October 10, 2007

Putz, me vi às voltas com uma pergunta que me fizeram aqui : "que tipo de música faz sucesso em São Paulo hoje?". A pessoa queria saber também se existia algum movimento na linha MangueBeat rolando atualmente no Brasil, ou algo do gênero, visto o sucesso do CSS.

Cacete, que resposta difícil. Hoje em dia, com a disponibilidade de gêneros e possibilidades no Myspace e outros sites, com a velocidade em que surgem bandas novas e a facilidade com que tudo cai na rede, eu acho que acabou essa história de "movimento" - não é mais necessário o agrupamento pra se conseguir visibilidade, e nem as pessoas têm esse espírito de criação coletiva unidirecional. Cada um faz o seu som. Certo, e também não se cria nada de novo. Como eu sempre digo, o Manguebeat foi o último movimento criativo na música brasileira. Tudo que veio depois é reciclagem.
E agora eu vejo se repetir o fenômeno dos anos 80, quando TODO mundo se metia a ter uma banda - obviamente, a maioria era muito ruim, mas as boas eram ótimas. A diferença é que o esquema da época era completamente manco, em termos de produção, distribuição e divulgação. Hoje com a internet e os equipamentos certos, isso é fichinha - pode-se fazer tudo de casa, com um alcance que os anos 80 nem poderiam imaginar. Daí que somos inundados de novas bandas, todos os dias, de todos os gêneros, de todas as procedências, por todos os lados. Haja filtro pra ter alguma favorita.

(O CSS, assim como o Bonde do Rolê, estourou por dois fatores : esse da facilidade de divulgação, e o de ter o conceito certo na hora certa - que não foi entendido no Brasil na época em que surgiu. Além, é claro, de ser ótimo de verdade - música, visual, integrantes e atitude na combinação pop perfeita. Expliquei pra pessoa que CSS e Bonde são um fenômeno, casos isolados)

Fui aos sites de algumas rádios de SP pra ver o que o paulistano médio ouve. São duas vertentes : a popular, com forró, pagode e funk, e a MTV Brasil/rádios rock, onde reinam Charlie Brown Jr., Fresno e CPM22. E tem o pop/r&b/hip-hop que ambas ouvem, como Rihanna, Beyoncé e Diddy - assim como o resto do mundo, mas a parte internacional não interessa aqui.

Fora do mainstream, obviamente a qualidade sobe drasticamente, mas o cenário é totalmente fragmentado : as opiniões se dividem entre bandas do Ceará, do Paraná, de Minas Gerais, do RS, do Rio e algumas de São Paulo, mas que eu saiba, não existe unanimidade, algo de que TODO mundo goste. Não conheço todas, mas claro que há grupos ótimos, com público cativo - mas eu realmente não chamaria isso de "sucesso", no sentido com que me foi perguntado, certo? Hit pra 200 pessoas é hit? Se eu fizer uma seleção das dez melhores bandas de SP, não posso dizer que sejam os dez maiores sucessos. Qualidade e comerciabilidade são conceitos que às vezes não gostam de andar juntos...

Ou seja, existe um movimento musical em SP? Não (movimento comportamental, sim). Dá pra se dizer o que é "hot" em SP? Depende de que SP você está falando.

4 comments:

Diego said...

ja pensei sobre isso da musica que faz sucesso em SP mas fica dificil tentar responder dado que não ouço radio. Infelizmente não tem mais radios legais aqui. 89 FM, Brasil 2000 etc ja eram.
CSS? Puxa, não consigo gostar deles, acho só hype mesmo, não tem jeito. E justo eu que fui fissurado em anos 80: Smiths, Joy Division, Cocteau Twins, Durutti Column ...
Nessa decada o rock nacional era legal. Violeta de Outono, Felini e obvio, o Akira S.
Ah, vi que vc ouviu Beirut no lastfm. Gostei muitissimo da banda e ouço direto.

Gal said...

Nem menciono Recife. Mas, juro, não sendo pagode, brego ou nada EMO já é menos mal.

Beijos e namarië.

annix said...

Pois é, diego, eu tb nunca ouço rádio, fiquei surpresa com os "top hits" de SP. Eu gosto de CSS, assim como gosto de Le Tigre, Chicks On Speed e etc, entre outras coisas :-) Ao vivo é muito bom mesmo.
E os anos 80 foram a última década criativa da história...

Nossa, Gal, eu tenho a impressão de que Recife é uma cidade tão cheia de gente criativa! Além de ser bem rock, tem rolado bastante coisa aí, pelo que vi. Há esperança! :-)

Gal said...

Annix, sei não, viu! Por aqui, depois do Chico Science, as coisas ficaram meio mornas. Só um detalhe: sinto arrepios toda vez que dirijo pelo viaduto em que ele bateu o carro e morreu. Ficou uma energia péssima ali.
Acho que, daqui, só gosto mesmo do MELLOTRONS.
Tem uma galera rock aqui, com certeza. Mas é muito pouco em comparação com o povo EMO e brega.
Mas, sempre há esperanças mesmo.

Beijos e namarië.