October 04, 2006

Li de uma só vez o "Lucky", da Alice Sebold. Um livro que surgiu da experiência de um estupro, do ataque até o julgamento, passando por todo o processo emocional pós-trauma. Como "The Lovely Bones", mesmo sendo não-ficção, é delicado e angustiante ao mesmo tempo. Pelo menos pra quem é mulher.

October 03, 2006

Li finalmente o "31 Songs", que estava dormindo ali na estante. Fora as boas tiradas irônicas e oh-so-british do Hornby, não tenho o que comentar. Livrinho despretensioso, sincero, pequenas cenas da vida de alguém que tem uma paixão indissociável com a música.

(Nesse aspecto ele realmente parece alguém que eu conheço, hahaha. Mas em geral não concordo com as comparações que sempre fazem entre os dois. Como se quisessem encaixar ambos em algum tipo de categoria, mesmo com todo o generation gap entre eles. De qualquer jeito, já fui pós-adolescente e já passei dos trinta, já li quase tudo dos dois e posso dizer que cada um pode ser considerado uma voz honesta de cada geração).

October 01, 2006

Ontem começou uma exposição de um fotógrafo brasileiro, que acompanhou por algum tempo uma comunidade negra isolada sei lá onde no Brasil (Goiás, talvez?). Interessante e triste ao mesmo tempo. Interessante porque há um lado pitoresco nas cenas do cotidiano simples daquelas pessoas - das rencas de crianças descalças ao vestido de casamento que aparece em cerimônias diferentes, vestido por noivas diferentes (mas ao mesmo tempo tão parecidas!). Triste porque retratam tanta miséria e não consegui reconhecer o país de onde venho naquelas fotos. Claro, porque na verdade eu sei que não é o mesmo país, infelizmente.

September 30, 2006




Minha irmã que fez essa versão South Park minha. Não podia ter acertado mais.

September 28, 2006

Na viagem de ida consegui ler metade do "Lunar Park" do Bret Easton Ellis, e terminei assim que voltei. Transformar-se em personagem não deu muito certo pro Coupland (que parece ter usando o recurso só pra um cameo que salvasse-ops-desse uma reviravolta na história), mas no universo sexo-drogas-whatever do velho Ellis funcionou imensamente bem. O Bret-personagem caçoa da família americana, da celebridade, dos angelenos, escritores e, principalmente, de si mesmo e do mundo que sempre povoou suas obras. Usando seu "American Psycho" como base, um terror Stephen King pra movimentar a trama e algumas migalhas de verdade só pra confundir, o livro é divertido e intrigante. Um alívio depois daquele odioso "Glamorama".

September 27, 2006

Aí no final de semana Antonio e Mattia vieram fazer uma visita rápida e ficaram aqui em casa. Fizemos um jantarzinho meio brasileiro, com picanha, salada, molho de campanha, espetinhos de frango e de coração - o que agradou aos brasileiros e assustou Mattia e o Coelhinho da Bebete.

"Aqui na holanda coração de galinha é comida de cachorro!"

Hahaha. Adoro enfatizar o clichê de que no Brasil somos todos selvagens.

Desculpem a ausência. Acho que ainda estou lutando contra os últimos resquícios da Síndrome de Stendhal, citando minha querida amiga Zuzu.

Berlim é uma cidade que me dá vontade de não deixar nunca, e esta vez foi ainda mais legal - pela companhia, pelo que mudou e pelo que continua, pelo céu azul, pelo atendimento atencioso, pelas descobertas - e portanto mais difícil de partir.

Mas enfim. Pegamos o trem na quarta-feira, depois de passar pelo hall gastronômico da KaDeWe mais uma vez pra comprar salsichas, cogumelos, spätzle, queijos e outras delícias perecíveis alemãs. Encontramos o Alex Antunes na estação pra uma última cerveja e confundimos o garçom, que pensou que estivéssemos falando mongol. Afinal, dois orientais e um caucasiano estranho de rabo-de-cavalo e barba grisalhos conversariam em que língua, não é mesmo?

A viagem foi confortável, já que consegui reservar dois assentos ao redor de uma mesa e os assentos da frente ficaram desocupados até o fim. O problema foram duas alemãs sentadas um pouco pra trás, que iam e vinham do vagão-restaurante carregadas de cerveja e não paravam de falar. Seis horas, geez.

September 26, 2006

I ♥ Pipettes.

September 23, 2006

A festa foi na Kesselhaus do Kulturbrauerei. Chegamos lá às nove e toda uma muvuca na porta : tapete vermelho, câmeras de TV, seguranças e recepcionistas verificando os convites com um leitor óptico. Foi só entrar e começamos a encontrar os amigos. De repente, parece que metade da festa era só de brasileiros, e me senti em São Paulo. Nunca pensei em encontrar tantos conhecidos em Berlim, imagina.
Os shows programados eram aquela coisa esperada : Naná Vasconcelos, Yamandú Costa, Armandinho e Raul de Souza. Nem prestamos atenção na música, e acabamos indo pra um lounge no mezanino onde o som não chegava, hoho.
Foi tão legal que ficou todo mundo com dó de ir embora, mas os músicos estavam todos hospedados em hotéis fora da cidade (apelidados de "Vinhedo" e "Carapicuíba"), e os carros que iam levá-los chegaram à uma da manhã. Sem contar que a maioria tinha chegado na mesma manhã, então falamos tchau como se a gente fosse se encontrar semana que vem e fomos embora.
E como ninguém vive de canapés, paramos pra um döner kebab lindo e gordurento na esquina antes de pegar um táxi. Yum.

September 22, 2006

Na terça fomos ao Checkpoint Charlie, a duas quadras do hotel. Não entramos no museu, só vimos a reprodução da guarita e o histórico ao longo da Friedrichstraße, com fotos e uma timeline. Que triste pensar que até 1988 pessoas morreram tentando escapar do lado oriental.
Continuamos subindo a Friedrichstraße, e de repente me senti em Manhattan. Ou Paris. Lojas e lojas de marcas internacionais luxuosas, engravatados apressados, placas douradas indicando escritórios importantes. Que contraste.
Viramos no Gendarmenmarkt, atraídos pelas cúpulas da Franzözischer Dom e da Deutscher Dom. Demos de cara com a Konzerthaus e uma escultura representando colcheias de metal na praça. Ficamos admirando aquelas construções monumentais e fomos tomar uma Berliner no café do teatro.
Alcançamos a Unter den Linden e fomos andando. Passamos pela Humboldt Universität e acabamos indo parar na Museumsinsel. Andamos mais e quase chegamos em Alexanderplatz. Paramos para almoçar numa steakhouse e resolvemos voltar pro hotel, pra dar tempo de ir à festa de abertura da Popkomm.

September 21, 2006

Na segunda-feira, fomos com a Magda até a Rosa-Luxemburg-Platz e fomos descendo a pé até o Hackescher Markt. Encontramos dois prédios gêmeos na Rosenthaler Str., um virou um mini-shopping peruésimo e chique, e o do lado continuou um squat. Divertidíssimo ver os dois lado a lado. Claro que ignoramos o chique e entramos no squat que, como a maioria dos que eu conheço, tem uma ou duas galerias/ateliês de arte instalados, uma loja no alto das escadas vendendo comics, livros de arte, CDs de música eletrônica e experimental e camisetas legais, e um bar com uma ou duas mesas coletivas no pátio. E cheiro de borracha queimada vindo de algum canto.



No Hackescher Markt, paramos num bar espanhol e fizemos uma pausa. De lá, fomos para o Zoologischer Garten ver a Kaiser Wilhelm Gedächtnis Kirche e andar pela Ku'damm. Na verdade, o que a gente queria era ir até a KaDeWe conferir a seção de gastronomia da loja. E meninos, eu vi. Um andar gigante de uma loja de departamentos gigante, totalmente dedicado a comida. Produtos do mundo todo, balcões de frios, queijos, azeites de oliva, sais, chás, enlatados, temperos. O que você imaginar tem. Claro, o preço é compatível com o luxo da loja, mas é irresistível levar pelo menos alguma coisa. A minha cesta tinha um pacote de Kettle Chips (não tem na Holanda) sabor alecrim, sal marinho e alho, uma latinha de foie gras de ganso, saucisses secs francesas e bacon curado alemão. Carregados, voltamos pro hotel pra encontrar as meninas, que tinham ido a Utrecht, e fomos jantar no italiano da esquina do hotel, na Anhalter Str. Alívio, quase todo o staff do restaurante era italiano de verdade - menos um garçom croata que gostou das meninas e ficou a noite inteira fazendo comentários engraçadinhos. Mas foi divertido.
Ainda voltamos à Potsdamer Platz pra uma última cerveja dentro do Sony Center, na Lindenbräu.

Acordamos meio atordoados e fomos tomar brunch no Hannibal, em Kreuzberg. Lugar tranquilo e relax, bem na frente da Görlitzer Bahnhof. O bufê era ótimo, com queijos, pães, saladas, frios, salmão defumado, uma sopa de batata incrível, ovos mexidos, bacon, linguicinhas, torta de maçã, etc. Tudo reposto rapidinho, por módicos 8 euros.

(brunch de domingo é meio uma instituição em Berlim, pelo que entendi. Quase todos os lugares oferecem suas variações, por preços que vão de 5 a 10 euros em média, e as pessoas ficam lounging, comendo e bebendo até as quatro da tarde. Esse Hannibal eu encontrei recomendado no TripAdvisor e reservei pela internet mesmo)

Chegamos ao meio-dia e saímos rolando às duas da tarde. Fomos andando pelo bairro seguindo a linha do trem, até chegar na Warchauer Str. Subimos até a East Side Gallery, o maior pedaço remanescente do Muro, que eu considero uma das coisas mais dubiamente legais de Berlim. Paramos na Ostbahnhof pra descansar, passamos na feirinha de tranqueiras atrás da estação e fomos pra Alexanderplatz.

Rodeamos a Fehrnsehturm, e ficamos bebendo num café na frente. Céu azul, brisa, ficamos lá uma hora. Depois resolvemos ver o Portão de Brandenburgo antes que escurecesse, e no caminho demos de cara com o Holocaust Denkmal, um monumento sinistro/angustiante/curioso. Blocos de concreto alinhados como túmulos num cemitério, que vão ficando mais e mais altos no centro da instalação, dando uma sensação horrível de aprisionamento.



