September 13, 2009

ccd - chic, charmant und dauerhaft

O post sobre o Museu da DDR me lembrou de que ainda não falei sobre a exposição In Grenzen Frei, sobre a moda na Alemanha Oriental. Apesar de relativamente simples, instalada no discreto Kunstgewerbemuseum, devo dizer que foi uma das minhas favoritas nos últimos tempos. Imagine ter a rara chance de ver fotos, roupas, vídeos e outros documentos da criatividade e não-conformismo de um grupo que precisava contornar restrições, repressão política e cultural e escassez de material para poder se expressar através da moda. Obviamente, esses mesmos obstáculos imbuíram esse grupo de uma identidade e presença tão marcantes que impressionam até hoje.

photo by Tina Bara (1989): „Maud-ines"

(Achei curioso ver que, apesar do isolamento, a moda ali estava a par com o que acontecia no cenário underground mundial da época - a mesma irreverência e sede de individualidade, a influência do punk, da new wave, do gótico. A diferença é que a subversão, no caso dos alemães orientais, era resposta a uma repressão real - que no resto do mundo talvez fosse apenas social mesmo)

photo by Sibylle Bergemann

Entre as séries de fotos, o destaque era evidentemente Sibylle Bergemann. Mas pra falar a verdade, minhas favoritas foram da série "Berliner Jugendliche", de Helga Paris - gente real sempre é mais interessante do que ensaios de moda, he - e os retratos do Sven Marquardt (vejam as fotos no site dele, são incríveis).

Robert Paris por Sven Marquardt, 1988

Agora, o que me comoveu foi mesmo a Allerleirauh, marca das designers Angelika Kroker e Katharina Reinwald. Tomando o nome de uma fábula dos irmãos Grimm sobre uma princesa fugitiva vestida num manto feito das peles de todos os animais do reino, elas apresentam peças ousadíssimas, transformando couro em estruturas tridimensionais, com volumes e recortes inesperados. Roupas de tiras de couro, com dentes e galhos, desfiles-performance ensandecidos, modelos rastejando escadaria abaixo, seres estranhos unidos pela cabeça. Inclassificável, e tão foda.

Também foram exibidos vídeos de mais dois desfiles do coletivo ccd, um de 1983 e outro de 1985. É tudo tão vibrante, pulsante, forte, passional - fascinante. Mas achei as fotos do backstage desses desfiles ainda mais reveladoras e mais apaixonantes ainda. Elas estavam expostas na parede ao lado da projeção, e fiquei indo e voltando, comparando momentos, figuras, carões. Anotei nomes : Frank Schäfer, Angelika Kroker, Sabine von Otteginen, e fiquei imaginando aquele clima de efervescência em meio à austeridade comunista, e não pude deixar de rir sozinha. Que época, senhores, que época.

Sibylle Bergemann
Allerleirauh, 1989
Portrait: Katharina Reinwald
© Sibylle Bergemann, 1989

A exposição terminou estes dias. Mas não se desespere, tudo isso é retomado no documentário "Comrad Couture - Ein Traum in Erdbeerfolie". Preciso urgentemente encontrar uma cópia para assistir, já que acabou de ser lançado na Alemanha. Por enquanto, o trailer.

September 12, 2009

Eu sempre fui fã incondicional do Almodóvar, e vi todos os filmes dele. E, inexplicavelmente, estava sem vontade alguma de assistir a "Los Abrazos Rotos". Não tinha lido crítica alguma, nem visto o trailer, mas fiquei embaçando mais de uma semana pra ir ao cinema. Mas acabei indo, com o sentimento de quem vai para cumprir uma obrigação. Not good.

E, de fato, underwhelmed não descreve exatamente minha reação. Os elementos familiares estavam todos lá, mas a impressão que tenho desde "Todo Sobre Mi Madre", a de que Pedrito está vestindo roupas que não lhe pertencem, perdura. Não sei se ele quer provar que pode ser um cineasta sério (como se precisasse), ou se foi um acaso sem inspiração - mas a minha maior sensação foi a de uma pessoa sob medicação : com as emoções abafadas, controladas, e algo sem foco. Ele tenta fazer referências ao passado, com uma participação jogada da Rossy de Palma e um metafilme que remete a "Mujeres Al Borde de Un Ataque de Nervios". Mas é isso que parecem, meras citações. As atuações são boas, a história razoavelmente intrigante. Mas se estende e não chega a lugar algum. Pena.

September 11, 2009

Bom, tirando as agruras de hotel, passar meu aniversário em Berlim foi bacanérrimo, obviamente. Além de cada vez mais querer morar em Kreuzberg, a Sta. Cecília local, pude encontrar a querida Anita que estava na cidade pra ver o ídolo Mark Lanegan. Fomos ao Museu da DDR, que é um bom jeito de saciar os surtos de ostalgie à la "Adeus, Lênin". De embalagens de produtos a uma sala e cozinha completas mobiliadas, passando por programas de rádio disponíveis para audição, quase tudo é interativo e manuseável. Incluindo um autêntico Trabant, que pra mim foi o ponto alto da exposição, he. O mais engraçado é que a maioria dos objetos poderia tranquilamente estar na casa de alguma avó ou tia da Móoca ou Bela Vista. Acho que não foi só a Alemanha Oriental que parou nos anos 50/60 em termos de design.

