September 15, 2007

Imaginem o que é entrar numa sala de concertos pequena, intimista, praticamente um cubo com apenas quatro fileiras de cadeiras centrais e outras tantas laterais, todas ocupadas. Quem senta na primeira praticamente põe o pé no palco. Que é um tablado quase ao nível do chão.

Agora imaginem subindo ao palco uma big band com um naipe de metais completo (trombone, trompetes, sax soprano, alto, tenor e barítono), gaita, um baixista, dois bateristas, dois guitarristas, uma percussionista, uma tecladista, uma flautista, uma go-go girl, três bailarinos de butô, um pintor, um violinista, um bandleader que bebe vodka no palco e um MC de sunga e quimono enlouquecido. São 26 pessoas.

Claro, a isso tudo acrescentem o fato da banda ser japonesa.

Imaginem que a big band toca free jazz, Zappa, baladas com arranjo à la Burt Bacharach, rock e ska com a mesma energia, com solos dignos do Ornette Coleman e John Coltrane, guitarras metaaaaaaal, vocais doces e etéreos e grooves à James Brown. E durante todo o show, a go-go-girl dança sem parar em seus figurinos e perucas coloridas, uma mulher dança segurando duas bananas de plástico como se fossem katanas, os bailarinos de butô fazem suas coreografias baseadas em histórias criadas em suas cabeças e o pintor cria um quadro no fundo do palco. Os músicos páram de vez em quando para sacar as câmeras digitais e tirar fotos dos colegas e do público, e o bandleader sinaliza convenções nada convencionais. A flautista veste asas de anjo, um dos guitarristas usa longos dreadlocks e chinelos e o outro parece um modelo de bom moço japonês. O MC conta uma história sobre pescadores japoneses e incita a platéia a cantar junto, enquanto os dançarinos portam tendas em formato de guarda-chuva.

Não é sonho, mas é bem próximo disso : é uma apresentação da Shibusa Shirazu Orchestra. O nome quer dizer algo como "foda-se o cool", e cada show pode ser diferente, mas nunca menos que espetacular. Acho difícil chegar ao Brasil, já que o custo de se levar uma equipe enorme do Japão para a América do Sul é bem alto, mas torçam para que alguém enxergue a luz. Ou veja os vídeos do site oficial, ou os meus tosquinhos no YouTube (quando eu tiver tempo de fazer o upload).

1 comment:

Gal said...

UAU. Eu queria ver esse show...
Obrigada pelos comentários em meu blog. Adorei eles.

Beijos e namarië.