Tiramos fotos no Brandenburger Tor, demos uma caminhada pela Unter den Linden, comemos uma currywurst e paramos pra mais uma Berliner.

Voltamos ao hotel pra tomar um banho e saímos de novo pra jantar. Em dúvida, fomos para a Oranienburger Str., uma rua apinhada de bares e restaurantes em Mitte. Apesar do agito, não tinha nada que nos agradasse e acabamos comendo num italiano/turco mesmo (tipo os que tem aqui). Razoável, nada de memorável, mas barato (aliás, o custo de vida em Berlim é algo mais barato que em Amsterdam e no resto da Alemanha). Passamos no Café Zapata, um squat transformado em clube/bar, mas o som que estava rolando me espantou rapidinho, hahaha. Mais legal parecia o bar ao ar livre no pátio de trás do squat, mas estava todo mundo cansado e acabamos voltando pro hotel. Nessas horas é que eu odeio estar ficando velha. Se fosse há quinze anos eu ia adorar ter ficado bebendo no meio do entulho de um prédio em ruínas. Hoje eu não troco uma noite de sono por nada.

Então. Esta semana fomos pra Berlim ver os amigos que vieram pra Europa por conta da Popkomm, uma feira internacional de música e entretenimento - gravadoras, selos, distribuidores, etc. Paralelo à parte business, acontece também um festival de música, bem abrangente. Como o parceiro deste ano da feira é o Brasil, algumas bandas foram selecionadas pra fazer shows - Mawaca, Bojo&Maria Alcina, Cidadão Instigado, Wado, Clube do Balanço, Cabruêra, Sonic Jr e outros. Achei as escolhas acertadíssimas e bem representativas do que rola no Brasil estes dias. Chega de bossa-nova, MPB chata, músicos decadentes e cantoras sem sal.

(tudo bem, depois eles deram um jeito de enfiar o Eduardo Gudin, o Chico César, a Elba Ramalho e Badi Assad no programa, mas me disseram que não teve jeito)

Parte do Mawaca ficou aqui em casa uns dias antes da Popkomm e depois nos encontramos na Alemanha. Claro, todo mundo de cabelo em pé por causa das dificuldades da produção de confirmar qualquer coisa até o último momento, mas foi divertido.
Saímos de trem daqui no sábado às onze e meia da manhã e chegamos na Hauptbanhof às cinco e meia da tarde. A estação central de Berlim agora é a Lehrter Bahnhof, a duas paradas da Potsdamer Platz, o que ficou muito conveniente - a dez minutos a pé do hotel que reservamos.

(eu achei incrível ter um Etap bem no meio da cidade. Prédio novinho, banheiro no quarto, super chuveiro, máquinas de café no saguão, mapinhas grátis, S-Bahn na frente e várias estações de U-bahn por perto. Tudo por 55 euros o quarto duplo. Recomendo mesmo. Aliás, pra quem for, nem contrate o café-da-manhã do hotel, apesar de ser bom e barato - o café da frente oferece trocentas opções por quase o mesmo preço, e até as 16h)

Encontramos a Magda e fomos dar umas voltas. Ela queria ver o lugar onde o Mawaca ia se apresentar na KulturBrauerei, então fomos até Prenzlauer Berg. Descemos na Schönhauser Allee, mas na verdade o ponto certo era um antes, e andamos um mooooonte. Sem contar que a numeração das casas lá é como em Paris - cresce de um lado e decresce do outro em sentidos opostos. Ou seja, o número 6 pode muito bem ser across the street do 400. Ficamos gastando os calcanhares por uma boa meia hora até entender finalmente isso (ai meus pés!)

Achamos o lugar, que parece um SESC Pompéia gigante. Era uma cervejaria que virou um complexo de bares, clubes, teatro, cinema, etc, todos ocupando os antigos galpões que um dia funcionaram como casa das máquinas, centro de engarrafamento e distribuição, refeitório...Dez da noite e tudo calmo, porque ainda era cedo. Demos umas voltas, comemos um bratwurst com mostarda, tomamos uma cerveja e fomos embora. Ai, a idade que pesa.

September 15, 2006

Aproveitando as visitas interessadas em música étnica, fomos ao Tropenmuseum, que reúne uma boa coleção de artefatos indonésios, além de vários showcases culturais da América Latina, países islâmicos e Sudeste Asiático. O passeio é mesmo recomendado para crianças inclusive, porque muita coisa é mostrada de maneira lúdica, como reproduções de tendas marroquinas, salas paquistanesas, botecos sulamericanos e outras variedades.
Claro, o museu na verdade é uma tentativa da Holanda de aliviar a consciência pela exploração das suas colônias, mas a gente finge que não percebeu.

September 14, 2006

Tããão cansada.

(fisicamente, claro. Meus pés doem. Experimentem andar com três mulheres al borde de um ataque de consumismo aqui em Amsterdam)

September 12, 2006



E claro, toda a população japonesa da cidade estava lá. O melhor foi uma menina vestida de quimono pular no palco e começar a dançar, queria ter tirado uma foto. Rude girls rule.

"A Quick Drunkard" é uma das músicas mais legais ever. O último show de ska em que me diverti tanto foi o dos Toasters, há muitos e muitos anos. Nem me lembre que eu perdi os Skatalites em julho aqui.

Fomos ao Melkweg ontem ver a Tokyo Ska Paradise Orchestra. Dez japoneses de terno cor-de-rosa e óculos escuros fizeram o melhor show que vi nos últimos tempos. Ska de dançar pulando, jazz à Miles Davis, surf-rockabilly digno de trilha do Tarantino, energia inesgotável e casa lotada. Pra quem tem o álbum "On Tour", é mais ou menos o mesmo setlist. Puta show. Puta banda. Gotta love these japs.

September 11, 2006

Comprei um DVD que eu nem sabia que existia : "Jan Kounen - 4 Films". Eu assisti a dois longas dele na minha vida, "Dobermann" e "Blueberry" e achei bem interessantes, porque não são muito comuns, nem visualmente nem no ponto de vista (se bem que tenho que confessar que o maior atrativo neles pra mim é o Vincent Cassel, hahaha). Mas não são filmes que alguém possa amar - no máximo achar divertido ou incômodo.
Já nos curtas fica mais evidente o punch surrealista à moda Jeunet (não por acaso, a parte visual de um dos curtas, "Vibroboy", é do Marc Caro). Fica evidentíssima a influência do Shinya Tsukamoto e seus "Tetsuo" - algumas sequências são iguais, como os personagens correndo em "Gisèle Kérozène", e o surgimento do "Vibroboy", montado a partir de pedaços de ferro-velho. Achei "Capitaine X" bem legal, com uma câmera subjetiva a partir de um cara "duro de matar". Falta ver "Le Dernier Chaperon Rouge", com a Emmanuelle Béart, mas promete ser bom.

September 09, 2006

Depois de alguns meses na prateleira, li o "A Long Way Down", do Nick Hornby. Gosto dele, mas por algum motivo nada do que ele escreve fica muito tempo na minha cabeça. De "How to Be Good" eu não consigo nem lembrar qual a história, preciso reler. Os outros, se não tivessem feito filmes a partir deles, me fugiriam também. Este pelo menos me deu something to hold on to, por conseguir fragmentar a narrativa entre tantos pontos de vista diferentes com sucesso, e cada um deles ser razoavelmente interessante. Não é lá uma grande obra, mas é uma boa leitura. Coisa que se aplica a todos os outros livros dele, I'm afraid. Mas tem humor e alcança bem algumas questões - como lidar com o que somos, com os outros, etc. Tô guardando os não-ficção pra ler em outra fase.

You Are 71% Bitchy

While you may not think of yourself as the ice queen, admit it, you're often in a bad mood.
And it's those around you who often bear the brunt of your annoyance, even if they haven't done anything wrong!


Wow. Como eles descobriram?

Your Toes Should Be Black

A total rulebreaker (and heartbreaker), you're always a little punk rock.

Your flirting style: Wacky and a bit shocking

Your ideal guy: An accomplished artist, musician, or writer

Stay away from: Preppy guys looking for a quick bad girl fling


Vi na Juli and said, "why not?"
Tá quase, minhas unhas são roxo metálico.

September 08, 2006

Okay, mais um momento propaganda-coruja :

Vi umas fotos e algumas resenhas, parece ótimo. E Gabriel Vilela dirigindo o meu xodó, eu assistiria todo dia. Se não estivesse aqui, claro.

LEONCE E LENA, de Georg Büchner. Comédia romântica. As montagens do diretor mineiro Gabriel Villela têm marca própria dentro da dramaturgia brasileira. De Shakespeare a Chico Buarque, não importa, os autores que ele encena ganham um inconfundível – e coerente – toque circense. É o caso da adaptação da peça do alemão Georg Büchner (1813-1837). Numa arena revestida de papelão pelo cenógrafo J.C. Serroni, o público acompanha o encontro romântico dos príncipes Leonce (Luiz Päetow) e Lena (Ana Carolina Godoy), em fuga de seus reinos. Cobertos por máscaras e um figurino extravagante, os onze atores do elenco desfiam humor e sátira política, até mesmo da atualidade brasileira (90min). 14 anos. Estreou em 4/8/2006. Sesc Avenida Paulista – Espaço 10º Andar (100 lugares). Avenida Paulista, 119, 3179-3700, Metrô Brigadeiro. Quinta, 17h; sexta a domingo, 20h. R$ 15,00 (qui.) e R$ 20,00 (sex. a dom.). Bilheteria: 9h/22h (ter. a sex.); a partir das 10h (sáb. e dom.). Ingressos também no CineSesc e nas demais unidades do Sesc. Até dia 24. (Vejinha online)

September 07, 2006

Na verdade, apesar do Costello ter uma história antiga com o jazz, quando ele casou com a Diana Krall eu fiquei com medo. Ela é tão chata que poderia influenciar o trabalho dele. A época que ele foi casado com a baixista dos Pogues, a Caitlin O'Riordan, foi quando ele produziu a maior parte das minhas músicas favoritas. Mas enfim, if he's happy... *shrugs*

Ontem fomos ao Heineken Music Hall ver o Elvis Costello com a Metropole Orkest. O show é resultado da parceria no North Sea Jazz Festival de 2004, onde as músicas do velho McManus foram executadas em arranjos jazzísticos e orquestrais. Deu tão certo que virou disco (eu quero!).

