17 anos, não tem a menor idéia de como a vida vai se desenrolar - daí ser a maior injustiça do mundo obrigar alguém a escolher nessa época. E ao mesmo tempo, é um pecado se limitar a uma coisa só quando se tem muitos interesses. Se eu tivesse o conhecimento que tenho hoje naquela época, não teria escolhido nem Odonto, nem Jornalismo, nem Letras. E também não teria escolhido Rádio e TV, e nem Cinema. Na verdade, não faria diferença o que eu tivesse escolhido - podendo viver minha vida toda de novo do jeito que foi, o faria (tirando alguns momentos, claro). Independente do que marquei como opção no vestibular, no final das contas a gente só faz o de que gosta mesmo.
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October 26, 2007
Eu sempre gostei do Sleeper, a banda. Quando soube que a vocalista começou a escrever livros, já fui atrás do primeiro, em 2002 : "Goodnight Steve McQueen". Lembro que achei muito bom, surpreendentemente bom.
Mês passado, lembrei de novo da Louise Wener e descobri que ela publicou mais dois romances desde então. Comprei o último a ser lançado, "The Half Life of Stars".
Comecei a ler e já pensei "ela escreve mesmo muito bem", o início já me cativou. No meio do livro, quando os personagens começam a resvalar no clichê, desanimo um pouco. Mas chego ao fim e meus olhos até se comovem um pouco, querendo soltar umas lagriminhas. Mas de repente são meus hormônios, vai saber.
Daniel Ronson, um jovem advogado bem-sucedido, desaparece do nada um dia. Sua família - mãe, irmãs, mulher e bebê - não sabem como lidar com a situação. Claire, a filha do meio, em quem ninguém põe a menor fé, resolve encontrá-lo, e parte numa jornada improvável da Inglaterra aos EUA, onde acaba encontrando outras respostas - para perguntas de que nem lembrava que tinha.
Na verdade, é uma história sobre arrependimentos. Regret. Sobre como lidamos com eles - se os alimentamos a vida inteira, a ponto de não sobrar espaço para mais nada, ou se os encaramos como coisas da vida, que acontecem. E sim, como parte de nós tende a escolher a primeira opção, dando poder a velhos fantasmas que, de outra forma, nunca teriam forças de se levantar. Como às vezes acreditamos nos papéis que nos impõem, sob pena de sentimento de fracasso perpétuo, quando na verdade a infelicidade é não ser o que se é. A velha pergunta "e se...?" nunca esmagou mais a auto-estima de alguém como na família Ronson.
Apesar de escrito por uma mulher, não é chick-lit. É mais algo na linha Nick Hornby, sem as referências musicais e futebolísticas, sobre pessoas desajeitadas, solitárias mas com boas intenções e uma certa esperança de que tudo vai dar certo no final.
Don't we all?
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October 25, 2007
Por falar em frio, tava aqui pensando no assunto de carbon footprint. Ou seja, a quantidade de gás carbônico que acabamos emitindo na atmosfera durante os processos do dia-a-dia, direta ou indiretamente.
Por um lado, acho que a footprint aqui de casa acaba não sendo muito pesada : não temos carro, e o modo de deslocamento é de bonde (elétrico), bicicleta ou a pé. Estou tentando não usar demais o aquecimento, e água quente só no banho. No verão, desligo a água enquanto lavo o cabelo, e só ligo de novo para enxaguar. Tentamos não comprar frutas e verduras importadas e fora de estação, que implicam em transporte aéreo. Separamos todos os papéis e vidros para reciclagem, assim como o óleo de cozinha usado e aparelhos eletrônicos descartados, e lavo a louça com a torneira fechada. Também não temos máquina de lavar roupa, e só mandamos para a lavanderia somente quando a sacola está cheia, uma vez a cada duas semanas. Ou mais.
Por outro lado, eu peco bastante nas viagens, eu sei. Só este ano, já fiz duas ou três viagens de avião de longa distância, algumas de curta distância e várias outras de trem, que eu imagino que já tenham emitido mais CO2 do que tentei poupar em casa.
Também continuamos consumindo carne vermelha constantemente, e como os dois trabalham em casa, as electrical appliances funcionam non-stop : luz, computadores, carregadores de celular, etc. Bad humans.
Ainda assim, acredito que o esforço consciente de tentar reduzir a emissão de dióxido de carbono já faça alguma diferença a longo prazo, e pretendo continuar. E, postando aqui, lembrar a vocês disso. Nunca fui do tipo ecochata, nunca me filiei ao Greenpeace ou à PETA, mas eu SEI que não tenho de esperar determinação de governo nenhum para começar a me preocupar com isso. Aliás, achar que o governo de qualquer lugar tenha a responsabilidade de começar ou regular algo é de uma imaturidade sem igual. Não tenho que esperar o "governo" estabelecer que as sacolas de plástico dos supermercados são maléficas ao ambiente - posso começar a levar minha própria mochila às compras por conta própria (o que fazemos sempre aqui). Não tenho que esperar que o "governo" imponha uma multa a estabelecimentos que abusem de água, eletricidade ou plásticos. Eu mesma posso boicotá-los. Eu tenho a autonomia de decidir usar produtos e serviços que afetem menos a camada de ozônio. E assim por diante. Nada do que faço é um grande sacrifício, e tenho certeza de que faz alguma diferença no final.
Tem gente que pensa : "ah, mas só o meu esforço não vai fazer diferença nenhuma". Faz sim, principalmente se você procurar conscientizar os outros (sem pregação, pelamordedeus!!). UMA pessoa que mude os hábitos leva a outras do mesmo círculo, e assim vamos. E se você pensar na quantidade de lixo que você produz, sozinho, num ano, é assustador. Multiplicado pela população do seu bairro, da sua cidade, do seu país? Ufa.
Desde que vim morar aqui na Holanda, que tem as quatro estações definidas, pude perceber o quanto o aquecimento global é realidade, e como ele tem modificado pouco a pouco a situação "normal" do clima. As estações estão atrasadas um mês há pelo menos 3 anos, não tem feito tanto frio nem calor como devia, nem nas épocas certas.
Eu acho que mudanças têm de ser assimiladas pouco a pouco. Tudo é questão de hábito. Quando vou a SP, aquele mar de sacolinhas de supermercado já me fazem sentir péssima, e já estou considerando levar minha mochila de compras daqui pra lá da próxima vez. Tudo bem, eu sei que vou continuar a dirigir meu carro lá, porque em São Paulo tudo é muito longe, e perigoso às vezes - mas vou tentar reduzir ao máximo o uso do carro, e organizar caronas, pra que menos automóveis saiam às ruas.
