October 29, 2007




Não lembro exatamente o porquê de eu não ter visto "2046" no cinema, mas provavelmente porque foi na época em que eu estava mudando pra cá. Perdi aqui e perdi em SP. Por isso, logo comprei o DVD - que ficou até hoje mofando na prateleira, vejam só.

(ele estava em boa companhia, não se preocupem - os muitos outros que eu comprei e não vi ¬¬)

2046 é o lugar onde nada muda - onde moram os amores perdidos, aqueles que ficam na memória intocados pelo tempo. É o mundo que tantos buscam, e de onde ninguém retorna. Mas um certo Tak finalmente percebe a inutilidade de se apegar a um amor do qual só resta a imagem, um ídolo sem emoções. E volta.

Tak e 2046 são ficção, criação de um escritor solitário, Chow, que conhecemos do belíssimo "In The Mood For Love". Tentando superar o coração partido, ele vive agora sozinho num hotel decadente de Hong Kong, colecionando mulheres que não ama, transformando-as em personagens de suas histórias. Obviamente, Tak é ele mesmo, e 2046 o amor que não consegue esquecer - um mundo lindo, inalcançável e carregado de melancolia.

E como o Wong Kar-Wai sabe explorar a beleza da tristeza! Além de juntar todas as deusas do cinema chinês num filme só (Gong Li, Maggie Cheung, Zhang Ziyi, Faye Wong e Carina Lau) com o charmosérrimo Tony Leung (o homem mais sortudo do mundo?), conta ainda com aquela fotografia maravilhosa de cores saturadas do Christopher Doyle e uma trilha dramática de óperas e boleros : cores fortes e letras doídas que gritam o que os desiludidos sofrem em silêncio.


Siboney (E. Lecuona)

Siboney yo te quiero yo me muero por tu amor
Siboney al arrullo de la palma pienso en ti
Ven a mi que te quiero y de todo tesoro eres tu para mi
Siboney al arrullo de la palma pienso en ti

Siboney de mi sueño si no oyes la queja de mi voz
Siboney si no vienes me moriré de amor
Siboney de mis sueños te espero con ansias en mi caney
Siboney si no vienes me moriré de amor
Oye el eco de mi canto de cristal

Siboney de mis sueños te espero con ansias en mi caney
Siboney si no vienes me moriré de amor
Oye el eco de mi canto de cristal

No te pierdas por entre el rudo Manigual

6 comments:

Galaxy Of Emptiness said...

Ai, é lindo mesmo (embora eu goste mais do primeiro filme...). O Wong Kar-Wai e o Christopher Doyle brigaram e romperam a parceria. Pena. Quero só ver como serão os filmes futuros...

Beth Blue said...

puxa, fiquei com a maior vontade de assistir este filme!

Eu penso que... said...

Oi Annix,
Só passei para dizer que gostei da foto da autora, viu? Vc é bem corajosa, ainda não tive coragem de me identificar assim.
PS: Vc pode e deve usar o selo do "Este Blog Vale a Pena Conferir" (se quiser, ok?)
Bjs.

Gal said...

Primeiro: Wong Kar-Wai é o diretor. Mas, Christopher Doyle faz parte dessa definição. Os dois juntos criam mundos.
Segundo. 2046 e IN THE MOOD OF LOVE são dois dos meus filmes prediletos. Junto com CHUNGKING SEN LIN e FALLEN ANGELS. Agora, assim, meu coração fica dividido entre Tony Leung e Takeshi Kaneshiro. Eu amo TK. Muito.
Por sinal, teve um festival de cinema por aqui em 2005, finalzinho do ano, e passaram IN THE MOOD OF LOVE e 2046. É uma experiência fantástica vê-los na telona.
Ai, Annix, não puxa o assunto de cinema oriental não. Senão meus comentários serão enormes, porque, pra mim, não há cinema atualmente melhor do que o da China e o da Coréia do Sul.

Beijos e namarië.

Annix said...

Gal, os seus comentários são sempre bem-vindos, ué. Vc sabe que partilhamos do gosto pelo cinema oriental ;)

(eu disse CINEMA! hahahaha)

Brigada, Déa!

Beth Blue said...

Assisti o filme no fim-de-semana passado e simplesmente amei. Maravilhoso mesmo! Ainda escreverei sobre ele no meu blog.