O lugar é novo, talvez um pouco maior que o Palace em São Paulo (nem sei como se chama agora, da última vez que fui lá era DirectTV Music Hall, argh), com um pé direito alto e acústica razoável. Claramente feito pra shows de-grande-porte-pequenos-demais-pra-estádios, ou seja, a maior parte do espaço é uma grande pista. E o show era sentado. O que eles fizeram? Colocaram filas e filas de assentos. Todos no mesmo nível.

(a altura média das pessoas aqui é 1,80m. Vários passam bastante disso. Eu tenho 1,60m. Tenho que me conformar com o fato de que nunca vou conseguir enxergar direito um show aqui ¬¬ )

Comecei a achar que ia ser um grande mico. Comprei os ingressos há dois meses e mesmo assim, nossos lugares eram na fila 20, razoavelmente no meio. A fila na nossa frente estava totalmente preenchida por holandeses cabeçudos e altos, alguns comendo cachorro-quente, outros tomando cerveja. O casal do nosso lado eram uma mulher genérica e um homem imenso e gordo, carregando um pedaço de pizza de pepperoni (!) e um copo de cerveja. Ele sentou do meu lado. Sorte que as luzes se apagaram na hora que ele começou a comer, porque senão ele teria visto a minha cara de horror. Mas horror mesmo foi quando ele terminou...e começou a limpar os dentes com a unha. Rezei pra que ele parasse logo, mas ele devia estar com algum pedaço de pepperoni preso no maxilar inferior, e ficou cutucando entre os dentes lááá no fundo, enfiando o dedo o máximo possível. Discretamente limpando a mão na própria camisa (do lado oposto ao meu, graçasadeus).

A orquestra começou a tocar a abertura, um e eu resmungava com meus botões sobre o lugar, os vizinhos, a farofada, com medo do resto da noite. E aí o Costello explica que fez um arranjo pra esse show durante um dia chuvoso em Honolulu, e nos primeiros compassos eu já tenho um troço.

"All this Useless Beauty". Uma das minhas preferidas ever. Ouvindo aquela voz quebrada e característica cantar essa música ali, de repente, me senti a pessoa mais sortuda do mundo. O gordo do lado podia comer uma pizza quatro queijos inteira ali que eu não ia estar nem aí.

E o show foi realmente lindo. Rock 'n roll, jazz, pop, blues, todos se alternando, acompanhados por aquela grande big band ou pela cozinha básica. E aquela voz. Ouvi "The Birds Will Still Be Singing", "Almost Blue", "Alison", e não parava de me arrepiar. A maioria dos fãs do Costello não gostam de "She", porque foi a culpada da súbita popularidade dele entre um público, er, "indigno", mas eu tenho que dizer : ele canta muito bem essa música. O sucesso dessa interpretação da música do Aznavour não vem do nada.

Os arranjos de jazz me soaram muito Billy Strayhorn, por isso não foi surpresa quando tocaram "Blood Count", a última composição do Strayhorn, para a qual ele escreveu a letra. E realmente, é uma match made in heaven. As partes bluesy são influência do trabalho com o Allen Toussaint, certamente. A veia pop e rock 'n roll sempre estiveram lá, obrigada.

Depois do terceiro bis e quase duas horas e meia de show, a platéia continuou exigindo encore!. Ele, então, disse que a casa precisava desligar o som, mas ele iria cantar "acústico". E foi o que ele fez, cantou "Couldn't Call It Unexpected", sem microfone, sem acompanhamento. Foi impressionante, não se ouvia um pio do público. A certa altura, o piano entrou, também sem amplificação. E mais outro instrumento, e mais outro, todos emitindo seu som natural. Ele então convocou a audiência a cantarolar junto, e o silêncio se quebrou, finalmente. Foi um grand finale.

September 06, 2006

Aproveitando um presente de casamento muito generoso, fomos jantar no Yamazato, um dos melhores restaurantes japoneses daqui. Fica dentro do Hotel Okura, e apesar da decoração carecer de charme (como a maioria dos restaurantes de hotel), o menu é um arraso : você pode escolher entre os kaiseki ou à la carte (bom, num restaurante com uma estrela Michelin imagino que qualquer opção seja boa).

Começamos com um gyu sushi - na verdade, um sashimi de carne. Muito fresco, em fatias finas e servido com um molho parecido com marinada de bulgogi (shoyu, mirin, óleo de gergelim, açúcar e gengibre, provavelmente). Depois pedimos um sashimi moriawase - cinco tipos de peixe e um tiquinho de ikura (ovo de salmão). Claro que dois dos peixes eram os indefectíveis salmão e atum (até aqui, pô?), mas os scallops e os ama-ebi compensaram.





Depois, pedimos um sukiyaki de Wagyu beef (aquela carne especial, de boi mimado e massageado) e um tempura de lagosta (uma cauda de lagosta inteira cortada em seis pedaços). "Absurdo de bom" me parece um understatement pra descrever esses pratos, mas me faltam palavras.





Regamos tudo a várias doses de saquê, que só fizeram efeito quando terminamos o jantar e saímos do hotel. Mas como as pessoas que moram nas nossas cabeças cuidam bem da gente, chegamos em casa direitinho. Eu acho.

*Aniversário serve pra receber mensagens tri-queridas de pessoas tri-queridas. Por isso, ficar mais velha até que é um preço justo ;)

*Serve também de desculpa pra uma auto-retrospectiva rápida. No meu caso, foi fazer o backup dos arquivos do blog. Li cinco anos no espaço de duas horas.

*Eu era mais engraçada antes. Agora tô uma pedância só. Como vocês ainda lêem isso aqui, hein?

*Eu descobri que tem outra pessoa morando no meu corpo. E ela cuida de mim quando eu estou inconsciente. Isto é, bêbada. É ela quem guarda as minhas roupas no lugar, tira fotos com a minha câmera, me faz chegar em casa direitinho mesmo que eu não lembre nem de ter saído do restaurante e me coloca na cama, de maquiagem tirada e tudo. E foi ela quem guardou as compras e mandou os scraps aquele dia. Só preciso perguntar pra ela onde ela guardou o par do brinco que eu estava usando ontem, porque só achei um.

*Já os vexames, esses fui eu mesma. Shhh.

September 03, 2006

Como "Art of the Devil 2" foi uma ótima surpresa, fomos atrás do 1. Com o mesmo tema de magia negra como vingança, "Art of the Devil" é um pouco mais fraco, menos demência cruel-"Audition" e mais demência assassina-"The Grudge", acho. Mas ainda assim um filme de terror interessante.

Vimos "Lady Snowblood" ontem. O filme, de 1973, é baseado num outro mangá do autor de "Lone Wolf and Cub", e foi uma das fontes que inspiraram "Kill Bill" (mais o 1 do que o 2), do Tarantino. De fato. É como olhar para o filho e ver a cara do pai (no caso, mãe? hahaha). Muito sangue espirrando, corpos cortados ao meio com um só golpe de espada, uma vida dedicada à vingança, história em capítulos, uma trilha sonora incrível. E acima de tudo, muito bom.

September 01, 2006

Atualizações rapidinhas :

* Semana passada teve o Uitmartkt, um festival com música e performances espalhados em diversos pontos da cidade. Passei rapidinho por dois dos palcos, já que estava no centro mesmo, mas não achei nenhuma atração que me chamasse a atenção.

* Normalmente não tenho muito contato com adolescentes. Mas nossos hóspedes foram a comprovação de que idade não é documento. Educados, inteligentes e divertidos sem deixarem de ser jovens típicos, achei lindo. Ouvem de Thelonious Monk a Cartola, dormem como pedras, acham o máximo poder fumar em qualquer lugar, pedem por favor e dizem obrigado, gostam de ler e também de sair pra um lugar qualquer até as seis da manhã, comem qualquer coisa que não os morda primeiro, podem viver de Burger King mas apreciam boa comida, se preocupam se estão atrapalhando, não se importam de andar na chuva nem de viajar 15 horas de ônibus. E o mais importante, têm aquele frescor da descoberta, de tudo ser novo. Matu e Dani, voltem sempre.

* Era pra gente estar em Londres agora, pra ver o show do Gang of Four. Mas eles adiaram, e eu fiquei frustrada. Já estava planejando o roteirinho básico. Inferno astral é inferno astral, afinal de contas.

* Vi "In Her Shoes" em DVD. Gracinha de filme, me faz lembrar que minha irmã é a pessoa que mais me conhece neste mundo. E uma das que eu mais amo. Descobri que a Toni Colette é mais nova que eu, mas não parece. E o mais legal dos extras do DVD é descobrir que eles fizeram questão de colocar um vira-lata no elenco pra estimular a adoção. Todo cachorro de raça que aparece em filmes gera uma corrida às lojas e criadores atrás de um igual, e a equipe deste filme quis evitar isso, preferindo mostrar ao público que salvar um mutt de um abrigo pode ser muito mais legal. Só por causa disso, sou capaz de comprar tudo que diz respeito ao filme, só pra apoiar.

August 31, 2006

Fomos ver "Miami Vice" porque Akira gostava da série. Apesar do fato que do original só sobraram os nomes, até que foi legal - basicamente por causa das cenas de ação, concentradas em um ou dois momentos. O resto foram algumas sequências enche-linguiça de romance, que quebraram totalmente o ritmo. I mean, Gong Li falando espanhol ou inglês, não entendi nenhum dos dois direito. Nenhum personagem tinha carisma. Que raio de operação policial foi aquela, onde todos os bandidos morrem e o chefão some? A polícia só queria a carga, era isso? As únicas sequências bem feitas foram a da emboscada e a do resgate, essas sim foram eletrizantes.

*bocejo*

O nggócio é comprar os DVDs da série de TV e se divertir com a cafonice dos anos 80 e as participações especiais, de Phil Collins a Zappa.

Respondendo ao João, os filmes aqui são todos legendados. Os destinados primariamente ao público infantil têm duas versões, dublada e legendada, o que satisfaz todo mundo. E o que é um alívio, já que na Alemanha e na França, pelo menos, tem que se procurar bem uma sessão em versão original.

