March 15, 2007

Assisti também ao "Notes on a Scandal", basicamente um bom filme graças ao trabalho de duas atrizes excepcionais. Imagino que poucas conseguiriam não ser engolidas ao dividir a tela com Dame Judi Dench, e a Cate Blanchett me surpreendeu.

A trama cheia de subtextos psicológicos de certa forma me fez pensar no "Persona", do Bergman. A mesma relação de dependência, deception (não sei mais como seria em português - ilusão, enganação? Deve existir uma palavra mais adequada), jogo de poder, culpa, tensão (sexual, principalmente), o desejo de identificação, o isolamento. Claro, "Notes" é mais explícito e nos dá todas as informações para se entender a frustração e vulnerabilidade de Sheba (e com um menino daqueles, quem resistiria?), mas deixando as motivações de Barbara num nível de sugestão apenas. O que a torna mais aterrorizante, uma vez que ela parece ser puramente movida a obsessão/repressão, quase inumana.

Pra completar, esperando o bonde pra ir pra casa notei que um cara ficou me observando um tempão no ponto, ali na Leidseplein. Olhando de soslaio vi que era um holandês, alto e magro, de sobretudo preto. Bem-apessoado até, uma coisa meio Willem Dafoe. E ele ficou olhando pra mim (testei olhando pro alto, como se algo tivesse chamado minha atenção, e ele olhou pra mesma direção - e toda vez que eu virava o pescoço, lá estava ele olhando). Comecei a ficar inquieta e decidi que ia entrar por último no bonde pra poder ficar pra trás e ele não ver onde eu ia descer. Just my luck, a porta abriu BEM na minha frente, e não tive outro jeito a não ser entrar primeiro.
Fui sentar lá na frente, onde tinha mais gente, apesar de estar cheio de lugares vazios no fundo. Escolhi um lugar frente à "junta" do bonde, onde não há cadeiras na frente. E não é que a criatura me seguiu e ficou de pé, encostado na parede oposta ao meu banco, no espaço vazio da "junta"? Aí já peguei o celular e pensei em tirar uma foto dele por precaução, mas fiquei com medo dele notar e ter a idéia errada. Fiquei então mexendo com o celular, fingindo estar muuuito ocupada, e checando de vez em quando pelo reflexo na janela.
Chegando cada vez mais perto do meu ponto (um dos últimos da linha), e nada dele fazer menção de descer. Fiquei pensando se era melhor eu descer antes e esperar outro bonde. Mas e se ele descesse atrás? Liguei então pro Akira, que falou que ia me esperar no ponto, e fiquei mais aliviada. Notei também que depois que liguei, ele pareceu perder o interesse (não sei se por eu ter falado em uma língua estranha ou por ter ficado claro que alguém me esperava em algum lugar) e parou de olhar. Mesmo assim, esperei até o último minuto pra dar o sinal de parada, e levantei e saí o mais rápido possível. Quase tropecei na escada. Olhei pra trás, e ninguém desceu junto. Ufa.

4 comments:

Gal said...

Fiz um comentário enorme, mas o blogger apagou! Que coisa! Mas, basicamente, eu dizia que você fez certo em ligar para Akira. E que medo! Eu já imaginei a figura como Willem Dafoe em O PACIENTE INGLÊS: bem apesoado, mas perigosamente sorrateiro.
Que medo mesmo! E eu sei como é passar por situações como essas.
Ainda bem que só foi um susto!

Beijos e namarië.

xris said...

gente que post tenso! haha.

a coisa que eu mais quero no mundo é um orkut de imagens. imagina encontrar o perfil desse cara? e ele só ter comunidades tarja preta... hahaha. eu torceria pra ele estar em umas, tipo, 'só vou pro céu se for openbar'.

Beth Pinheiro said...

este post me lembrou até um filme noir. bom mesmo o Akira ter te encontrado no ponto, tem cada maluco neste mundo! eu hein...

Beth Pinheiro said...

foi culpa da sua maria-chiquinha!!! hahaha, sabe-se lá, deve ser fetiche do cara.