(tá, agora podem chamar : hippie! Foda-se)
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Tá frio e tô com vontade ZERO de sair de casa. Alguém avisa?
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October 24, 2007
You know what I hate? Entre outras coisas, gente que se leva muito a sério. O humor e a sátira sempre foram meios muito, muito mais eficazes de crítica social do que discursos empolados e moralistas.
"Shoot'Em Up" é tão, tão divertido e tira tanto, tanto sarro da cultura de armas, violência gratuita e filmes de ação que é imperdível. Do tipo de filme que a platéia aplaude no final.
Tem o Clive Owen esbanjando testosterona, tem a Monica Bellucci lindíssima, tem o ótimo Paul Giamatti fazendo cara de mau. Tem cenas absurdas, muitas referências e muito tiro. Tem um herói de passado misterioso, que adora crianças e animais e uma habilidade com armas sobrenatural. Tão certinho que aperta o cinto de segurança ao roubar um carro e sair fugindo dos bandidos. Tem aquele gostinho de vingança contra os babacas que dirigem cortando os carros no trânsito, que jogam lixo na rua, que bebem café fazendo barulho e estacionam na vaga reservada para deficientes. Tem ônibus que vai para "Wherever" e tem a melhor homenagem ao Chuck Jones e seu Pernalonga que poderia ser feita, com espingardas em armadilhas e vilões que não morrem nunca. Com direito à "Cavalgada das Valqúirias" de Wagner, imortalizada por Hortelino Trocaletra em português como "Mata, mata o toelho, mata o toelho, mata o toelho!". How fitting.
Assistam quando estrear aí, lembrando do vídeo acima. Nunca mais vocês verão cenouras da mesma forma. Eu garanto.
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9:24 PM
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October 23, 2007
E por falar em Orkut, por incrível que pareça é o site de relacionamentos de que eu mais gosto e uso. Sempre que me mandam um convite pra algum outro, eu entro e dou uma olhada, pelo menos. Em 90% dos casos, deleto e tchau. Pra que ter perfil em trocentos sites iguais, com as mesmas pessoas? O Myspace tem a grande vantagem do contato com as bandas, e o Facebook tem aqueles trocinhos todos viciantes e bonitinhos, então mantenho, mas confesso que às vezes até esqueço de entrar...
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Um motivo REAL pelo qual o Orkut alegra minha vida : scraps espontâneos dos amigos mais queridos, só pra dizer que que estão com saudades. Vários. Ao mesmo tempo e sem motivo especial. That's love.
(todo mundo junto : awwwwwww!)
(ou então : emoooooo!)
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"Ventany! Terrany! Oceani! Kaciuleny!"
*chorando de rir*
O melhor post do dia, no Shoe-Me.
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Ah, sim. Custa a bagatela de 200.000 euros. Se quiser vaga na garagem, são mais 18.000. Será que a vaga vai ser triangular também?
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October 22, 2007

Maravilhas da arquitetura holandesa. Isso aqui é a planta de um apartamento. Não é digno de um Simbecil?
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October 21, 2007
* Aqui não tem restaurante árabe. Claro, tem marroquino, turco, persa e libanês, mas o que eu queria mesmo era um dos que a gente conhece como árabe no Brasil. Que tenha quibe cru, frito e assado, hummus com pão sírio torrado, salada fatouche, esfiha, essas coisas. Mas como não tem, tive que aprender a fazer tudo isso aí. Os primeiros não são problema, mas as esfihas são the tricky part. A massa sempre sai meio de pizza, quando teria de ser um pouco mais elástica e macia. Será que usar receita de focaccia é muita heresia? Também não queria que saísse com jeito de esfiha de lanchonete, que são mais uns pãezinhos recheados do que qualquer outra coisa. Hm.
* Como a gente adora cozinhar, entrei numas de querer usar o mínimo possível de produtos processados industrialmente. Holandês definitivamente não é um povo que cozinha, não tem paladar e adora misturas prontas pra tudo (molho, pizza, purê, omelete, paella, whatever) e todo dia no supermercado eu vejo gente comprando pratos semi- prontos, e eu olho a cara daquilo e acho tão incrivelmente disgusting. Quão difícil é fazer espaguete à bolonhesa, peixe ou arroz? Eu entendo a praticidade - não suja panelas, não tem que picar cebola, etc. Só colocar a caixinha no microondas e pronto - pra quem trabalha e/ou mora sozinho deve ser uma mão na roda. Mas eu fico enjoada vendo aquelas maçarocas. Não sei nem se é bom, porque nunca tive coragem de experimentar.
Enquanto isso, eu vou tentando fazer o que dá from scratch - além da comida de todo dia, que é sempre feita com ingredientes frescos, pão e massa de pizza já faço periodicamente, e pasta está nos planos. Já descobri também que é possível fazer ricota e manteiga em casa, e dizem que quem prova o produto caseiro não quer mais saber do comercial (hippie é a vó). Claro que isso demanda tempo e uma certa habilidade, mas eu curto tentar fazer tudo uma vez pelo menos, só pra ver o resultado. Fora que ter controle de vez em quando sobre a higiene e preparação daquilo que você come é um alívio.
(mas não se enganem, eu adoro um Whopper duplo com queijo, coisas enlatadas, embutidos em geral e batata frita. Sou hipócrita and I love it)
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Ainda sobre "Stardust" : o livro e o filme são duas coisas distintas, ainda que relacionadas. Se o filme corta algumas passagens do livro que teriam sido bem interessantes visualmente, também desenvolve com mais humor os personagens que entraram no roteiro. E ainda tem o lance dos dois finais serem diferentes - o do filme é, obviamente, mais adequado a um conto de fadas Grimm. O tom geral do livro é mais melancólico e sarcástico, e não tem grandes explosões e raios de luz. Mas gostei de ambos.
(o Gaiman explica numa entrevista que um dos personagens do livro, uma árvore, é a Tori Amos. Hein?)
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October 19, 2007
Nunca coloquei o Joy Division entre minhas bandas favoritas, curiosamente. Triste demais, sombrio demais. Entretanto, há que se reconhecer o poder daquelas linhas de baixo poderosas do Peter Hook e das letras e performance angustiadas de Ian Curtis. Durante a sessão de "Control", esses dois fatores insistiam em me arrepiar os pêlos. O tempo todo. E, percebi, conheço todas. Assim como você.
Num filme onde já se sabe o final, o importante é tentar entender a trajetória humana do mito Curtis, e de onde surgiram músicas fundamentais como "Love Will Tear Us Apart" e "She's Lost Control". O filme do Corbijn é em preto-e-branco - não poderia ser de outra forma. A vida na Manchester do final dos anos 70 dificilmente teria cor.