August 29, 2006

Que curioso. Estava aqui pensando em postar sobre o dia em que fomos até o depósito de lixo levar os resíduos perigosos que não podem ser jogados com o lixo normal (baterias, óleo de fritura usado, lâmpadas, tubos de aerosol e aparelhos eletrônicos) e de repente chega um email de uma amiga justamente sobre isso, com um aviso de que um litro de óleo pode contaminar cerca de um milhão de litros de água. Então, fica aqui o recado : não joguem o óleo usado ralo abaixo, coloquem em garrafas de plástico com tampa e ponham junto do lixo orgânico.

(bom, deixamos no depósito dois galões de 4,5 litros cada e mais uma garrafa de 2 litros. Salvamos 11 milhões de litros de água? hahahaha, podia vir um desconto na conta)

Claro que aqui na Europa a tendência é se preocupar com essas questões ambientais porque aqui não tem NADA. Os custos com tratamento e distribuição da água são altos, energia também, etcetera. No Brasil, o problema é justamente a abundância, que faz com que ninguém ligue muito pra isso. Até que um dia acabe...

Hoje faz um ano que vim pra cá definitivamente. Ça veut dire, um ano morando com o homem da minha vida. Bravo!

August 26, 2006

Assistimos ao "Doom", versão cinematográfica do jogo. Surpreendentemente legal, considerando o gênero. Pra quem conhece o jogo, é igual na maior parte. Pra quem não conhece, misture "Alien", "Resident Evil" em partes iguais e coloque o The Rock no meio. Se souber quem é o Karl Urban, então, melhor. E mais nada a dizer.

Desculpem o sumiço. Visitas em casa.

Nada como andar pra cima e pra baixo com dois garotos de 18 anos pra lembrar que a gente não tem mais 18 anos. Pelo menos não tenho idade pra ser mãe deles. Ainda.

August 22, 2006

Ah, esqueci do "Bewitched". Ato falho, claro. Acho que a idéia da Nora Ephron era fazer uma homenagem à série, mas something went wrong. Reeeeeally wrong. Claro, algumas coisas foram bem engraçadinhas, e eu gosto do fato da personagem da Nicole Kidman ser ingênua e bobinha, mas não chorosa (vocês sabem que eu ODEIO gente chorosa). E o Steve Carell fazendo o tio Arthur foi legal, apesar de completamente absurdo. E eu gritei "olha a Tia Clara!". E a trilha, com Ella, Frank Sinatra e Louis Armstrong, foi legal também. Mas o Will Ferrell? A querida da Elizabeth Montgomery deve estar rodando no túmulo.

(aliás, todos os atores principais da série morreram de câncer, exceto o Dick York, que depois de uma vida sofrida teve enfisema pulmonar. Agnes Moorehead, uterino. Elizabeth Montgomery, colo-retal, e Dick Sargent, próstata. Ui.)

"Art of the Devil 2" é um terror tailandês que merece o nome. Sério. É ótimo, história redonda, bons efeitos, bons atores, boa direção. Em algumas cenas eu me cobri com o edredom até a cabeça pra não olhar (wimp!), porque pessoas loucas me assustam mais do que fantasmas :) Vejam o trailer aqui (em wmv) ou aqui.

Sem saber que o tema era parecido, peguei também "The Skeleton Key". Claro, este é muito mais um thriller sobrenatural do que um terror, mas achei bom. Bem interessante o final.

Assistimos também ao "Madame Satã", do Karim Aïnouz. Eu queria ter gostado, mas achei um filme sem foco (não no sentido ótico, dã). João Francisco foi uma personalidade tão interessante e contestadora, e o Lázaro Ramos fez um bom trabalho como ator, mas tudo ficou diluído em muitas cenas sem importância, uma ansiedade enorme de reforçar a idéia de que João tinha um lado terno, performances inteiras de músicas inteiras ocupando um tempo precioso, e o resto da trajetória brevemente explicada em prólogo. "Priscilla, a Rainha do Deserto" passando umas férias na Lapa, na companhia da Macabéa e do Dadinho-o-caralho-meu-nome-
é-Zé-Pequeno. Aff.

Como choveu o equivalente ao Mar de Mármara neste fim de semana e ninguém aqui em casa tem a menor vocação pra anfíbio, fomos pegar um lote de DVDs na locadora pra ficar assistindo em casa. Não consegui lembrar a última vez que aluguei um filme - uns dois anos atrás? Provavelmente, porque vi nas prateleiras um tanto de títulos não-assistidos, daqueles filmes que não valem um ingresso de cinema mas que mesmo assim a gente quer ver, sabe? hahaha
Achei barato, 9 euros e alguma coisa por 4 filmes, pra devolver em uma semana. Acho que vou começar a fazer mais isso e parar de comprar DVDs (not!).

Infelizmente, falta de noção não tem nacionalidade.

August 21, 2006

Alguém usa o Last.fm? Me cadastrei no negócio quando se chamava Audioscrobbler, não vi graça e nunca mais entrei. Agora resolvi baixar o plug-in e tá rodando. Mas continuo não vendo muita graça. Talvez o barato seja navegar pelos grupos, ouvir rádios e descobrir coisas novas. Mas eu não gosto de coisas novas, hahahaha. Pelo menos não todas.

Acabei o "Hard-Boiled Wonderland and the End of the World". Meio fantasia, meio cyberpunk e totalmente Murakami. Eu ia dizer que é uma ficção científica existencialista, mas acaba de me ocorrer que talvez seja um pleonasmo - o core de toda sci-fi é existencialismo. Será um chute ronaldístico? Ou será a obviedade plena e só eu não sabia? (duh!) Acho que preciso ler mais coisas do gênero pra saber.
Outra coisa que preciso pesquisar mais é a simbologia da sombra na cultura oriental. Em "Kafka", pessoas com "meia-sombra" têm um pezinho no afterlife. Em "Wonderland", a sombra retém as memórias e a consciência de alguém. Separado da sombra, não se tem "self". Eu queria saber se é uma idéia do Murakami ou se faz parte da mitologia japonesa. Ou de qualquer lugar, sei lá. Claro, a idéia é meio óbvia : a sombra é uma prova da nossa presença corpórea, da nossa "solidez". Se existimos, fazemos sombra (na luz, claro). Mas e uma "meia-sombra"? E as sombras do "Wonderland" não são simplesmente silhuetas - têm feições, usam roupas, têm uma consciência própria, vivem e morrem, não se limitando a ser extensões de quem as geram. Adoro ficar pensando nisso.


Não, não bebi hoje não.

August 19, 2006

Mas o engraçado mesmo foi uma menina, na saída do museu, perguntando pra um cara "qual o nome da música que estava tocando?" - porque provavelmente todo mundo já ouviu uma das Gymnopédies alguma vez na vida, mesmo sem saber o que é, e ela achou familiar. E o cara, com a maior segurança do mundo : "Ah, você não sabe? A música foi composta especialmente pra performance!". Ela ainda fez cara de dúvida, mas ele foi tão categórico que ela acabou se convencendo. Eu tive vontade de chegar e falar "numénadadisso!", mas achei mais engraçado ficar rindo sozinha.

Hehe, Satie fazendo música por encomenda do além.

(pra falar a verdade, achei a trilha do negócio beem medíocre - que fizessem algo especial, e não só mixar música japonesa, pianinho e uns beats, que não combinaram de jeito nenhum entre si, né?)

August 18, 2006

E já que o assunto ficou meio nipônico, fomos ao museu Van Gogh hoje ver a palestra dada por uma amiga, a Maaike, sobre mangá e animes. Ela é uma acadêmica holandesa especializada em cultura japonesa, e casada com um músico japonês, o Seigen. Como era de se esperar, ela falou sobre Naruto, Yu-Gi-Oh, Hayao Miyazaki, cosplay, o básico. Fiquei sabendo que a indústria de mangás gera uma grana inacreditável. E eu esperava ver mais freaks e otakus na platéia, mas a maioria da audiência eram tiozinhos e tiazinhas. Tinha uma gothic lolita, paramentada comme il faut dos pés à cabeça, holandesa também. Bizarro.

Como é a Japanese season no museu, a exposição de objetos da era Meiji também foi bem interessante. O museu transferiu temporariamente as telas de Van Gogh que têm referências orientais pra essa sala, como ilustração.

Aproveitamos pra ver a performance da dupla Viktor&Rolf, "Women from Tokyo & Paris", uma coisa linda, absurda e cor-de-rosa. Duas bailarinas, uma de quimono e outra de vestido, uma sobre tatami e a outra sobre chão de madeira, oriente e ocidente. Música de kotô e Erik Satie. Fiz um videozinho pra vocês terem uma idéia.

O comment da Lê no outro post me fez lembrar de sushi. Eu nem falo muito nisso que é pra não pensar, hahaha. Mas aí eu já lembrei, e ontem as lombrigas gritaram. I mean, GRITARAM. Ainda não achei um restaurante japonês aqui como os que existem em São Paulo. Só se mandasse trazer o velho Tanji. Tudo bem, o Akira é aprendiz não-oficial do Tanji, mas o trabaaaalho que dá fazer tudo em casa! Às vezes eu só quero entrar num lugar, ouvir um "Irashai" bem enérgico, sentar e ter toalhinhas quentes. E pedir um pouco de tudo - sake, maguro, toro, tobiko, takô, saba, hamachi...ah.

Aí ontem, enquanto eu esperava a Bebete pra sessão do "Volver", resolvi entrar no Zushi pra comer uns temakis. Como é um kaiten sushi (aqueles que têm uma esteira por onde passam os pratinhos), achei que era melhor pedir alguma coisa feita na hora. Não foram os melhores temakis que comi na minha vida, mas também não são péssimos. A escolha também era meio limitada demais, mas com wasabi à vontade na mesa e shoyu já diluído, pra uma comidinha rápida achei ótimo. E um dos sushimen é paulistano.

Ah, e como ter alguma dúvida? O pai da filha de Raimunda é o Ronaldinho Gaúcho!

Penélope Cruz desencanou de ser "la chica latina" de Hollywood e voltou a fazer cinema espanhol (graçasadeus!), sem deixar de ser linda. Pedrito voltou a mostrar aquilo de que mais entende, a alma feminina, sem deixar de ser autobiográfico. Carmen Maura voltou a trabalhar com Pedrito, depois de quase vinte anos - e nunca deixou de ser a imagem da mulher almodovariana.
Irene, a mãe morta, volta para resolver assuntos com a filha. Raimunda, a filha, que não morreu, volta a viver. A mãe de Augustina não volta. O marido de Raimunda tampouco. As fatalidades da vida voltam, em círculos.

