January 05, 2007

Um desses dias, resolvi fazer aquilo que estava me dando mais saudade : ir a pé até a Paulista. Apesar do calor, foi tão legal. Exceto pela parede humana que tive de ultrapassar perto do MASP, porque tinha um coral de natal se apresentando na frente de um banco, e todo mundo resolvia PARAR pra ver. Mas parar mesmo, no meio do caminho, até bloquear a calçada inteira. Grrr. Mas fui passando pedindo licença, porque São Paulo não é Holanda.
Quando cheguei no Espaço Unibanco pra ver o filme que eu queria, levei um susto com o preço do ingresso : 14 reau. E isso porque era uma terça-feira à tarde. Mas tudo bem, não tinha fila, e tive a impressão de que o lugar estava maior. Claro que era só impressão. Tomei um espresso no café, comprei uma lata de iced tea e entrei na sala.

O filme, "Time", é mais uma realização brilhante e perturbadora da mente do nosso velho Kim Ki-Duk. A premissa da mulher que passa por uma cirurgia plástica para mudar de rosto com a intenção de salvar o relacionamento levou alguns desavisados a achar que o filme versa sobre estética, ou beleza (juro que li isso em alguma crítica lá no Brasil - quem escreveu certamente não viu o filme), mas a palavra-chave na verdade é identidade. E claro, com a passagem do tempo - essa força implacável de transformação.
Achei curioso o personagem masculino ser mostrado trabalhando com filmes, um em especial : justamente "Bin-Jip", outro filme do KKD. Uma das passagens vistas em seu computador é a cena da balança, na qual os dois amantes se pesam juntos, como se fossem uma só pessoa, indissociável. Em "Time", existe esse mesmo desejo de unificação - que desta vez não se concretiza, justamente pela fragmentação da identidade da personagem principal. Imaginem, alguém que muda de identidade, se reaproxima do namorado como se fosse outra pessoa, e quando este corresponde, sente ciúmes de si mesma? Tanto a nova persona (See Hee) quanto a velha (Seh Hee). A nova sente ciúmes do amor que Ji Woo mantém pela antiga, enquanto a antiga se sente mal por estar sendo já "substituída". Not easy.
Surreal e fabulesco, é agressivo e doloroso ao mesmo tempo. Gostei muito, como de TODOS os outros trabalhos do KKD.

Depois do filme, liguei pro Iri e fomos tomar um café no Viena do Conjunto Nacional. Aaaaah, como é bom poder voltar a esse passado recente, mas tão fundamental na minha vida. Amigos queridos ao alcance, lugares familiares, rotinas confortáveis. Aproveitei o máximo que pude e fiz o caminho de volta para casa, antes que a chuva desabasse.

1 comment:

Gal said...

Quero e preciso assistir TIME. Tenho que acionar os meus contatos fornecedores de filmes sul-coreanos o mais rápido possível.

Beijos e namarië.