Fora isso, há todo o contexto. Factory Records, e o inesquecível Tony Wilson, que morreu há pouco tempo. Sex Pistols, Iggy Pop, David Bowie, Buzzcocks, Cabaret Voltaire, A Certain Ratio. O pós-punk nasceu ali, e com ele dezenas de bandas que até hoje influenciam a música contemporânea.
"Control" é um belíssimo filme, sobre uma belíssima pessoa num belíssimo momento. Apesar de ser baseado no livro de Deborah Curtis, viúva de Ian, em nenhum momento toma partido na questão da crise do casamento e do caso com a belga Annik. Fãs e não-fãs, assistam.
(e fechar com "Atmosphere" é quase golpe baixo, eu digo. Já vi que vou passar dias ouvindo Joy Division)
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8:31 PM
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October 18, 2007
Ontem fomos ver o show do Marcus Miller no Paradiso. O cara é de um talento e musicalidade inegáveis, tendo tocado com o Miles Davis na década de 80, e eu curto baixistas que fazem slapping (heh). A primeira metade foi ótima. Mas quando ele chamou uma cantora convidada e começou a rolar aquele pop-jazz misturado com r&b odiável, desencanamos e fomos ver a outra banda que estava tocando na sala menor. Bem rock and roll, mas achei igualmente chato. O vocalista era meio gordinho e ficava pulando pra lá e pra cá, o que só me fez lembrar do Jack Black no School of Rock.
Ainda bem que existe cerveja, nessas horas.
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Projeto fotográfico : Running From Camera.
via HectorLima (muitos outros links interessantes, vão lá!)
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October 17, 2007
Sonhei que estava em São Paulo, num supermercado. E quando percebi, no sonho, onde estava, pensei : "Tô em São Paulo? Tenho que aproveitar e comprar pão francês!"
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4:52 PM
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October 16, 2007
Uou. "The Bedroom Secrets of the Master Chefs" pode não ser o melhor livro do Irvine Welsh, mas eu gostei paca. Como resistir a uma versão escocesa punk-rock de Dorian Gray?
Numa saga que começa num show do Clash em Edinburgh, Danny Skinner tenta equilibrar trabalho, vida amorosa e alcoolismo enquanto vai atrás da resposta de um milhão de libras : quem é seu pai? Sua mãe, uma punk envelhecida que trabalha como cabeleireira, não quer lhe contar.
No meio do caminho, tromba com Brian Kibby, seu oposto e nêmesis. Magro, tímido, nerd e virgem. E arrimo de família.
Esses dois arquétipos se engalfinham em torturas psicológicas e, mais tarde, físicas também - quando, por algum motivo, Skinner descobre que pode desviar para Kibby todas as consequências de seus auto-abusos. Kibby começa então a sentir dores inexplicáveis e vê seu corpo e mente desintegrarem-se à medida que Skinner mergulha no álcool, drogas e brigas e emerge cada vez mais lúcido, íntegro e em controle de sua vida.
Claro, tudo fica meio óbvio a partir de um certo momento, mas curti as zilhões de referências - literárias, musicais, culturais e gastronômicas, misturado ao fato de nenhum dos dois personagens ser especialmente gostável ou totalmente odiável. Sem falar na parte em que se diz que Coldplay e U2 são música de elevador. Como eu posso não gostar de um livro que concorda comigo?
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1:02 PM
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Labels: livros
October 15, 2007
Eu até queria comentar sobre "Stardust", o filme baseado no livro, mas o que poderia ser melhor que um texto do próprio Gaiman, neste artigo no Guardian?
Robert DeNiro e os contos de fadas nunca mais serão os mesmos.
(e a Sienna Miller poderia sumir de vez, por mim)
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9:31 PM
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Você gosta de post-rock? De pós-punk? De progressivo? De experimental? De noise? De John Cage? De Zappa? De música dodecafônica/serial/atonal? De free jazz? De Kraftwerk? De Can? De sonoridades estranhas e ritmos não-convencionais?
Se respondeu "sim" a qualquer uma dessas perguntas, vai certamente gostar de Battles. Se é que já não gosta. O rótulo oficial é math rock, mas não se assuste com o nome seco. É criativo, energético e muito, muito envolvente.
Fomos ontem ao show deles no Melkweg. Lotado, e muitas e muitas cabecinhas pulando ao ritmo das batidas, como fazia tempo que não via. Especialmente em se tratando de música instrumental. As influências estão todas ali, reconhecíveis, mas o produto final consegue ser algo próprio, não um mero pastiche.
Tocarão no Brasil em breve. Dos meus amigos, tenho quase certeza de que a Dani e o João devem curtir, e desde já jogo a idéia pra Cris A. e pra Ana, que têm um bom gosto notório.
Pra variar, os meus videozinhos toscos (o som não faz jus ao show, por favor procurem coisas mais decentes no YouTube):
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12:55 AM
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October 12, 2007
Fui assistir a "Duska", do Jos Stelling. Que provavelmente é o único diretor holandês conhecido no Brasil (fora o Paul Verhoeven), por "De Illusionist" e "No Trains No Planes".
Bob é um crítico de cinema, cinquentão e solitário. Vive em Amsterdam, em frente a um cineclube - que frequenta quase que diariamente. Tem uma paixonite pela menina da bilheteria, mas é tão tímido que nunca consegue dizer nada. Até que um dia, por força do acaso, se vê com ela em seu apartamento. E nesse momento, surge Duska - um russo simpático, amoroso e, acima de tudo, sem noção. Que se instala na sala de Bob, que a princípio aceita a situação. Mais por não saber o que fazer do que por qualquer outra coisa, mas críticos de cinema também têm coração. Acho.
Com essa história simples, com um pé no improvável e outro no cinema mudo, e esse elenco enxuto e competente, poderia ser um filme extraordinário. Mas saí do cinema achando que faltou algo. Os dois protagonistas são quase clowns, quase clichês. O filme não chega a ser nem história de amor nem comédia. Não é ousado, mas também não é tradicional. Não chega às raias do absurdo e também fica longe do real. Na verdade, não chega a lugar algum no geral. De repente esse é o problema, o não-chegar-lá.
Achei interessante o ênfase na incomunicabilidade - Bob quase não fala, e por vezes não escuta. A garota fala um pouco, mas não revela absolutamente nada de si por meio das palavras. E Duska fala por monossílabos, pelo obstáculo do idioma. Esses três se comunicam no nível mais básico, mas nenhum deles entende o outro realmente. Mas mesmo isso é pouco para sustentar um filme - meia mensagem é pior que nenhuma.