De certa forma, vi em "Volver" uma espécie de reconciliação de Almodóvar com todas as suas fases, sem cair na auto-paródia ou "reciclagem". Desde "La Flor de Mi Secreto", tenho sentido uma espécie de estranhamento ao sair de cada filme dele - como ver alguém usando roupas de outra pessoa, uma sensação de algo "off". Em "Volver", finalmente consigo reconhecer a pessoa, independente do que ela esteja usando. Será que dá pra entender? De qualquer forma, já entrou pra minha lista de favoritos.

E a Chus Lampreave, como está velhinha!

August 17, 2006

Conheci um americano imbecil que me irritou muito, mas muito ontem. Bad, bad start. O motivo não vem ao caso, mas fiquei feliz de ter dito tudo que quis na cara dele. Tudo. Mesmo assim, ao voltar pra casa, quase não consigo dormir repassando os diálogos na minha cabeça, e tentando aperfeiçoar as chibatadas verbais a cada vez, me recriminando por não ter acrescentado x e y aos argumentos, desejando ter sido mais mordaz ainda (na verdade, pensando em retrospecto, seria difícil). Aaagh! Eu sei que isso vai passar logo, mas de alguma forma eu gosto de ficar alimentando a minha fúria por um tempo, hahaha.

Cuidaaado com meu calo, pessoas sem noção deste mundo. Eu não tenho dó nenhuma de arrancar o pé que pisa nele.

August 15, 2006

Deu um banzo repentino e momentâneo de São Paulo. Se estivesse lá agora, estaria vendo a programação de cinema no Guia da Folha. Ou a de shows. Depois decidindo onde jantar, com o Iri ou com a Dani, em algum lugar perto da Paulista. Provavelmente um dos Sujinhos da Consolação, tou com saudade de salada de repolho. Ficaria falando bobagem com a minha irmã e o Akira até a hora de sair. Iria a pé, subindo a Joaquim Eugênio até o Top Center no começo da noite, passando por todos os buracos nas calçadas de paralelepípedo. Andaria a Paulista inteira, iluminada por aquelas lâmpadas amarelas. De repente, até conseguiria encontrar a Chris e arrastá-la comigo. MASP, Prédio da Caixa, o Bob's, Spot, Frei Caneca, Augusta, Conjunto Nacional. Atravessando a rua, Bela Cintra, livraria Belas Artes e virava na Consolação, olhando pro extinto Riviera (tem alguma coisa lá agora?). Comeria picanha com Bohemia no Sujinho, servida pelo Bernardo. Ficaria conversando mais bobagens com meus amigos, e sairia tarde da noite. Não bateria na porta da Kris, que mora lá perto, porque provavelmente ela estaria em Marília e eu tenho um mínimo de educação, apesar de provavelmente estar pra lá de Bagdá a essas alturas. Gabi talvez estivesse fervendo em algum lugar, poderia ligar pra ela. Mas decidiria descer a rua até em casa, e dormir com o marido e os gatinhos amontoados num colchão no chão, na Bela Vista, até o dia seguinte. E acordar, ir à feira de manhã, comprar fruta e comer pastel. Aaaaah.

Terminei de ler o "The Wind-Up Bird Chronicle", do Murakami. Sabe quando alguém escolhe o caminho mais longo possível pra se chegar a algum lugar, e acaba não chegando? Pois é. Longo demais, surreal demais, inexplicável demais, personagens demais, contexto histórico demais, fatalidade demais. Embora algumas situações fossem bem interessantes, voltar o tempo todo a um período durante a ocupação japonesa da Manchúria e ler cartas intermináveis nas quais alguns personagens começam a contar histórias longuíssimas e não chegam nunca ao final me cansou. Mesmo assim, não posso dizer que o livro seja ruim. Mas chegar ao fim dele é uma graaaande caminhada.

August 14, 2006

Conselho de amiga : se você usa o Orkut, é bom instalar o NoScript no seu Firefox ou Mozilla. Se você insiste em usar o Internet Explorer, mude de browser. Ou de sistema operacional. Começaram a rolar scripts maliciosos em lugares aparentemente inofensivos, que pelo que vi, permitem o roubo de cookies, e consequentemente, senhas. Cliquei num scrapbook hoje, e em vez de abrir o tal, o link me levou à minha própria página. Oh-oh.

Se algo estranho acontecer quando vcs clicarem no Orkut, limpem os cookies imediatamente e troquem as senhas. E instalem o add-on. Não é mais suficiente evitar "as fotos da festa que ficaram ótimas"...

August 11, 2006

Esse blog é uma preciosidade : Mercado de Pulgas.



Tá mais parecido com a minha irmã do que comigo, mas achei divertido. A parte de escolher roupinhas é a melhor! hahahaha

Aimeudeus. Ontem fui ao centro, só pra comprar tintura de cabelo e outros troços básicos - pasta de dente e sabonete. O Akira estava trabalhando lá perto e foi me encontrar. Resolvemos ir beber no café do Melkweg, cinco copos cada um. Saímos e fomos pro supermercado. Antes de ir pra casa, paramos num outro café, e tomamos mais dois copos grandes e um pequeno cada um. Acho. Chegamos em casa. Abrimos uma garrafa de vinho sparkling. Daí, lembro vagamente de sentar ao computador. O nosso amigo/vizinho holandês passou aqui em casa. Lembro vagamente também de ter ficado insistindo que ele vá ao Brasil com a gente no final do ano. Também acho que ficamos falando sobre dor de dente, mas isso eu não tenho certeza. Lembro de ter entrado no banheiro e ficado extremamente surpresa de ver a pasta de dente nova na prateleira. E o sabonete novo na saboneteira, já desembalado. Quem fez isso? Akira garantiu que não foi ele. Será que fui eu?
Tenho a impressão de que comecei a colocar sal e pimenta nas costeletas de porco que a gente ia preparar, mas não sei quanto pus de cada. Na verdade, nem lembro de ter aberto o pacote de carne. Mas devo ter aberto. Afinal, como estaria tentando temperá-la? Até que, finalmente, o Akira me obrigou a tomar copos e copos d'água e me convenceu de que eu deveria ir pra cama. Acordei às cinco da manhã, com a impressão terrível de que uma parte da minha memória foi pro lixo.
De manhã, entrei no Orkut e meus medos se concretizaram : recebi respostas a scraps que não lembro de ter mandado, vi posts meus em comunidades, xingando emos. Se você recebeu algum scrap inexplicável meu, já sabe.

August 09, 2006



Isso são pêssegos. Donut peaches. Bonitinhos, né?

August 08, 2006

A Chris tem razão. Preciso de um quintal maior. Agora descubro que vai ter Rezillos no Brasil em novembro (piercing scream : Aaaaaaaaaaaaaaa!). E por enquanto aqui na Europa, só na Espanha ou em Glasgow em outubro. Não tem vôo direto pra Glasgow daqui. E a data de Barcelona (que seria o destino mais fácil) vai coincidir com a ida pra Berlim. E provavelmente, com a do CSS aqui também. Desisto.

A parte boa é que, agora que Akira sabe o que é, não pára de fazer piada com emo.

August 07, 2006

Acabei de ver no YouTube uma matéria do programa do Gugu (tem nome ou é "Programa do Gugu" mesmo?) sobre emos. Achei surpreendentemente muito boa, informativa e relativamente neutra. E entendi finalmente que o emo é o correspondente atual ao gatecrasher dos anos 90.

(Tá, cybermanos, clubber-favela, cyberkids, crasher kids, como queiram. Clubber-favela é preconceituoso mas define bem, ué. Shoot me).

Pra quem não lembra : jovens, geralmente de classe média-/baixa, em busca de algum tipo de identidade ou aceitação. Que escolhem um grupo/tribo e criam uma versão amplificada, exagerada, exacerbada (e geralmente sem o conteúdo) do mesmo, e acabam por dominar os locais que os objetos da imitação frequentam. Não ligam de ser o knock-off" (versão falsificada) do que eles admiram, contanto que passem a mensagem (qual?).

Achei triste. Primeiro, porque só evidencia o desespero de "pertencer" a algum grupo. Segundo, porque acabam sendo uma caricatura de tudo aquilo em que se baseiam. Terceiro, é patético ver adolescentes usando a grana do papai e da mamãe pra montar o modelón emo e ainda quererem pagar de outsiders. Quarto, o estilo é uma colagem absurda de várias coisas incompatíveis. E é tão "moda" que eles sabem há quanto tempo aderiram a ela. Quinto e último, a música é uma bosta.

August 06, 2006

Este é o fim de semana do Amsterdam Gay Pride, depois de muito quiproquó durante o ano sobre a realização da parada (basicamente a velha questão : quem paga?). Mas pelo visto tudo se acertou, e até o tempo quis colaborar. Sol e céu azul, depois de uma semana inteira com chuva.
Apesar de ter estado no centro ontem pra encontrar a Juli, não vi nada da parada nos canais - nosso roteiro foi completamente oposto ao trajeto dos carros flutuantes. Mas coincidentemente acabamos passando por vários pontos cruciais da vida gay da cidade. Na Reguliersdwarsstraat, a rua arco-íris, os lojistas e donos de bares estavam em plena atividade preparando o lugar para a festa pós-parada mais à noite. Muitos balões cor-de-rosa, comme il faut. E o cabeleireiro da rua lotado, claro.
Depois fomos até o Red Light District conferir a Absolute Danny e algumas outras lojas, até chegar na Warmoestraat, o destino dos aficionados de leather e rubber. Só faltou mesmo a gente passar pelo Homomonument, hahaha.
Akira veio se encontrar com a gente num café perto da Centraal e depois fomos com a Juli até o terminal de passageiros, onde uma fila imensa de gente esperava para poder embarcar num dos dois navios ancorados.

(que graça tem ficar preso num navio gigante dias e dias? Nunca entendi)

Ficamos no café do Muziekgebouw, um lugar maravilhoso pra uma tarde quente. As mesas ficam numa plataforma à beira d'água, o vento sopra, os barcos passam...

