Ah, sim. Custa a bagatela de 200.000 euros. Se quiser vaga na garagem, são mais 18.000. Será que a vaga vai ser triangular também?
October 23, 2007
October 22, 2007

Maravilhas da arquitetura holandesa. Isso aqui é a planta de um apartamento. Não é digno de um Simbecil?
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Annix
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10:48 PM
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Labels: Amsterdam
October 21, 2007
* Aqui não tem restaurante árabe. Claro, tem marroquino, turco, persa e libanês, mas o que eu queria mesmo era um dos que a gente conhece como árabe no Brasil. Que tenha quibe cru, frito e assado, hummus com pão sírio torrado, salada fatouche, esfiha, essas coisas. Mas como não tem, tive que aprender a fazer tudo isso aí. Os primeiros não são problema, mas as esfihas são the tricky part. A massa sempre sai meio de pizza, quando teria de ser um pouco mais elástica e macia. Será que usar receita de focaccia é muita heresia? Também não queria que saísse com jeito de esfiha de lanchonete, que são mais uns pãezinhos recheados do que qualquer outra coisa. Hm.
* Como a gente adora cozinhar, entrei numas de querer usar o mínimo possível de produtos processados industrialmente. Holandês definitivamente não é um povo que cozinha, não tem paladar e adora misturas prontas pra tudo (molho, pizza, purê, omelete, paella, whatever) e todo dia no supermercado eu vejo gente comprando pratos semi- prontos, e eu olho a cara daquilo e acho tão incrivelmente disgusting. Quão difícil é fazer espaguete à bolonhesa, peixe ou arroz? Eu entendo a praticidade - não suja panelas, não tem que picar cebola, etc. Só colocar a caixinha no microondas e pronto - pra quem trabalha e/ou mora sozinho deve ser uma mão na roda. Mas eu fico enjoada vendo aquelas maçarocas. Não sei nem se é bom, porque nunca tive coragem de experimentar.
Enquanto isso, eu vou tentando fazer o que dá from scratch - além da comida de todo dia, que é sempre feita com ingredientes frescos, pão e massa de pizza já faço periodicamente, e pasta está nos planos. Já descobri também que é possível fazer ricota e manteiga em casa, e dizem que quem prova o produto caseiro não quer mais saber do comercial (hippie é a vó). Claro que isso demanda tempo e uma certa habilidade, mas eu curto tentar fazer tudo uma vez pelo menos, só pra ver o resultado. Fora que ter controle de vez em quando sobre a higiene e preparação daquilo que você come é um alívio.
(mas não se enganem, eu adoro um Whopper duplo com queijo, coisas enlatadas, embutidos em geral e batata frita. Sou hipócrita and I love it)
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Annix
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11:07 PM
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Labels: comida
Ainda sobre "Stardust" : o livro e o filme são duas coisas distintas, ainda que relacionadas. Se o filme corta algumas passagens do livro que teriam sido bem interessantes visualmente, também desenvolve com mais humor os personagens que entraram no roteiro. E ainda tem o lance dos dois finais serem diferentes - o do filme é, obviamente, mais adequado a um conto de fadas Grimm. O tom geral do livro é mais melancólico e sarcástico, e não tem grandes explosões e raios de luz. Mas gostei de ambos.
(o Gaiman explica numa entrevista que um dos personagens do livro, uma árvore, é a Tori Amos. Hein?)
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Annix
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5:15 PM
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October 19, 2007
Nunca coloquei o Joy Division entre minhas bandas favoritas, curiosamente. Triste demais, sombrio demais. Entretanto, há que se reconhecer o poder daquelas linhas de baixo poderosas do Peter Hook e das letras e performance angustiadas de Ian Curtis. Durante a sessão de "Control", esses dois fatores insistiam em me arrepiar os pêlos. O tempo todo. E, percebi, conheço todas. Assim como você.