Pra mim, valeu como uma homenagem ao Filmmuseum Cinerama, que foi a locação para o cineclube da história, e que foi demolido recentemente. Inclusive a demolição foi retratada no filme, o que me lembrou o final de "Durval Discos", de certa forma, querendo dizer a mesma coisa. Que o tempo passa.
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October 11, 2007
Bom, a brincadeira de "abrir o livro mais próximo na página 161 e transcrever a quinta frase completa" deu sua 7564ª volta ao mundo e fui tagged pela Julia.
É curioso como certos termos acabam sendo usados ou entendidos de forma errônea. Eu ia dizer que esse jogo não poderia ser chamado de meme. Meme é um termo cunhado pelo autor do livro "The Selfish Gene", Richard Dawkins. Pela definição, teria de ser um elemento cultural que vai sendo transmitido se for considerado relevante (o que é relativo), como se fosse uma informação genética. Algo que aprendemos com outros, interpretamos e realizamos do nosso jeito, e eventualmente passamos adiante. Uma lenda urbana é um meme. O jingle dos Cobertores Parahyba é um meme. O marketing viral é um meme. Nosso comportamento social é memético, assim como nosso aprendizado da linguagem. Contudo, pensando nisso, acho que o próprio conceito de "meme" se tornou um meme em si - foi entendido ou empregado erroneamente por alguém em algum momento, e está sendo difundido nessa nova forma. Interessante.
Dito isso, vamos lá. Aqui o livro é "Japonês em Quadrinhos", do Marc Bernabé, e a frase é "Em português fazemos uma diferenciação apenas entre 'irmão' e 'irmã'".
Essa informação foi útil pra alguém? É, imaginei.
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October 10, 2007
Putz, me vi às voltas com uma pergunta que me fizeram aqui : "que tipo de música faz sucesso em São Paulo hoje?". A pessoa queria saber também se existia algum movimento na linha MangueBeat rolando atualmente no Brasil, ou algo do gênero, visto o sucesso do CSS.
Cacete, que resposta difícil. Hoje em dia, com a disponibilidade de gêneros e possibilidades no Myspace e outros sites, com a velocidade em que surgem bandas novas e a facilidade com que tudo cai na rede, eu acho que acabou essa história de "movimento" - não é mais necessário o agrupamento pra se conseguir visibilidade, e nem as pessoas têm esse espírito de criação coletiva unidirecional. Cada um faz o seu som. Certo, e também não se cria nada de novo. Como eu sempre digo, o Manguebeat foi o último movimento criativo na música brasileira. Tudo que veio depois é reciclagem.
E agora eu vejo se repetir o fenômeno dos anos 80, quando TODO mundo se metia a ter uma banda - obviamente, a maioria era muito ruim, mas as boas eram ótimas. A diferença é que o esquema da época era completamente manco, em termos de produção, distribuição e divulgação. Hoje com a internet e os equipamentos certos, isso é fichinha - pode-se fazer tudo de casa, com um alcance que os anos 80 nem poderiam imaginar. Daí que somos inundados de novas bandas, todos os dias, de todos os gêneros, de todas as procedências, por todos os lados. Haja filtro pra ter alguma favorita.
(O CSS, assim como o Bonde do Rolê, estourou por dois fatores : esse da facilidade de divulgação, e o de ter o conceito certo na hora certa - que não foi entendido no Brasil na época em que surgiu. Além, é claro, de ser ótimo de verdade - música, visual, integrantes e atitude na combinação pop perfeita. Expliquei pra pessoa que CSS e Bonde são um fenômeno, casos isolados)
Fui aos sites de algumas rádios de SP pra ver o que o paulistano médio ouve. São duas vertentes : a popular, com forró, pagode e funk, e a MTV Brasil/rádios rock, onde reinam Charlie Brown Jr., Fresno e CPM22. E tem o pop/r&b/hip-hop que ambas ouvem, como Rihanna, Beyoncé e Diddy - assim como o resto do mundo, mas a parte internacional não interessa aqui.
Fora do mainstream, obviamente a qualidade sobe drasticamente, mas o cenário é totalmente fragmentado : as opiniões se dividem entre bandas do Ceará, do Paraná, de Minas Gerais, do RS, do Rio e algumas de São Paulo, mas que eu saiba, não existe unanimidade, algo de que TODO mundo goste. Não conheço todas, mas claro que há grupos ótimos, com público cativo - mas eu realmente não chamaria isso de "sucesso", no sentido com que me foi perguntado, certo? Hit pra 200 pessoas é hit? Se eu fizer uma seleção das dez melhores bandas de SP, não posso dizer que sejam os dez maiores sucessos. Qualidade e comerciabilidade são conceitos que às vezes não gostam de andar juntos...
Ou seja, existe um movimento musical em SP? Não (movimento comportamental, sim). Dá pra se dizer o que é "hot" em SP? Depende de que SP você está falando.
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1:45 PM
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October 09, 2007
Spreading the insanity.
(pra tentar entender, aqui)
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12:32 PM
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October 06, 2007
Ler sobre a Aum Shinrikiyo me fez lembrar por que eu não tenho religião, e nunca tive. Também não condeno quem tenha, claro, mas o ideal seria que cada um filtrasse o que faz mais sentido para si, ao invés de abraçar completamente os dogmas e doutrinas que cada vertente apresenta. Ao mesmo tempo, entendo que a prova de fé mais exigida é justamente essa, a da aceitação cega - e algumas pessoas não têm escolha.
E eu vejo que o que atrai nas religiões e cultos é justamente essa desobrigatoriedade de pensar, de ter de estabelecer por conta própria o que é "certo" e "errado". Seguir preceitos E ganhar ainda por cima a "salvação", negocião.
Meu pai era uma pessoa especialmente cética, mas não desprovido de alguma fé (paradoxo? heh, todos somos). E quando eu e minha irmã nascemos, ele se recusou a nos restringir a qualquer religião pré-estabelecida, e nunca fomos batizadas ou qualquer coisa parecida. Que nós encontrássemos nosso próprio caminho e crenças quando pudéssemos. Ou quiséssemos.
Curiosamente, acabamos estudando a vida toda numa escola italiana, e consquentemente, católica. As horas das aulas de catecismo eram livres pra nós, juntamente com as crianças judias - eu passava todas na biblioteca, e não achava nem um pouco ruim, hahahaha.