Depois fomos fazer compras no mercado chinês e tomar mais umas cervejas no bar do Joaquim. Daí eu decidi que eu sou véia e cansada mesmo, e fomos pra casa comer pizza e tomar Moët. Hahahaha, acordei hoje como se um carro alegórico tivesse passado por cima de mim. Imagina se eu tivesse actually ido seguir a programação do Gay Pride? ;)

August 05, 2006

Fui encontrar a Juli no Terminal de Passageiros do porto daqui. No caminho de volta pro centro, a pé, eu juro que parei de repente na frente de um cartaz anunciando show do Elvis Costello no Heineken Music Hall. E eu juro que comecei a gritar : "Elvis Costello! Aaaaaaaaaaa! Aqui! Aaaaaaa! Quando? Aaaaaaaaaaaa". Eu juro que às vezes eu consigo soar completamente mental.

Cheguei em casa e já vim pro computador comprar os ingressos online, no site da Ticketmaster. Uma facada, mas é Elvis Costello, man! Eu estava tão frustrada de ter perdido o show dele em SP, e no site dele nem uma dica de uma tour européia, até um tempo atrás. Mas agora, se o correio holandês não foder comigo, dia 6 tô lá. E de quebra já descobri a primeira data do CSS aqui na Holanda. 12 de setembro, no De Effenaar, Eindhoven. Ainda espero uma data em A'dam. Vamos derrubar o Melkweg!

August 04, 2006

Hahahahaha, acho bom essas moules ficarem prontas logo. Agora a trilha é "O Amor e o Poder", da Rosana *. E na fila, "Sonho de Ícaro", by Biafra. ** Help.




* piada interna com a muié.

** piada interna com o Iri.

Esvaziando garrafas de Casal García, esperando as moules frites ficarem prontas e ouvindo Joelho de Porco. Hahaha, uma noite típica na maison van der S.

August 03, 2006

Tem um programa na TV daqui chamado "De Smaak Politie", ou algo como "Polícia do Paladar", que faz visitas-surpresa a cozinhas de restaurantes e bares em várias cidades holandeses , avaliando a limpeza das instalações. O que se vê em alguns casos é suficiente pra se perder a vontade de comer fora pra sempre. Mas o pior mesmo são as visitas que são feitas a algumas casas de gente comum - "chiqueiro" é um termo gentil para algumas delas, sério. Affreux.

(que fique claro, alguns estabelecimentos são imaculadamente limpos, e recebem um adesivo do programa na vitrine)

Será que daria certo um programa desses no Brasil?

August 02, 2006

Coincidentemente, esta semana li "Goodbye Tsugumi", da Banana Yoshimoto, que de certa forma também trata da espera da morte iminente. É um livro de 88, 89, sei lá, mas não tinha lido ainda.
A história é simples, onde a narradora, Maria, relata com nostalgia a transição para a vida adulta, marcada por mudanças e sentimentos novos num último verão na praia entre primas. Uma delas é Tsugumi, a personagem-título. Beleza e fragilidade de heroína romântica e linguajar de lavadeira. Combinação interessante, mas o livro não oferece muito mais que isso. E, pra falar a verdade, mais não seria necessário.

July 31, 2006

Quando se sabe que se está para morrer, como lidar com o tempo que resta? Essa é a questão que move "Le Temps qui Reste", do François Ozon. Melvil Poupaud é Romain, um jovem fotógrafo que descobre ter um câncer em estágio avançado e resolve não fazer a quimioterapia. Confuso e assustado, não consegue contar a ninguém, a não ser à avó (a grande Jeanne Moreau) e a uma garçonete que cruza seu caminho (a sempre fofa Valeria Bruni-Tedeschi). Romain é humano até o último fio dos cabelos cacheados, assim como suas reações e sentimentos. O filme é lindo, muito simples e sensível. E triste. Putain, c'est triste.


Eu faria a mesma coisa. E gostaria que meu pai também o tivesse feito. Preferia que ele tivesse passado os seus últimos meses tranquilo, em casa, sentindo o gosto da comida, lendo seus livros, andando sem ajuda, a ter presenciado os efeitos de dose após dose de quimioterapia - náuseas, fraqueza, cansaço, alergias - que só ajudaram a abater mais rápido um organismo já comprometido. É certo, as dores excruciantes viriam de qualquer forma, porque é assim que o câncer age. Mas mesmo no torpor da morfina, eu gostaria que ele tivesse levado a lembrança de uma vida normal, e eu gostaria de ter guardado uma imagem dele sem sofrimento. Mas, como diz Romain, "a gente sempre espera um milagre".

July 30, 2006

Hahahaha. Achei pra baixar o CD dos hinos de clubes brasileiros que a Placar lançou há uns anos, e estamos aqui rolando de rir. A maioria das versões é completamente bizarra, mas tenho que dizer que UMA é muito legal : a do Internacional, pela Comunidade Ninjitsu/Acústicos e Valvulados. Sorry, gremistas.

(aliás, a do Grêmio é séria candidata a pior do disco. Chimarruts e Borghettinho? WTF? Só não leva a coroa porque existe a do Goiás, do Zezé di Camargo com arranjo do Lincoln Olivetti. Personne mérite)

July 29, 2006

Esse calor, e eu vejo aquelas mulheres muçulmanas cobertas dos pés à cabeça. Algumas usam um lençol preto que só deixa os olhos à mostra, outras, mais moderninhas, usam roupas da moda, mas de mangas longas, saias sobre calças compridas, e um lenço cobrindo os cabelos. E eu penso : como elas aguentam?


(eu uso vestidos de algodão, camisetas de alcinha, shorts e mini-saias, minha Melissa nova ou sandálias, e mal me aguento)

Minha Havaiana preta quebrou. Não era essa que não soltava as tiras? Vou ter que usar o clone, a Ipanema, que machuca os pés.

Sanduíche de hummus com azeite, limão e rúcula no pão sírio. Salada verde com queijo haloumi. Pão de semente de girassol com salmão defumado e salada verde. Salada de macarrão com bacalhau desfiado. Ovos cozidos com caviar de lompa. Picolés de morango e pêra. Água com gás aromatizada com limão. Vinho espumante gelado. Cerveja Hoegaarden. É só isso que desce.

(e mesmo assim, Akira insiste em fazer feijão com paio, bacon e linguiça calabresa - e eu insisto em fazer quibe frito, quibe de batata ao forno e tabule (é, tem um pacote inteiro de trigo a ser usado). Quase morri na cozinha com o calor do fogão. Shoot me next time I come up with these brilliant ideas.

July 28, 2006

Minha irmã me mandou : Bunny Suicides. Fantástico.

Ueba! Chegou minha caixa de DVDs do Jerry Lewis! Só não tem "Artists and Models", um dos que eu mais gosto, mas os dez filmes que estão lá são uma boa seleção : "The Delicate Delinquent", "The Bellboy", "Cinderfella", "the Ladies Man", "The Errand Boy", "The Nutty Professor", "The Patsy", "The Disorderly Orderly", "The Family Jewels" (outro favorito meu) e "The Stooge". Oh, pretty laaa-dy!

Terminei esses dias o ótimo "Kafka on the Shore", do Haruki Murakami. Teria acabado antes, mas nos últimos capítulos tive o impulso de deixar o livro quietinho na minha mesa, como que para prolongar um pouco mais a convivência com Kafka e Nakata. Ainda me impressiono com a capacidade do Murakami em criar um mundo onde o absurdo e o irreal se portam com tanta naturalidade que nem questioná-los é possível. Tentei explicar a história pro Akira e soou como se eu estivesse contando um daqueles sonhos estranhos que a gente tem de vez em quando (no meu caso, sempre). Chuva de peixes, Johnny Walker, fantasmas de gente viva, um homem que não sabe ler e fala com gatos, um adolescente que foge de casa pra morar numa biblioteca, um caminhoneiro que descobre Beethoven.
Não esperem algo na linha de "Norwegian Wood". Na verdade, quanto mais leio, mais eu acho que esse, apesar de ser o mais conhecido (e maravilhoso), é exceção. But don't let that stop you.
Mesmo.
(agora lendo o site dele, vejo que ele disse isso mesmo - que "Norwegian Wood" foi o único livro realista que ele escreveu)

July 27, 2006

E essa questão de se mostrar Amsterdam como um paraíso coincide com outra sobre a qual tenho observado nos últimos meses - a do fluxo de imigrantes brasileiros ilegais pra cá, que deu uma crescida visível recentemente. Trombei com um casal deles na feira, há algum tempo, e eles me disseram que agora que a Inglaterra está fechando gradativamente as portas, o destino dos imigrantes é a Holanda. Segundo eles, a cada semana chega um monte.

Não duvido - cada vez que saio de casa vejo mais brasileiros, claramente não turistas, circulando, discutindo trabalho, coisas de família, como ligar para o Brasil, etc. Nas comunidades do Orkut, alguns já perguntam se é possível viver ilegal aqui. O curioso é que, na minha opinião, a Holanda não é o lugar mais fácil pra se viver sem estar regularizado. É um país minúsculo, e pra absolutamente tudo é necessário provar sua existência oficial - conta de banco, aluguel, trabalho. Na Inglaterra, existe a possibilidade de se trabalhar 20 horas semanais sendo estudante e uma verdadeira rede de informações entre brazucas. Aqui, são no máximo 10h por semana - o que exclui muito tipo de emprego - e a maioria dos brasileiros aqui, pelo que vejo, passaram por todos os trâmites requeridos para um visto de residência (e que trâmites!), então não vêem com bons olhos quem queira burlar o sistema.

(adendo : este deve ser um dos países mais complicados no mundo pra se conseguir um visto de residência por casamento - as exigências são burocráticas, o serviço de imigração pode ser intransigente, as regras mudam constantemente. E agora ainda inventaram um exame de integração pelo telefone antes da concessão do pré-visto)

Quanto ao idioma, bem...grande parte das pessoas que se aventuram não fala outra língua além do Português mesmo, então aprender inglês, holandês ou húngaro dá na mesma pra eles, imagino.