Num filme onde já se sabe o final, o importante é tentar entender a trajetória humana do mito Curtis, e de onde surgiram músicas fundamentais como "Love Will Tear Us Apart" e "She's Lost Control". O filme do Corbijn é em preto-e-branco - não poderia ser de outra forma. A vida na Manchester do final dos anos 70 dificilmente teria cor.
Fora isso, há todo o contexto. Factory Records, e o inesquecível Tony Wilson, que morreu há pouco tempo. Sex Pistols, Iggy Pop, David Bowie, Buzzcocks, Cabaret Voltaire, A Certain Ratio. O pós-punk nasceu ali, e com ele dezenas de bandas que até hoje influenciam a música contemporânea.
"Control" é um belíssimo filme, sobre uma belíssima pessoa num belíssimo momento. Apesar de ser baseado no livro de Deborah Curtis, viúva de Ian, em nenhum momento toma partido na questão da crise do casamento e do caso com a belga Annik. Fãs e não-fãs, assistam.
(e fechar com "Atmosphere" é quase golpe baixo, eu digo. Já vi que vou passar dias ouvindo Joy Division)
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Annix
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8:31 PM
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October 18, 2007
Ontem fomos ver o show do Marcus Miller no Paradiso. O cara é de um talento e musicalidade inegáveis, tendo tocado com o Miles Davis na década de 80, e eu curto baixistas que fazem slapping (heh). A primeira metade foi ótima. Mas quando ele chamou uma cantora convidada e começou a rolar aquele pop-jazz misturado com r&b odiável, desencanamos e fomos ver a outra banda que estava tocando na sala menor. Bem rock and roll, mas achei igualmente chato. O vocalista era meio gordinho e ficava pulando pra lá e pra cá, o que só me fez lembrar do Jack Black no School of Rock.
Ainda bem que existe cerveja, nessas horas.
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Annix
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3:06 PM
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Labels: shows
Projeto fotográfico : Running From Camera.
via HectorLima (muitos outros links interessantes, vão lá!)
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Annix
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Labels: recomendações
October 17, 2007
Sonhei que estava em São Paulo, num supermercado. E quando percebi, no sonho, onde estava, pensei : "Tô em São Paulo? Tenho que aproveitar e comprar pão francês!"
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Annix
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4:52 PM
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Labels: confessions
October 16, 2007
Uou. "The Bedroom Secrets of the Master Chefs" pode não ser o melhor livro do Irvine Welsh, mas eu gostei paca. Como resistir a uma versão escocesa punk-rock de Dorian Gray?
Numa saga que começa num show do Clash em Edinburgh, Danny Skinner tenta equilibrar trabalho, vida amorosa e alcoolismo enquanto vai atrás da resposta de um milhão de libras : quem é seu pai? Sua mãe, uma punk envelhecida que trabalha como cabeleireira, não quer lhe contar.
No meio do caminho, tromba com Brian Kibby, seu oposto e nêmesis. Magro, tímido, nerd e virgem. E arrimo de família.
Esses dois arquétipos se engalfinham em torturas psicológicas e, mais tarde, físicas também - quando, por algum motivo, Skinner descobre que pode desviar para Kibby todas as consequências de seus auto-abusos. Kibby começa então a sentir dores inexplicáveis e vê seu corpo e mente desintegrarem-se à medida que Skinner mergulha no álcool, drogas e brigas e emerge cada vez mais lúcido, íntegro e em controle de sua vida.
Claro, tudo fica meio óbvio a partir de um certo momento, mas curti as zilhões de referências - literárias, musicais, culturais e gastronômicas, misturado ao fato de nenhum dos dois personagens ser especialmente gostável ou totalmente odiável. Sem falar na parte em que se diz que Coldplay e U2 são música de elevador. Como eu posso não gostar de um livro que concorda comigo?
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Annix
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1:02 PM
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Labels: livros
October 15, 2007
Eu até queria comentar sobre "Stardust", o filme baseado no livro, mas o que poderia ser melhor que um texto do próprio Gaiman, neste artigo no Guardian?
Robert DeNiro e os contos de fadas nunca mais serão os mesmos.