Na época da Primeira Comunhão, eu obviamente me sentia um pouco de fora, porque afinal todos os coleguinhas estavam concentrados nisso, e as meninas usavam aqueles vestidos meio de noiva. Mas ao mesmo tempo sabia que não estaria confortável naquele meio, então nunca foi um trauma :)
Anos mais tarde, voluntariamente ou não, acabei entrando em contato superficial com vários tipos de religiões. Alguns me interessavam mais, outros menos. Li algumas histórias bíblicas, outras budistas, outras afro-cubanas e algumas espíritas, e achava tudo muito interessante. Mas a verdade é, eu acho que nunca estive em busca de respostas. Tudo que eu queria saber nesse campo, eu sabia instintivamente, ou chegava a conclusões próprias, depois de ler. Eu seria o pior alvo de uma seita, porque simplesmente eu nunca busquei respostas. Simplesmente acreditava naquilo em que acreditava, e pronto. Nunca nem sei de onde veio isso tudo.
Depois que meu pai faleceu, tive cada vez mais provas de que sim, existe algo sobre-humano e além da vida que conhecemos - e como nunca tive nenhuma base religiosa, tudo isso se acrescentou bem ao em que já acreditava. Conversei há pouco tempo com uma pessoa interessantíssima, que estuda teologia entre outras coisas. E vejo cada vez mais como é mais proveitoso analisar tudo a partir de um ponto de vista descompromissado. Acreditar em algo é uma necessidade do ser humano, mas religiões são algo criado por nós mesmos - não há nada de "divino" aí. Os mandamentos, regras, whatever, são regras de bom senso e convivialidade, nada mais. Rituais são criados para se manter a disciplina necessária ao comportamento social básico e, principalmente, para atender àqueles que necessitam de algo concreto para confirmar que sim, acreditam em algo. E também que pertencem a algum lugar.
Eu? Eu tenho medo só das interpretações que alguns fazem do que lêem e consideram sagrado. Aula de interpretação de texto neles.
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Er, a pergunta da Julia no post de baixo me fez perceber uma coisa - não faço idéia se a maior parte dos livros, filmes ou whatever que eu recomendo ou falo sobre aqui são facilmente disponíveis onde quer que quem leia isto aqui mora. Sorry about that :-\
(mas gente, eu tenho de dizer que o acesso a coisas importadas - especialmente livros, filmes e discos - melhorou PENCAS no mundo todo. Eu lembro como era no Brasil há 15, 20 anos - em São Paulo, ainda tínhamos a Livraria Cultura pelo menos - imagina nas outras cidades. Hoje é facinho)
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October 05, 2007
Ainda estou nas últimas páginas, mas "Underground", do Haruki Murakami, já é um livro que recomendo fortemente.
Quando do ataque com gás sarin ao metrô de Tóquio em 1995, perpetrado por membros da seita Aum Shinrikyo, muito se noticiou sobre a tragédia que afetou milhares de pessoas - mas como sempre, em geral a mídia se esquece de que cada vítima é um ser humano, com vida, família, história e sentimentos. O Murakami resolveu levantar esse lado do desastre e se pôs a tentar entrevistar os sobreviventes, pra mostrar a visão de quem estava lá - o que pensaram, o que sentiram, o que fizeram. Não surpreendentemente, foi difícil. A cultura japonesa preza a discrição, o abafamento do escândalo, e ele mal conseguiu uns 60 depoimentos.
A versão traduzida para o inglês só traz metade dessas histórias, mas são mais do que suficientes para revelar aspectos da sociedade que, para quem vive no mundo ocidental, parece tão enigmática às vezes. Eu mesma me surpreendi ao saber que lá tanta gente que se programa para chegar pelo menos uma hora antes do início do horário de trabalho. É o mínimo esperado. Também fiquei chocada com o pensamento fixo de algumas vítimas que, intoxicadas com o gás, mal conseguiam andar ou falar : "tenho que chegar no trabalho a tempo". Fiquei com pena de quem vive sob tanta pressão.
Também é comovente o quanto as vítimas se sentiram desamparadas, tanto pelos serviços públicos e de saúde quanto por outros seres humanos. Mais de um relatou sua indignação por tanta gente passando visivelmente mal ser ignorada pelos transeuntes, na mais clara demonstração de "isso não é meu problema, não devo me envolver". Fora o despreparo dos hospitais, que não levaram a sério os primeiros casos que apareceram por não terem idéia do que estava acontecendo, e a falta de ambulâncias.
Mas o pior mesmo é ler a história de uma vítima fatal, contada pela viúva e pelos pais. De cortar o coração.
Como se não bastasse ter conseguido elaborar esse retrato bastante inesperado do Japão de hoje, o autor dá um passo adiante e entrevista também o lado do perpetrador. Sem julgamentos, conseguimos uma olhadinha na mentalidade de alguns membros da seita. Os pontos em comum de seus perfis salta aos olhos - pessoas inteligentes, em busca de respostas e beirando a sociopatia. E acima de tudo, que encontraram no líder do culto, Shoko Asahara, uma figura em que podiam depositar suas vidas - o peso de tomar decisões e responsabilidades não era mais deles, mas do grupo. Assustador e revelador.
Procurem ler, vale a pena.
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Fui a Rotterdam de novo, pra pegar a papelada que deixei lá semana passada. Devo dizer que o seu Gomes, do consulado, é uma pessoa boníssima.
Fui de novo ao Boijmans pra ver o que ficou faltando da outra vez. Acreditem, ainda assim fiquei pelo menos uma hora lá. Dalí e seu paranóico e tantas outras obras.
Resolvi passar pela Chinatown de Rotterdam e já entrei no primeiro supermercado oriental que vi. Comprei toneladas de coisas, é como ir à Liberdade em São Paulo.
Fazer compras na Europa hoje em dia não tem mais graça. Todas as lojas têm filiais em tudo quanto é cidade. Eu prefiro me perder nos mercadinhos étnicos.
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October 03, 2007
Tá lá. E que o Google e a popularização da internet continuem gerando muuuuitas e muitas buscas absurdas, porque o que a gente vê por aí ninguém seria capaz de inventar.
Por enquanto só coloquei as minhas estatísticas do mês, depois vou colocando as contribuições. Mandem aí as suas!
Stats Quê?
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October 02, 2007
Eu hesitei muito pra assistir ao "Hairspray" de 2007. Sendo fã do John Waters e tendo visto o trailer da versão-cinematográfica-do-musical-inspirado-pelo-filme-original, nada me tirava da cabeça de que seria uma pálida lembrança açucarada e diluída (aguada? Hehe, pun intended) do filme de 1988.