(isso não é chute meu. Trabalhando numa companhia aérea européia no Brasil, todo dia você vê quantos vêm para a Europa - Espanha, Portugal, Irlanda e Inglaterra - em busca de trabalho sem nunca ter nem entrado num avião. Ou saber onde fica o país para onde vai, ao menos. Um caso clássico é

Check-in : "Seu destino final é Barcelona?"
Passageiro (com cara de susto) : "Não, moça, eu tô indo pra Espanha!"
)

Mas enfim, com essa novela, vamos ver como vai ser o panorama daqui a uns meses. Acho que vou abrir um boteco brasileiro e faturar vendendo coxinha para os saudosos...hahahahaha

Hahahaha, acho que vou ter que comentar sobre essa "Páginas da Vida". Fiquei curiosa com as cenas gravadas na Holanda e fui procurar no no YouTube. Vi algumas delas, e só posso dizer que a criatividade da Globo é comparável à de Hollywood...tulipas e moinhos em Amsterdam? Estudantes morando em casas-barco? A Centraal Station deserta? hahahahaha

Tudo bem, A'dam é uma cidade linda, com um centro histórico extremamente preservado, muitos canais (mas eu não aconselharia ninguém a se jogar neles) e bicicletas, mas ao mesmo tempo é superpopulada, tem problemas com roubos e violência (claro, NADA comparado ao Brasil, mas compara o tamanho, pô), ruas a se evitar sozinho à noite, periferia, alguma sujeira - enfim, coisas de qualquer metrópole. Mas novela é novela, eu sei...

(por falar nisso, como o nível das novelas caiu nesses anos, hein? A última que assisti foi "Vale Tudo", sinumingano, que já não era grande coisa. Essa "Páginas da Vida" tem uns diálogos de doer : "sim, eu amo". Arrrrrrrrrrgh. Já lembrei porque nunca mais acompanhei nenhuma)

Bom, a canicule não dá trégua mesmo e a vida continua. Esta semana tem a Amsterdam Fashion Week, que embora seja muuuuuuito menor que a de São Paulo, não se limita a desfiles. A programação promete algumas coisinhas interessantes abertas ao público-pobre-mortal, como mini-eventos em lojas, shows e etc. Mas o que quero ver mesmo é a performance "Paris-Tokyo". Criada pela dupla Viktor&Rolf, vai ser apresentada toda sexta-feira no Museu Van Gogh - que está numa temporada totalmente japonesa, com exposições especias e DJs. Trop chic.

July 26, 2006

Fui assistir a "Pirates of the Caribbean 2". Como o primeiro, é bom entretenimento, engraçado e leve como uma atração de um parque Disney (o que de fato é). Acho que neste há uma ênfase maior em efeitos especiais, já que não há a preocupação de se apresentar e desenvolver os personagens. Jack Sparrow continua um mau-caráter adorável. E isso de ter que esperar até a parte 3 pra saber o que acontece é simplesmente ODIOSO!


É isso.

July 21, 2006

Ninguém mais nesta cidade aguenta ouvir falar de Rembrandt. Mas li em algum lugar uma questão bem pertinente : daqui a mais 400 anos, é bem possível que ainda se fale dele. E de quem, do nosso tempo, vamos nos lembrar daqui a quatro séculos? Não consegui pensar em muitos exemplos. Aliás, nenhum. O tipo de cultura e arte que produzimos há algum tempo não me parece duradouro, infelizmente.

Fomos à feira fazer compras para o jantar de hoje : bacalhau fresco, red snapper, mackerel, scallops e camarões que viraram um ceviche com a ajuda de muito limão, pimenta vermelha e cebola roxa. De quebra ainda trouxemos um quilo de sardinhas frescas e dez ostras Fines de Claire fresquinhas. As sardinhas foram empanadas e fritas e as ostras devidamente abertas e consumidas com limão e tabasco.

Praia perde.

July 19, 2006

Contudo, o calor tem uma certa vantagem : a gente pode usar roupinhas leves e bonitinhas. E agora que ganhei um presente lindaço da Kris (que já ganhou o aposto "a amiga que me aguenta há mais tempo nessa vida" ;), eu até faço um esforço pra sair de casa todo dia, hahaha. Obrigadona, querida.

O calor inclemente de mais de 30ºC me faz ficar tendo delírios com banheiras cheias de água com gás gelada e cubos de gelo. Aliás, eu queria ser um cubinho de gelo e morar no congelador da geladeira daqui de casa. Gelo gelo gelo.

July 18, 2006

Domingo eu e Akira fomos para o centro de Londres jantar. Resolvemos arriscar o coreano novo que a gente tinha visto na sexta, mas que decepção - não tinha mul naengmyun, que era o que eu queria. Acabamos pedindo outras coisas, mas achei tudo mais ou menos. Não sei se porque o restaurante é novo em folha e ainda ajustando os detalhes, mas só o serviço acabou sendo bom. Enfim.

Segunda-feira, dia de voltar. Saímos de lá às onze da manhã e chegamos em casa às seis da tarde. Seis horas perdidas nessa função de ir pra aeroporto+check-in+embarque+fila de imigração+desembarque+voltar do aeroporto, sendo que o vôo em si dura 45 minutos, eu acho meio demais, nénão? Mas tá bom, eu sempre prefiro dar uma boa margem nos horários pra evitar correrias e atrasos. E cá estamos nós, de volta ao calor úmido de Amsterdam, tentando colocar em dia os emails e tarefas abandonadas durante o fim-de-semana.

O sábado começou muito preguiçoso. Com aquele céu azul e uma mesa com guarda-sol no pátio de trás da casa não dava vontade de fazer absolutamente nada. Mas nos arrastamos até um pub simpático em Dulwich Village que tem um pátio no fundo e serve roasts de sábado. O lugar é estranhamente igual ao bar de espetinhos que nos apresentaram na Pompéia, em Sampa. De lá, fomos comprar coisas pra fazer churrasco e paramos em outro pub, carregados de sacolas e tudo. Guinness Extra Cold, Hoegaarden, um pacote de crisps e voltamos para casa.
À noite, com as crianças dormindo, embarcamos no que o Thomas e o Akira mais gostam de fazer : discutir e ouvir música. E dá-lhe Gene Clark, J.J. Burnel, Japan, Crosby, Stills, Nash & Young, Low, Family, Zappa, box sets dos Stranglers, Byrds e Steely Dan e outras coisas desenterradas do considerável acervo Pappon, mas vimos que era hora de ir dormir quando o Thomas tentou convencer a gente de que Milton Nascimento é legal. Hahahaha.

Saímos na sexta pra Londres e passamos um fim-de-semana tranquilo na Pappon Manor. Nunca tinha voado EasyJet, mas achei bem razoável (apesar do atraso). Descemos em Gatwick e pegamos o trem até Blackfriars. Fomos andando pela Fleet Street até o Strand, deixamos as mochilas com o Thomas e fomos dar umas voltas.
Morrendo de fome, decidimos experimentar um restô de fish 'n chips recomendadíssimo em vários sites e guias, o Rock and Sole Plaice, em Covent Garden. O nome é ótimo, e o lugar bonito, bem agradável, mãs...o principal - a comida - deixa muito a desejar. O cod veio numa massa grossa e dura, as chips meio queimadas. Por isso, £8 é um roubo; já comi em outros lugares por metade desse preço e o dobro da porção. O que salva é o molho tártaro com dill, maravilhoso. E a Coca Light russa.
Começamos a andar sem rumo, passamos pelo Seven Dials, chegamos na Charing Cross e eu quis ir na loja de comics que tem lá, mas ela fechou. Sad. Por outro lado, abriu um restaurante coreano orgânico do lado, o Corean Chili. Paramos num pub, o Brewmaster, pra tomar um pint (o primeiro de muitos) e descansar. Fiz as compras na Boots de Picadilly, continuamos a andar, voltamos para Chinatown (ei, vários restaurantes japoneses baratos um ao lado do outro na Newport Place!), passamos por um concerto na Trafalgar Square, passamos pelo Embankment e chegamos a pensar em dar uma volta na London Eye, mas a fila estava grande e nós sem paciência. Voltamos para o Strand. Fizemos uma hora num pub atrás dos teatros até o Thomas sair do trabalho e de lá fomos para o Wellington fechar a noite.

July 13, 2006

Fui ver "Tapas", que só posso classificar como indie flick espanhol - afinal, parte exatamente do mesmo ponto de um conhecido do gênero - "Smoke", do Wayne Wang e Paul Auster. Várias histórias se desenvolvem e se intercruzam em torno de um estabelecimento de bairro. No caso, um bar em L'Hospitalet de Llobregat, o Brooklyn de Barcelona.
Fora os cacoetes básicos de estudante de cinema - enquadramentos com molduras, uau! - o filme é leve e trata de amor, de uma forma ou de outra. A melhor história é a do casal de velhinhos : ele, doente de câncer e desiste de viver; ela, infatigável, trafica drogas para garantir uma vida melhor para ambos.

(confesso, não estava particularmente gostando do filme, tudo muito óbvio - mas Don Mariano e Dona Conchi me conquistaram)

E claro, indie sem homenagem a Bruce Lee não é indie de verdade.

Há anos venho cobiçando um par de sapatos da Camper, mas nunca tive as manhas de pagar cem euros num deles, por mais lindos e originais que sejam.
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Mas as liquidações de verão chegaram! E a plaquinha de "sale" na vitrine da Camper foi demais pra minha parca força de vontade. Agora posso sair por aí imprimindo passarinhos no chão!

Coisas aleatórias da internet :

* Tem tanta gente assim interessada em morar em Dubai? Todo dia cai aqui pelo menos uma busca do Google com essas palavras.

* Mas a minha busca preferida continua sendo a dos "pontos turísticos da Babilônia".

* Pra que as pessoas deixam recados apologéticos em seus scrapbooks do Orkut explicando por que elas lêem e apagam os scraps? Who cares?

* 90% das garotas coreanas ou descendentes no Orkut escrevem "adoluuuu voxeee". Não me surpreende, porque em coreano elas falam exatamente do mesmo jeito. A minha idade mental de 6 anos dá um pau na idade mental de 12 delas.

* Blog de poesia é uma das coisas mais chatas deste mundo.

* Seguido de perto pelos poetas em si.

* Não consigo logar no MySpace com o Mozilla. Isso deve querer dizer alguma coisa (Rupert Murdoch is the devil!).

July 11, 2006

Wow. Se algum dia existiu um dream team de professores, esse é o meu : Greenaway, Varda, John Waters, Baudrillard, e até Zizek! Aliás, esse curso parece inacreditável. Aliás, é tão inacreditável que eu me pergunto se alguém realmente consegue fazer esse mestrado - aulas em NY e na Suíça, estudar cinema com o Peter Greenaway e Atom Egoyan, film writing com a Agnès Varda, media sounds com o DJ Spooky, discutir o simulado e o real com o Jean Baudrillard. Alguém tem 16 mil dólares aí?