(e a Sienna Miller poderia sumir de vez, por mim)
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9:31 PM
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Você gosta de post-rock? De pós-punk? De progressivo? De experimental? De noise? De John Cage? De Zappa? De música dodecafônica/serial/atonal? De free jazz? De Kraftwerk? De Can? De sonoridades estranhas e ritmos não-convencionais?
Se respondeu "sim" a qualquer uma dessas perguntas, vai certamente gostar de Battles. Se é que já não gosta. O rótulo oficial é math rock, mas não se assuste com o nome seco. É criativo, energético e muito, muito envolvente.
Fomos ontem ao show deles no Melkweg. Lotado, e muitas e muitas cabecinhas pulando ao ritmo das batidas, como fazia tempo que não via. Especialmente em se tratando de música instrumental. As influências estão todas ali, reconhecíveis, mas o produto final consegue ser algo próprio, não um mero pastiche.
Tocarão no Brasil em breve. Dos meus amigos, tenho quase certeza de que a Dani e o João devem curtir, e desde já jogo a idéia pra Cris A. e pra Ana, que têm um bom gosto notório.
Pra variar, os meus videozinhos toscos (o som não faz jus ao show, por favor procurem coisas mais decentes no YouTube):
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Annix
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12:55 AM
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October 12, 2007
Fui assistir a "Duska", do Jos Stelling. Que provavelmente é o único diretor holandês conhecido no Brasil (fora o Paul Verhoeven), por "De Illusionist" e "No Trains No Planes".
Bob é um crítico de cinema, cinquentão e solitário. Vive em Amsterdam, em frente a um cineclube - que frequenta quase que diariamente. Tem uma paixonite pela menina da bilheteria, mas é tão tímido que nunca consegue dizer nada. Até que um dia, por força do acaso, se vê com ela em seu apartamento. E nesse momento, surge Duska - um russo simpático, amoroso e, acima de tudo, sem noção. Que se instala na sala de Bob, que a princípio aceita a situação. Mais por não saber o que fazer do que por qualquer outra coisa, mas críticos de cinema também têm coração. Acho.
Com essa história simples, com um pé no improvável e outro no cinema mudo, e esse elenco enxuto e competente, poderia ser um filme extraordinário. Mas saí do cinema achando que faltou algo. Os dois protagonistas são quase clowns, quase clichês. O filme não chega a ser nem história de amor nem comédia. Não é ousado, mas também não é tradicional. Não chega às raias do absurdo e também fica longe do real. Na verdade, não chega a lugar algum no geral. De repente esse é o problema, o não-chegar-lá.
Achei interessante o ênfase na incomunicabilidade - Bob quase não fala, e por vezes não escuta. A garota fala um pouco, mas não revela absolutamente nada de si por meio das palavras. E Duska fala por monossílabos, pelo obstáculo do idioma. Esses três se comunicam no nível mais básico, mas nenhum deles entende o outro realmente. Mas mesmo isso é pouco para sustentar um filme - meia mensagem é pior que nenhuma.
Pra mim, valeu como uma homenagem ao Filmmuseum Cinerama, que foi a locação para o cineclube da história, e que foi demolido recentemente. Inclusive a demolição foi retratada no filme, o que me lembrou o final de "Durval Discos", de certa forma, querendo dizer a mesma coisa. Que o tempo passa.
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Annix
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11:20 PM
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Labels: filmes
October 11, 2007
Bom, a brincadeira de "abrir o livro mais próximo na página 161 e transcrever a quinta frase completa" deu sua 7564ª volta ao mundo e fui tagged pela Julia.
É curioso como certos termos acabam sendo usados ou entendidos de forma errônea. Eu ia dizer que esse jogo não poderia ser chamado de meme. Meme é um termo cunhado pelo autor do livro "The Selfish Gene", Richard Dawkins. Pela definição, teria de ser um elemento cultural que vai sendo transmitido se for considerado relevante (o que é relativo), como se fosse uma informação genética. Algo que aprendemos com outros, interpretamos e realizamos do nosso jeito, e eventualmente passamos adiante. Uma lenda urbana é um meme. O jingle dos Cobertores Parahyba é um meme. O marketing viral é um meme. Nosso comportamento social é memético, assim como nosso aprendizado da linguagem. Contudo, pensando nisso, acho que o próprio conceito de "meme" se tornou um meme em si - foi entendido ou empregado erroneamente por alguém em algum momento, e está sendo difundido nessa nova forma. Interessante.