Bem, eu estava certa. Mas tenho de admitir também que a tal versão virou a damn fine piece of entertainment! E se nem o próprio Waters renegou o neto bastardo, aparecendo brevemente na primeira sequência, quem sou eu pra fazer isso? :)
O Travolta não chega aos pés de Divine, obviamente, mas ver o Christopher Walken como dono de uma loja de truques é uma das maiores sacadas de elenco - o humor do improvável. Aliás, todo o cast é uma agradável surpresa - a talentosa Nikki Blonski como Tracy, um James Marsden surpreendente cantando e dançando, Michelle Pfeiffer no papel que foi de Debbie Harry no original. O Link de 88 era um sósia do Elvis, e aqui o Zac Efron não faz feio (hello, cabelo preto e olhos azuis são uma combinação de matar, não?), muito pelo contrário. Vários atores da versão original em participaçõezinhas rápidas (Ricki Lake, Jerry Stiller, Mink Stole), vários talentos novos. E finalmente, eu gostava mais da Motormouth Maybelle da Ruth Brown, mas a Queen Latifah também mandou bem, apesar de tornar o personagem mais doce.
Pois então, a acidez tentou ser salva em algumas letras, a mensagem geral é a velha e boa ode às diferenças, e a questão racial continua como ponto principal da trama - mas em meio a tanta música e dança contagiantes, homenagens a Motown, girl groups e musicais clássicos, visuais deliciosamente campy e retro, teenyboppers, ídolos e outros elementos da cultura pop da América sixties (mas sumiram com os beatniks!), quem se importa? É um musical, não uma tese de antropologia. Groovy.
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October 01, 2007
Ontem tive bastaaaante tempo pra ficar fuçando a internet. Akira ficou trabalhando até as cinco da manhã e fiquei acordada junto. Believe you me, foi tempo de sobra pra umas tantas reflexões aleatórias em tempos de inclusão digital.
1. Tem gente que leva esse negócio de blog a sério demais. Dos malucos que criam várias identidades diferentes pra ficar comentando/trolling outros blogs mais conhecidos, aos malucos em si que expõem fotos dos filhos, família, detalhes pessoais, etc. Os trolls eu até entendo, são pessoas extremamente problemáticas que se valem do "anonimato" para soltar os cachorros (lembrando que não existe propriamente anonimato na web, tudo é passível de rastreio) e compensar frustrações pessoais criando personas e atacando geral. Agora, quem posta tudo que é info na rede, ou é muita ingenuidade ou muito desprendimento.
Um amigo meu me disse : "nossa, que coragem a sua de se expor assim no blog". Expor o quê? Quem lê isso aqui sabe no máximo que eu moro em Amsterdam, que eu gosto de cinema, livros e arte e tenho uma certa obsessão com comida e viagens. Que eu saiba, nunca coloquei nada que possa alimentar stalkers e doidos em geral. Sempre tive motivos pra isso, mas isso é história pra outro post.
2. Há gente que escreve muito bem por aí. Infelizmente, a proporção de gente que escreve mal é maior.
3. A internet aumentou 100 vezes as tentações para o meu lado consumista. Sites como o Retro to Go e a versão online da Topshop me fazem ter ataques. Sorte que eu decidi não gastar nada com roupas este ano.
4. Eu devo ter algum problema. Eu babo com fotos de gatos e filhotes em geral, mas ignoro bebês humanos. A menos que sejam a Suri Cruise (ou Holmes?).
5. Eu vou fazer um blog só com as buscas absurdas que fazem por aqui, mas preciso de um nome. Alguém tem alguma sugestão? Não quero usar a minha tag "Oh Mighty Google" porque tem o nome Google. E quem tiver contribuições, favor mandar pro meu email : annix1971 lá no gêmail mesmo. O mundo precisa de coisas como "porque eu pulo quando eu estou assistindo filme de terror". Todo dia.
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September 30, 2007
E falando ainda de arte, ganhei um super presente da Beth : um livro de postcards do Yoshitomo Nara. Como não é muito provável que eu vá até Den Haag antes que a exposição termine, achei hiper sweet da parte dela me proporcionar uma olhadinha em parte da obra deste japonês muito pop que conheci através do Shonen Knife, uma das minhas bandas favoritas desde sempre.
Passei a tarde de sexta no centro com o Akira. Ficamos umas boas horas no café do Melkweg, certamente um dos melhores lugares perto da Leidseplein pra se tomar uma cerveja : sossegado (de dia, obviamente - de noite é cheio como qualquer outro, principalmente por causa da programação da casa) e com garantia de uma trilha sonora aceitável sempre.
(acreditem, a música de fundo em alguns bares daqui pode ser MUITO ruim. Geralmente, pop holandês. E que recusa a se confinar ao "fundo". Desses a gente passa longe)
(aliás, eu já disse que odeio lugar com música ao vivo? Se eu quiser ver alguém tocando, eu vou a um show, e fico quieta. Num bar geralmente a idéia é conversar, o que se torna inviável quando tem um infeliz tocando violão e cantando Legião no seu ouvido)
Uma semana dormindo seis horas por noite cobraram seu preço hoje. Acabei dormindo à tarde, coisa que eu NUNCA faço. E não foi um cochilinho - quatro horas straight. Definitivamente, meu corpo sabe a diferença entre seis e oito horas.
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5:31 PM
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September 27, 2007

Fui a Rotterdam hoje resolver umas papeladas e aproveitei pra conhecer o museu Boijmans van Beuningen. Com uma exposição incrível chamada "Collection One", que reúne de pinturas medievais a Nam June Paik distribuídas num espaço grande e iluminado, eu tenho de dizer que superou minhas expectativas. A inspiração parece ser o MoMA de NY, incluindo uma seção de design industrial modesta ainda.
Há grafites e Cindy Sherman, Van Goghs e Cézannes, UM Rothko e UM Munch, Roy Liechtenstein, uma ala maravilhosa de arte flamenga do século de ouro, vários contemporâneos e surrealistas. Mas não pára por aí. Arte sacra do alta Idade Média (que eu não gosto, mas vá lá), esculturas que alternam a vitalidade de Rodin às formas suaves e fartas da Venus Victrix de Pierre-Auguste Renoir. É um grande panorama da arte mundial entre os séculos XVI e XX num só prédio. Gostei MUITO.
Mas o que fez valer a visita mesmo foram quatro coisas :
1. A incrível série de gravuras do Philippe Galle sobre as Sete Virtudes, baseada na do Pieter Bruegel - três virtudes religiosas (Fé, Esperança e Caridade) e quatro cardeais (Força, Prudência, Moderação e Justiça) retratadas antropomorficamente, rodeadas de cenas que as desafiam. A imagem da Justiça, vendada e segurando uma balança, que ainda é a que usamos hoje. A Esperança fica em meio a barcos presos em tempestade e pessoas doentes. A Prudência carrega um caixão e um espelho, porque os precavidos têm sempre em consideração a possibilidade da morte e mantêm-se a si próprios em constante vigilância. E por aí vai. Como um contraponto aos Caprichos de Goya, mas com o mesmo ar de fantasia, absurdo e terror. Achei genial.