(o pior é que, pensando bem, 16 mil doletas por três anos não é muito, comparando preços de mestrados por aí)

Update : Páááááára tudo! Ainda por cima tem palestras com o Jim Jarmusch, Matthew Barney, François Ozon, David Lynch e David Cronenberg! Como pode?

July 10, 2006

Acabei de ler "Air Babylon". Hilário, porque absolutamente todas as situações ali podem acontecer de verdade. Me dei conta de que passei cinco anos nessa loucura de passageiros estressados, basfonds de tripulantes, casos de polícia, gente sem noção, surtados, histéricos, malandros, gangues de aeroporto - e como foi divertido.

E sim, todo aeroporto é igual, só muda a sigla de três letras.

Bom, finalmente conseguimos ver o "Nightwatching", uma instalação multimídia criada pelo Peter Greenaway sobre o quadro do Rembrandt, que vai gerar também um filme futuramente. Numa ante-sala, um mosaico de monitores de vídeo mostra detalhes de várias obras do mestre holandês misturados a apresentações dos personagens da sua vida pessoal e os envolvidos na cena de "Nightwatch" (certamente cenas que vão fazer parte do longa). Depois, o público é conduzido à sala onde a tela em si está exposta e se acomoda nas arquibancadas montadas. Usando projeções, som e luz, o quadro - que ocupa quase uma parede inteira - subitamente deixa de ser estático, destacando silhuetas, movimentos, pano de fundo e o próprio meticuloso trabalho de iluminação pelo qual Rembrandt é conhecido. É fantástico, e digno de um cineasta cujo trabalho sempre foi intimamente ligado às artes plásticas.

Update : pelo que vi, a relação do Peter Greenaway com a arte holandesa vem de antes - a estética do Z00 (A Zed and Two Noughts) é baseada em Vermeer, que aparece também na ópera "Writing to Vermeer".

July 09, 2006

Mas é óóóóóbvio. Desgraça nunca vem sozinha. Além de perder The Pipettes em Londres, vou perder Bettie Serveert de graça aqui em Amsterdam, no mesmo final de semana. Porque dia 16 eu tô lá e dia 17 eu tô aqui. Fuckfuckfuckfuck.

Hahahaha. O futuro do Adote um gatinho.

(bom, todo dono de um cachorro ou gato - especialmente os que têm mais de um - sabe o que é ter seu reality show particular)

Indicação da maninha.

July 08, 2006

Vi o trailer de "Volver". Parece que Pedrito resolveu voltar a colocar las mujeres como ponto central de suas histórias, ufa. Não que eu não tenha gostado de "La Mala Educación" e "Hable con Ella", mas não há nada como uma mulher almodovariana. Ou um bando delas.

Resolvi finalmente abrir o box-set que comprei em Paris (é, eu faço isso às vezes - compro coisas e abro meses depois), e revi "Que He Hecho Yo Para Merecer Esto?", de 1984. Adoro, pattern clash nas paredes, Chus Lampreave louca como sempre, Carmen Maura emboletada surtando, diálogos de Mortadelo e Salaminho, muito sexo, Verónica Forqué linda, menina telecinética...

Sou só eu que acho essa fase mais interessante do que os trabalhos atuais?

July 07, 2006

CARALHO
As Pipettes vão fazer showzinho de lançamento do CD na HMV da Oxford Circus em Londres dia 17, às 18h. E eu vou estar de volta às 16h...merde!

The World e-book Fair. Por um mês, livros para download de graça, de clássicos a manuais técnicos. Tem até partituras!

July 06, 2006

Tinha começado a ler o "Kafka on the Shore", do Murakami, mas ontem achei um livro que eu PRECISEI comprar - "Air Babylon". Só quem trabalhou com aviação sabe que sim, é possível num só dia de trabalho ter de lidar com um cadáver, um ilegal sem documentação, polícia em casos de air rage e o pior - um menor desacompanhado.
E isso é só o começo. Sorry aí, Kafka.

E a uma semana do 14 juillet, fui ver "Marie Antoinette". Mesmo não gostando da Kirsten Dunst, se a intenção foi a de retratar uma Marie Antoinette jovem, despreparada e desorientada, acho que foi uma boa escolha. Um filme bem ambicioso - historicamente fiel e largamente baseado no livro da Antonia Fraser, com figurinos absurdamente maravilhosos, Versailles em toda sua glória e opulência, muito ênfase no modo de vida perdulário e luxuoso da nobreza francesa. Contudo, não é uma produção Merchant-Ivory, e sim Sofia Coppola, e por isso a trilha sonora é pra lá de cool, com mais Gang of Four, Air e Siouxsie and the Banshees e menos minuetos. E pra aumentar a aura rock 'n roll, um elenco jovem americano (Dunst e Jason Schwarzman), pitadas de humor (Molly Shannon, do SNL e Shirley Henderson, a garota fantasma em "Harry Potter"), uma atriz cult (Asia Argento), um britânico empertigado (Steve Coogan, de "24 Hour Party People") e a ex-musa, agora matrona Marianne Faithfull.

Sofia pode.

July 04, 2006

Disturbingly funny. Japoneses não batem muito bem da bola, isso é sabido. Mas esse programa de TV superou qualquer idéia de absurdo que eu teria. E aí eu chorei de rir, comecei a ver os outros com legendas e agora...


Hado gay hooooooooooo!


(o que ele invade uma reunião no Yahoo Japan, e o que ele tenta fazer crianças gostarem de pimentão são os melhores!)

July 03, 2006

Terminei o "On Beauty" ontem. Vida acadêmica x vida pessoal, liberais x conservadores, amor x sexo, beleza exterior x interior, negros x brancos, velhice x juventude, Inglaterra x Estados Unidos, chiaroscuro, etc - as dicotomias regem a vida da família Belsey. Como nos outros livros da Zadie Smith, os personagens são gente normal, com várias neuroses (o que os torna ainda mais normais, hahaha) normais, lidando com suas vidas e identidades raciais. É bom, mas não gostei tanto como de "White Teeth" e "The Autograph Man". Às vezes me senti lendo cenas não-engraçadas do "The Cosby Show".

Vi o trailer do novo Superman.

*bocejo*

July 01, 2006

Bom, a Copa já era. Mas com o Brasil jogando como estava, não ia rolar mesmo, mais cedo ou mais tarde. O que me irrita é ter perdido pra França.

Finalmente assisti ao "Da Vinci Code". Nada a acrescentar, já que o livro já é estruturado como um filme mesmo. Claro, o Ian McKellen fez um Leigh Teabing ótimo, que me fez ficar triste com a prisão dele, porque afinal de contas ele estava certo (ou pelo menos me convenceu de que estava!). Overall, foi legal, entertaining mas não life-changing. Exatamente como o livro, então acho que funcionou. E pelas imagens de Paris, minha cidade mais querida. E foi muito constrangedor ver o Jean Reno num papel tão idiota.

E Tom Hanks não dá, né?

E a internet é uma coisa fabulosa. Há algum tempo, por acaso, acabei achando o blog de uma amiga que conheço há dez anos, e não via pelo menos há cinco. Contato reestabelecido, coincidentemente ela trabalha num navio de passageiros e uma das rotas passa por aqui. Tudo bem, ela só tinha algumas horas em terra, mas foi o suficiente pra colocar uma parte do assunto em dia e matar a saudade. Ainda tô te esperando pra uma visita mais longa, Ju.

Demos uma volta pelo centro da cidade, paramos pra uma Hoegaarden no Poco Loco, um bar no Nieuwmarkt. Um dia de verão quente, de céu azul, que mais? Claro que passeando pela zona da luz vermelha, encontramos todos os outros crew members do navio. Acho que a atração-mor de Amsterdam é essa mesmo. Acabei fazendo compras, passei muito calor, comemos falafel e batata frita e pegamos o bonde de volta ao porto. Odeio despedidas.

June 29, 2006

Terça de manhã, nossos hóspedes queridos foram embora, e a vida voltou ao normal. Caí no sono no meio da tarde, porque nesses 3 dias eu fui sempre a última a dormir e a primeira a levantar, e quando acaba a agitação meu corpo me obriga a dar shut down. Mas claro, assisti ao jogo do Brasil, fiz pipoca e comecei a ler "On Beauty". Até as quatro da manhã. Eu não aprendo mesmo.

Update : o cara que jogou ácido na tela do Rijksmuseum é alemão e já atacou 165 obras em seu país. Foi detido e, depois de solto foi proibido de entrar em qualquer museu na Alemanha. Que ele fez? Veio pra Holanda... ¬¬

June 28, 2006

Segunda-feira, como a meninada não quis saber nem de acordar antes do meio-dia, fomos dar uma volta na feira perto daqui de casa. Como todo mundo que vem visitar, AA passou pela prova do haring, e gostou :)
À tarde, fomos ao Waterlooplein fazer compras, depois ao Nieuwmarkt e almoçamos no Eat Mode. Foi tudo ótimo, uma salada de algas absurda. Passamos pelo Red Light District, mas tudo ainda estava muito calmo. Andamos então até o Nieuwendijk pra procurar uma loja que vende roupas de hemp. Paramos num pub australiano bem na hora do jogo da Austrália contra a Itália. Não deu pra ver até o final (ainda bem), e passamos de novo no Damrak. Nessas, AA viu o pessoal da sua banda mais à frente e correu pra alcançá-los. Juntamos todo mundo então e fomos beber no nosso bar favorito, o De Blauwe Parade. A mesa parecia um quadro da Santa Ceia, hahaha.
Rosa, Fê e eu resolvemos correr até a Anne Frank Huis antes que fechasse. Foi a melhor decisão, nenhuma fila! Conseguimos percorrer a casa em paz, assistir aos audiovisuais e sentir um leve arrepio a cada aposento. Pra quem leu o diário, ver a estante que escondia a entrada do Anexo é emocionante. Gostei da visita, em 30-40 minutos vimos tudo. Voltamos pra casa e jantamos sashimi, tempura e sugaki, tudo preparado por nós. Foi lindo e divertido. E viciamos todo mundo em tempura de portobello, hohoho.