Dito isso, vamos lá. Aqui o livro é "Japonês em Quadrinhos", do Marc Bernabé, e a frase é "Em português fazemos uma diferenciação apenas entre 'irmão' e 'irmã'".
Essa informação foi útil pra alguém? É, imaginei.
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Annix
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2:59 PM
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Labels: internet
October 10, 2007
Putz, me vi às voltas com uma pergunta que me fizeram aqui : "que tipo de música faz sucesso em São Paulo hoje?". A pessoa queria saber também se existia algum movimento na linha MangueBeat rolando atualmente no Brasil, ou algo do gênero, visto o sucesso do CSS.
Cacete, que resposta difícil. Hoje em dia, com a disponibilidade de gêneros e possibilidades no Myspace e outros sites, com a velocidade em que surgem bandas novas e a facilidade com que tudo cai na rede, eu acho que acabou essa história de "movimento" - não é mais necessário o agrupamento pra se conseguir visibilidade, e nem as pessoas têm esse espírito de criação coletiva unidirecional. Cada um faz o seu som. Certo, e também não se cria nada de novo. Como eu sempre digo, o Manguebeat foi o último movimento criativo na música brasileira. Tudo que veio depois é reciclagem.
E agora eu vejo se repetir o fenômeno dos anos 80, quando TODO mundo se metia a ter uma banda - obviamente, a maioria era muito ruim, mas as boas eram ótimas. A diferença é que o esquema da época era completamente manco, em termos de produção, distribuição e divulgação. Hoje com a internet e os equipamentos certos, isso é fichinha - pode-se fazer tudo de casa, com um alcance que os anos 80 nem poderiam imaginar. Daí que somos inundados de novas bandas, todos os dias, de todos os gêneros, de todas as procedências, por todos os lados. Haja filtro pra ter alguma favorita.
(O CSS, assim como o Bonde do Rolê, estourou por dois fatores : esse da facilidade de divulgação, e o de ter o conceito certo na hora certa - que não foi entendido no Brasil na época em que surgiu. Além, é claro, de ser ótimo de verdade - música, visual, integrantes e atitude na combinação pop perfeita. Expliquei pra pessoa que CSS e Bonde são um fenômeno, casos isolados)
Fui aos sites de algumas rádios de SP pra ver o que o paulistano médio ouve. São duas vertentes : a popular, com forró, pagode e funk, e a MTV Brasil/rádios rock, onde reinam Charlie Brown Jr., Fresno e CPM22. E tem o pop/r&b/hip-hop que ambas ouvem, como Rihanna, Beyoncé e Diddy - assim como o resto do mundo, mas a parte internacional não interessa aqui.
Fora do mainstream, obviamente a qualidade sobe drasticamente, mas o cenário é totalmente fragmentado : as opiniões se dividem entre bandas do Ceará, do Paraná, de Minas Gerais, do RS, do Rio e algumas de São Paulo, mas que eu saiba, não existe unanimidade, algo de que TODO mundo goste. Não conheço todas, mas claro que há grupos ótimos, com público cativo - mas eu realmente não chamaria isso de "sucesso", no sentido com que me foi perguntado, certo? Hit pra 200 pessoas é hit? Se eu fizer uma seleção das dez melhores bandas de SP, não posso dizer que sejam os dez maiores sucessos. Qualidade e comerciabilidade são conceitos que às vezes não gostam de andar juntos...
Ou seja, existe um movimento musical em SP? Não (movimento comportamental, sim). Dá pra se dizer o que é "hot" em SP? Depende de que SP você está falando.
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Annix
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1:45 PM
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Labels: música
October 09, 2007
Spreading the insanity.