2. Desta vez do próprio Pieter Bruegel (o Velho) : a Torre de Babel. Eu sempre vi esse quadro em ilustrações, mas de perto achei genial. Esse exposto no Boijmans é pequeno, mas ao me aproximar da tela vi os minúsculos humanos em volta, como formigas - e daí toda a proporção se revela e você imagina a lendária Torre como uma construção gigantesca e cheia de simbologias.
3. A incrível instalação da dupla Steiner&Lenzlinger, os "Quartos de Dormir Vegetativos". Quatro salinhas com ambientes onde se pode entrar e fechar a porta, para se apreciar melhor as decorações : uma árvore feita de ossos (foto acima), uma mini-floresta coberta de cristais cor-de-rosa, um globo cheio de "sementes" e uma "rede" de flores e animais. O visual é magnífico e o conceito, intrigante. Quase comprei um livro deles, talvez da próxima vez.
4. Hieronymus Bosch. Sempre achei fascinantes os quadros povoados de figuras demoníacas e deformadas, representativas da natureza humana numa visão bem...realista? hahaha. Ouvi falar do Bosch pela primeira vez quando eu era criança, num livro, e esse nome e personalidade nunca me saíram da cabeça desde então. Quando encontro algum museu que tenha obras suas no acervo, já considero favorito.
E eu, que achava que ia poder ainda passear pela cidade depois de ir ao museu, tive que sair correndo pra ver o resto da coleção e depois, direto pra estação. Voltarei.
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9:56 PM
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September 26, 2007
Ha, todo mundo já descobriu as tags/marcadores/sei lá como vcs chamam isso. Tô tentando fazer isso aos poucos, porque são seis anos de arquivos, caray. Haja saco de definir post por post.
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11:12 PM
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Como eu digo, gatos são mais inteligentes que algumas pessoas.
Via Stuff On My Cat.
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9:53 AM
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September 25, 2007
Tá, eu vou falar de comida DE NOVO.
Mas eu fiz pão de linguiça, hohoho. Nunca mais vou comprar o pão horrível do Albert Heijn!
*dancinha da vitória*
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9:03 PM
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Labels: comida
Aliás II, o Matt Damon tá começando a ficar com cara de homem. Progresso.
A Julia Stiles parece muito com a Franka Potente, aliás.
E por falar na Potente, o Bourne corre tanto quanto a Lola.
E last, but not least, tive palpitações quando vi o Daniel Brühl saindo do metrô no filme. Acho que só a Gal vai me entender.
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1:59 PM
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Aliás, tenho que dizer que Jason Bourne faz meu lado metódico-obsessivo-compulsivo pulular de felicidade. Ele é a personificação da eficiência - nos movimentos, no raciocínio, nas reações. Absolutamente nada de supérfluo e sempre antecipando os próximos movimentos. E em caso de um ocasional erro, ele sabe corrigir/compensar as consequências imediatamente - o que eu acho uma das capacidades mais lúcidas e importantes nesta vida.
(ou seja : errou? Tudo bem, acontece. Mas conserta e segue em frente, porque ficar chorando/remoendo não te tira da encrenca)
E eficiência é tudo. Eu sempre tento pensar no modo mais eficiente de se fazer as coisas - não só no trabalho, mas nas pequenas atividades do dia-a-dia também. Exemplos :
1. Fazer lista de compras. E ir acrescentando itens à medida que acabam.
2. Planejar o trajeto de acordo com o que se precisa fazer pra não precisar ficar indo e voltando. De preferência, começando do mais longe de casa pra finalizar no mais próximo. Ou, em caso de museus/shoppings/supermercados de vários andares, começar pelo mais distante da saída e terminar nela.
3. Lavar a louça na ordem em que se põe no escorredor (menores primeiro, maiores depois).
4. Deixar objetos de uso diário e indispensável num lugar fixo. Juntos, de preferência.
5. Se informar de tudo antes de sair para algum lugar/atividade (endereço, acesso, preço, frequência, whatever).
6. Se eu SEI que tenho que apresentar alguma coisa em determinado lugar, já chegar com tudo à mão, separado - cartão do banco, documentos, dinheiro, o que for (quantas vezes no aeroporto, fazendo check-in de passageiros, não vi gente esperar numa fila sem fazer nada e chegar no balcão e gastar uns 5 minutos caçando a passagem e o passaporte dentro da bolsa...).
7. Verificar se eu tenho tudo de que preciso, aliás (a mesma gente que deixa pra caçar a passagem e o passaporte no balcão às vezes descobre que os esqueceu em casa nessa hora. Se tivesse separado antes, teria percebido antes e talvez desse tempo de ir buscar).
8. Ao fazer um pedido num bar ou restaurante, dar todas as informações ao garçom de forma concisa e clara. Num fast-food, só entrar na fila já sabendo o que se quer.
9. Ter as chaves na mão ao chegar em casa ou no carro, o que também é uma questão de segurança. Ficar marcando bobeira parada na porta procurando o chaveiro? Não, né?
E por aí vai. Pode soar meio anal retentive pra alguns, mas ter método pra fazer as coisas minimiza a chance de erro e torna tudo mais rápido, além de ser benéfico pra todo mundo. Quem gosta de esperar horas em filas ou de perder tempo? E claro, falhas e imprevistos acontecem, mas com o tempo que se ganha sendo eficiente tem-se uma margem suficiente pra corrigir. Mesmo sem ser Jason Bourne.
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12:35 PM
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A trilogia Bourne entra certamente no meu rol de filmes favoritos, daqueles a que se assistem sem piscar e dá vontade de aplaudir no final. História instigante, interpretações secas e minimalistas, câmera nervosa e ágil no melhor estilo mockumentary, ritmo de tirar o fôlego, trilha sonora precisa, aquelas locações maravilhosas ao redor do mundo e...Jason Bourne, claro. A união perfeita entre cérebro e força física. Tudo que um filme de ação e suspense deve ter, aliado ao mistério que incita a velha pergunta existencialista : "quem sou eu?"
"The Bourne Ultimatum" finalmente nos dá algumas respostas, mas como fica evidente, não pára por aí. Não me surpreenderia se em breve Hollywood nos lançasse um "prequel", já que as pontas que ficaram sem amarrar se referem ao passado e à vida pessoal de Bourne.
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11:39 AM
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September 23, 2007
Oba! Saiu a lista dos filmes da Mostra. Curiosamente, alguns filmes holandeses e - eeeeeee! O "Flamenco Mi Vida - Knives of the Wind", do mein lieber Freund Peter Sempel.
