September 27, 2007



Fui a Rotterdam hoje resolver umas papeladas e aproveitei pra conhecer o museu Boijmans van Beuningen. Com uma exposição incrível chamada "Collection One", que reúne de pinturas medievais a Nam June Paik distribuídas num espaço grande e iluminado, eu tenho de dizer que superou minhas expectativas. A inspiração parece ser o MoMA de NY, incluindo uma seção de design industrial modesta ainda.
Há grafites e Cindy Sherman, Van Goghs e Cézannes, UM Rothko e UM Munch, Roy Liechtenstein, uma ala maravilhosa de arte flamenga do século de ouro, vários contemporâneos e surrealistas. Mas não pára por aí. Arte sacra do alta Idade Média (que eu não gosto, mas vá lá), esculturas que alternam a vitalidade de Rodin às formas suaves e fartas da Venus Victrix de Pierre-Auguste Renoir. É um grande panorama da arte mundial entre os séculos XVI e XX num só prédio. Gostei MUITO.
Mas o que fez valer a visita mesmo foram quatro coisas :

1. A incrível série de gravuras do Philippe Galle sobre as Sete Virtudes, baseada na do Pieter Bruegel - três virtudes religiosas (Fé, Esperança e Caridade) e quatro cardeais (Força, Prudência, Moderação e Justiça) retratadas antropomorficamente, rodeadas de cenas que as desafiam. A imagem da Justiça, vendada e segurando uma balança, que ainda é a que usamos hoje. A Esperança fica em meio a barcos presos em tempestade e pessoas doentes. A Prudência carrega um caixão e um espelho, porque os precavidos têm sempre em consideração a possibilidade da morte e mantêm-se a si próprios em constante vigilância. E por aí vai. Como um contraponto aos Caprichos de Goya, mas com o mesmo ar de fantasia, absurdo e terror. Achei genial.

2. Desta vez do próprio Pieter Bruegel (o Velho) : a Torre de Babel. Eu sempre vi esse quadro em ilustrações, mas de perto achei genial. Esse exposto no Boijmans é pequeno, mas ao me aproximar da tela vi os minúsculos humanos em volta, como formigas - e daí toda a proporção se revela e você imagina a lendária Torre como uma construção gigantesca e cheia de simbologias.

3. A incrível instalação da dupla Steiner&Lenzlinger, os "Quartos de Dormir Vegetativos". Quatro salinhas com ambientes onde se pode entrar e fechar a porta, para se apreciar melhor as decorações : uma árvore feita de ossos (foto acima), uma mini-floresta coberta de cristais cor-de-rosa, um globo cheio de "sementes" e uma "rede" de flores e animais. O visual é magnífico e o conceito, intrigante. Quase comprei um livro deles, talvez da próxima vez.



4. Hieronymus Bosch. Sempre achei fascinantes os quadros povoados de figuras demoníacas e deformadas, representativas da natureza humana numa visão bem...realista? hahaha. Ouvi falar do Bosch pela primeira vez quando eu era criança, num livro, e esse nome e personalidade nunca me saíram da cabeça desde então. Quando encontro algum museu que tenha obras suas no acervo, já considero favorito.

E eu, que achava que ia poder ainda passear pela cidade depois de ir ao museu, tive que sair correndo pra ver o resto da coleção e depois, direto pra estação. Voltarei.

6 comments:

Gal said...

Anotado na agenda! Tomara que eu consiga ir ano que vem!

Besos y namarië.

Galaxy Of Emptiness said...

Sim, voltará! Comigo! Ano que vem baixo aí, hehehehe! Bjs!

Arnild said...

Boa dica!
Beijos!

Beth Blue said...

Então vou me convidar pra ir com você da próxima vez!!! Também adoro Hieronymus Bosch e sempre fui apaixonada pela tal Torre de Babel (entre outros).

Cris A. said...

Hieronymus Bosch é absolutamente fantástico.

Minha profa. de História da Arte mostrou "O Jardim das Delícias" há uns dois anos pra gente; a sala ficou tão chocada que nem piadinhas idiotas conseguiram fazer, haha :)

bjs!

annix said...

Heh. Tou vendo que minhas amizades são escolhidas a dedo! ;)