(pra tentar entender, aqui)
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Annix
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12:32 PM
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Labels: recomendações
October 06, 2007
Ler sobre a Aum Shinrikiyo me fez lembrar por que eu não tenho religião, e nunca tive. Também não condeno quem tenha, claro, mas o ideal seria que cada um filtrasse o que faz mais sentido para si, ao invés de abraçar completamente os dogmas e doutrinas que cada vertente apresenta. Ao mesmo tempo, entendo que a prova de fé mais exigida é justamente essa, a da aceitação cega - e algumas pessoas não têm escolha.
E eu vejo que o que atrai nas religiões e cultos é justamente essa desobrigatoriedade de pensar, de ter de estabelecer por conta própria o que é "certo" e "errado". Seguir preceitos E ganhar ainda por cima a "salvação", negocião.
Meu pai era uma pessoa especialmente cética, mas não desprovido de alguma fé (paradoxo? heh, todos somos). E quando eu e minha irmã nascemos, ele se recusou a nos restringir a qualquer religião pré-estabelecida, e nunca fomos batizadas ou qualquer coisa parecida. Que nós encontrássemos nosso próprio caminho e crenças quando pudéssemos. Ou quiséssemos.
Curiosamente, acabamos estudando a vida toda numa escola italiana, e consquentemente, católica. As horas das aulas de catecismo eram livres pra nós, juntamente com as crianças judias - eu passava todas na biblioteca, e não achava nem um pouco ruim, hahahaha.
Na época da Primeira Comunhão, eu obviamente me sentia um pouco de fora, porque afinal todos os coleguinhas estavam concentrados nisso, e as meninas usavam aqueles vestidos meio de noiva. Mas ao mesmo tempo sabia que não estaria confortável naquele meio, então nunca foi um trauma :)
Anos mais tarde, voluntariamente ou não, acabei entrando em contato superficial com vários tipos de religiões. Alguns me interessavam mais, outros menos. Li algumas histórias bíblicas, outras budistas, outras afro-cubanas e algumas espíritas, e achava tudo muito interessante. Mas a verdade é, eu acho que nunca estive em busca de respostas. Tudo que eu queria saber nesse campo, eu sabia instintivamente, ou chegava a conclusões próprias, depois de ler. Eu seria o pior alvo de uma seita, porque simplesmente eu nunca busquei respostas. Simplesmente acreditava naquilo em que acreditava, e pronto. Nunca nem sei de onde veio isso tudo.
Depois que meu pai faleceu, tive cada vez mais provas de que sim, existe algo sobre-humano e além da vida que conhecemos - e como nunca tive nenhuma base religiosa, tudo isso se acrescentou bem ao em que já acreditava. Conversei há pouco tempo com uma pessoa interessantíssima, que estuda teologia entre outras coisas. E vejo cada vez mais como é mais proveitoso analisar tudo a partir de um ponto de vista descompromissado. Acreditar em algo é uma necessidade do ser humano, mas religiões são algo criado por nós mesmos - não há nada de "divino" aí. Os mandamentos, regras, whatever, são regras de bom senso e convivialidade, nada mais. Rituais são criados para se manter a disciplina necessária ao comportamento social básico e, principalmente, para atender àqueles que necessitam de algo concreto para confirmar que sim, acreditam em algo. E também que pertencem a algum lugar.
Eu? Eu tenho medo só das interpretações que alguns fazem do que lêem e consideram sagrado. Aula de interpretação de texto neles.
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Annix
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10:28 PM
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Labels: confessions
Er, a pergunta da Julia no post de baixo me fez perceber uma coisa - não faço idéia se a maior parte dos livros, filmes ou whatever que eu recomendo ou falo sobre aqui são facilmente disponíveis onde quer que quem leia isto aqui mora. Sorry about that :-\
(mas gente, eu tenho de dizer que o acesso a coisas importadas - especialmente livros, filmes e discos - melhorou PENCAS no mundo todo. Eu lembro como era no Brasil há 15, 20 anos - em São Paulo, ainda tínhamos a Livraria Cultura pelo menos - imagina nas outras cidades. Hoje é facinho)
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Annix
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9:11 PM
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Labels: confessions, livros
October 05, 2007
Ainda estou nas últimas páginas, mas "Underground", do Haruki Murakami, já é um livro que recomendo fortemente.