Os filmes que eu recomendaria, pelo visto vão passar em circuito normal anyway, já que estão com os títulos em português. Portanto, se eu fosse vocês nem perderia tempo nas filas com eles, e me jogaria nos do leste europeu. Tô especialmente curiosa com o "Senki", do Milcho Manchevski, que fez o ótimo "Before the Rain". Se alguém quiser conferir um holandês, a melhor aposta é "Ober". Passou aqui, não vi de preguiça, mas o diretor Alex van Warmerdam é bom.
E, ugh! Vai ter Manoel de Oliveira de novo. O único filme que me fez sair no meio da sessão na minha vida foi dele. Nunca consegui gostar e tenho trauma até hoje.
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4:10 PM
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September 22, 2007
Eu sei que cópias são uma espécie de elogio, mas esse é o tipo da coisa que eu prefiro passar sem. E claro, só porque eu odeio isso tendo a atrair copycats.
O Akira fala pra eu não ligar, mas é irritante perceber que alguém possa ser tão desprovido de personalidade própria (nessa idade, algo preocupante) que tenha que ficar reproduzindo meu modo de falar, de escrever, de vestir, de agir - além de ficar rondando os MEUS amigos, mesmo que a afinidade com eles possa beirar o zero.
Mas tudo bem. Vou fazer o quê? Eu entendo que a ausência de gente sem noção no meu círculo de amizades seja invejável, hahaha ;) Fora o fato de todos serem extremamente inteligentes e talentosos, cada um a seu modo. Mas também tenho de dizer que tal círculo foi forjado a ferro e fogo by yours truly...me cansa ver alguém insatisfeito com a própria vida querendo uma lasquinha de outra, em vez de se esforçar pra mudar a sua situação.
Ok, foi só um breve rant porque minha paciência esgotou. De volta à pOgramação normal, shall we?
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10:06 PM
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September 21, 2007
Ontem passou na TV5 "Chouchou", um daqueles filmes que eu "queria-ver-ma-non-troppo-mas-já-que-tá-passando-vamos-ver". Em termos de história não apresenta absolutamente nada de novo - é "Cinderella" meets "Priscilla" (Cinscilla? Prinderella?). Chouchou (o hilário Gad Elmaleh) é uma travesti marroquina que chega a Paris fingindo ser chileno (!) e consegue abrigo numa paróquia de um padre do bem, que tem um auxiliar neurótico que tem visões da Virgem Maria. Logo ela consegue trabalho num consultório de uma psicanalista e também num club de drags, onde conhece Stanislas (Alain Chabat), un mec bien de família rica que se apaixona por ela. Clichê, né? O interessante mesmo é notar que quase todos os atores e o diretor são hetero e de origem magrebina - não exatamente a mais tolerante em relação a homossexualidade (to put it lightly). Por isso, é divertido ver um filme completamente gay-friendly com drags montadíssimas exibindo o narigão :) Chouchou é caricata, mas o toque humorístico é calcado no fato dela ser marroquina (carregada no sotaque), e não por ser trans.
Enfim, o filme é mais uma curiosidade do que qualquer outra coisa, mas me fez rir com algumas piadas bestas como : "Ah, eu adoro Shakespeare! Ricardo III! Se bem que não entendi muito bem, porque não assisti o I e o II". Dã.
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9:00 PM
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September 20, 2007
Terminei de ler "After Dark", do Murakami. Como o nome indica, é o relato de uma longa noite insone. A Tóquio noturna pulsa independente da diurna, com sua fauna e redutos próprios - prostitutas chinesas, músicos,restaurantes 24h, grupos de jovens festejando, motéis, trabalhadores noturnos, bares, lojas de conveniência, solitários em geral - cada um com sua razão para existir apenas enquanto os outros dormem.
Um pouco de mistério, um outro tanto de absurdo, alguma desesperança e um final esperançoso. Boa leitura, como é costume do autor em histórias mais longas.
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7:11 PM
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6:32 PM
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Aaaah!
Resolvi encarar o famoso "No-Knead Bread", o pão que não precisa ser sovado. Achei uma panela ideal, toda de metal com tampa, e lá fui eu.
E...tcharã!
Pra quem quiser tentar, estes dois blogs têm tudo explicado (o Chocolate&Zucchini inclusive tem tudo convertido em medidas de peso, o que é mais exato). É muito fácil. O único inconveniente é ter de usar uma panela que possa suportar altas temperaturas e que tenha tampa (o segredo da crosta crocante é o vapor da água da massa), mas vale a pena.
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12:25 PM
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Labels: comida
Outra das minhas felicidades : ficar em casa quando chove.
(o que me torna uma pessoa completamente satisfeita neste momento. Precisava ir a Rotterdam e até deixei o despertador preparado, mas quando vi o tempo...daqui eu não saio, daqui ninguém me tira, lalalala)
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11:22 AM
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Labels: confessions
September 18, 2007
Vocês querem saber uma das coisas que mais me dão alegria nesta vida?
Acender a luz em casa quando escurece lá fora. Mas tem de ser luz amarela, quente. Luz de lâmpada fluorescente não rola.
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11:58 PM
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*rolando de rir*
Que busca no Google genial! Já mandei pra minha irmã.
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10:46 PM
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September 17, 2007
Fez sol ontem e eu fiquei com dor de cabeça. Em vez de ligar o computador resolvi terminar de ler o "The Informers", do Bret Easton Ellis. Que, infelizmente, é apenas uma variação fraca do ótimo "Less than Zero" - pequenos retratos da sociedade amoral da Los Angeles dos anos 80. Jovens lindos, ricos e entediados, donas de casa neuróticas e viciadas, drogas, sexo vazio, Porsches e Hollywood. Pra quem é familiar com as obras do Ellis, pode ser MUITO cansativo. Muito do mesmo, you know. Mas tem pequenos detalhes divertidos, como o conto sobre um vampiro e as referências a outros personagens do universo do autor. Pra quem nunca leu nada dele, o essencial é "American Psycho" mesmo. Ou seja, "The Informers" é totalmente dispensável. De repente a adaptação para o cinema se sairá melhor, já que "The Rules of Attraction" virou um filme bacana.
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3:40 PM
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September 15, 2007
Demorô. Com umas buscas como a do João, "cronograma da granola", a "quero simpatia para amenizar rugas do rosto" da Ana e o "Onde faço para encontrar fotos de borboleta no jardim?" da Andrea, temos é mais que fazer uma compilação das melhores. Mandem pra mim os stats do mês que eu compilo.
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11:29 PM
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