Quando do ataque com gás sarin ao metrô de Tóquio em 1995, perpetrado por membros da seita Aum Shinrikyo, muito se noticiou sobre a tragédia que afetou milhares de pessoas - mas como sempre, em geral a mídia se esquece de que cada vítima é um ser humano, com vida, família, história e sentimentos. O Murakami resolveu levantar esse lado do desastre e se pôs a tentar entrevistar os sobreviventes, pra mostrar a visão de quem estava lá - o que pensaram, o que sentiram, o que fizeram. Não surpreendentemente, foi difícil. A cultura japonesa preza a discrição, o abafamento do escândalo, e ele mal conseguiu uns 60 depoimentos.
A versão traduzida para o inglês só traz metade dessas histórias, mas são mais do que suficientes para revelar aspectos da sociedade que, para quem vive no mundo ocidental, parece tão enigmática às vezes. Eu mesma me surpreendi ao saber que lá tanta gente que se programa para chegar pelo menos uma hora antes do início do horário de trabalho. É o mínimo esperado. Também fiquei chocada com o pensamento fixo de algumas vítimas que, intoxicadas com o gás, mal conseguiam andar ou falar : "tenho que chegar no trabalho a tempo". Fiquei com pena de quem vive sob tanta pressão.
Também é comovente o quanto as vítimas se sentiram desamparadas, tanto pelos serviços públicos e de saúde quanto por outros seres humanos. Mais de um relatou sua indignação por tanta gente passando visivelmente mal ser ignorada pelos transeuntes, na mais clara demonstração de "isso não é meu problema, não devo me envolver". Fora o despreparo dos hospitais, que não levaram a sério os primeiros casos que apareceram por não terem idéia do que estava acontecendo, e a falta de ambulâncias.
Mas o pior mesmo é ler a história de uma vítima fatal, contada pela viúva e pelos pais. De cortar o coração.
Como se não bastasse ter conseguido elaborar esse retrato bastante inesperado do Japão de hoje, o autor dá um passo adiante e entrevista também o lado do perpetrador. Sem julgamentos, conseguimos uma olhadinha na mentalidade de alguns membros da seita. Os pontos em comum de seus perfis salta aos olhos - pessoas inteligentes, em busca de respostas e beirando a sociopatia. E acima de tudo, que encontraram no líder do culto, Shoko Asahara, uma figura em que podiam depositar suas vidas - o peso de tomar decisões e responsabilidades não era mais deles, mas do grupo. Assustador e revelador.
Procurem ler, vale a pena.
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Annix
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7:17 PM
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Labels: livros
Fui a Rotterdam de novo, pra pegar a papelada que deixei lá semana passada. Devo dizer que o seu Gomes, do consulado, é uma pessoa boníssima.
Fui de novo ao Boijmans pra ver o que ficou faltando da outra vez. Acreditem, ainda assim fiquei pelo menos uma hora lá. Dalí e seu paranóico e tantas outras obras.
Resolvi passar pela Chinatown de Rotterdam e já entrei no primeiro supermercado oriental que vi. Comprei toneladas de coisas, é como ir à Liberdade em São Paulo.
Fazer compras na Europa hoje em dia não tem mais graça. Todas as lojas têm filiais em tudo quanto é cidade. Eu prefiro me perder nos mercadinhos étnicos.
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Annix
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12:37 AM
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October 03, 2007
Tá lá. E que o Google e a popularização da internet continuem gerando muuuuitas e muitas buscas absurdas, porque o que a gente vê por aí ninguém seria capaz de inventar.
Por enquanto só coloquei as minhas estatísticas do mês, depois vou colocando as contribuições. Mandem aí as suas!
Stats Quê?
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Annix
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Labels: Oh Mighty Google, recomendações