Também comemos bem pracaralho, sem gastar quase nada.

Weisswurst, sauerkraut e Weissbier na KaDeWe. Ok, não foi exatamente barato (uns 15 euros pros dois?), mas o sauerkraut foi de chorar.

Spätzle com lentilhas e salsicha, e com cogumelos e queijo, no Spätzle Express. Com uma cerveja, cada um gastou 5 euros. E essas eram as porções médias. Imagina a grande.

Meio franguinho assado, com fritas ou com salada, no Hühnerhaus. Por 3,50 cada um, é um salvador da pátria nas madrugadas após uma noitada.

O grill turco na frente da Görlitzer Bahnhof. Um prato de carne, um de frango (ambos fartos), com couscous turco, a salada imensa da foto, um cesto cheio de excelente pão turco saído da grelha, cervejas - vinte euros. Inacreditável.

E teve mais, mas não tiramos foto de tudo. Fomos na famosa Rogacki, mas não fomos arrebatados. Tony Bourdain teve mais sorte (aos 8:00 do video).



Foi um bom fim-de-semana.

September 10, 2009

Acabamos mudando de hotel, e fomos para o ótimo Hotel Gates Berlin City East. A uns 10 minutos a pé da Hauptbahnhof, ele era o extremo oposto do Michelberger - clássico e extremamente silencioso. Tudo que a gente queria, hahaha. Claro, foi bem mais caro (135 euros a diária, contra 55 do Michelberger), mas dormir em paz não tem preço, gente. E, de qualquer jeito, com antecedência os preços podem cair drasticamente.
Como foi só por uma noite, e reservado em cima da hora (e pagando a tarifa de balcão), demos sorte e ganhamos uma suíte, num andar com apenas outros dois apartamentos. Abri as cortinas e dei de cara com isso :


ÁRVORES! SILÊNCIO! O Museu de História Natural! Ninguém na rua! hahahahaha.

Definitivamente, estou ficando velha.

September 07, 2009

Eu queria muito ter gostado do Michelberger Hotel. Da assessora de imprensa até a recepcionista, todo mundo foi muito simpático, provando que o objetivo é ser uma experiência diferente, menos fria. O lugar é lindaço (tem fotos aqui) e numa posição incrível, em Friedrichshain, de frente pra estação de U- e S-Bahn Warschauer Str. Ainda tem um ponto de tram na porta, que liga diretamente com Prenzlauer Berg. E como se isso não bastasse, é só cruzar a ponte que você chega em Kreuzberg. Sério, eu moraria ali.

Mas o grande problema foi justamente ser um lugar tão badalado - ele tem um pátio interno enorme, que abriga FESTAS. Daquelas, com palco, caixas de som, DJs e tum-ts-tum-ts-tum a noite toda. E claro que a janela do nosso quarto dava DE FRENTE pro dito pátio.

Calma, na hora da reserva isso me foi avisado. Fui sabendo das festas, mas sinceramente achei que fosse ser mais suportável. E eu também achei que fosse ter energia pra ficar na rua até tarde, e isso não ia importar. Mas de fato, mesmo chegando no hotel às 3 da manhã, ainda tivemos que esperar o som ser cortado às 5 horas pra poder descansar direito. Porque o som é MUITO alto. Enfim, burrice minha mesmo, mas eu estava curiosíssima a respeito dele, e queria ver se rendia uma notinha pra alguma revista. Render, rende, mas desisti de escrever porque minha experiência foi meio traumática, haha. Certamente em noites em que não há eventos, deve ser uma estadia muito legal. Ou, claro, pra gente mais jovem que eu :)

Ah, e quem for compartilhar o quarto pequeno com alguém, é bom ter bastante intimidade - o chuveiro tem uma janela transparente colada à cama, hahaha.

September 03, 2009

E pelo Facebook/Twitter da Cissa Giannetti chegou o link do Wolfgangs Vault, com uma tonelada de áudios de shows ao vivo pra ouvir de graça, de rock a jazz. Passei o dia ouvindo The Runaways e Mink DeVille, mas podia também ter sido um Return to Forever de 1973.

Tá esperando o quê?

September 02, 2009

Como ainda devo mencionar "Inglourious Basterds" por aqui nas próximas semanas, só quero aproveitar agora pra comentar que esse é um Tarantino puro-sangue.

(pun intended, eu não resisto)

Como de costume, vingança, mulheres lindas, tiros, muitas referências cinematográficas, acontecimentos improváveis e diálogos antológicos. Eu realmente não entendo como as pessoas podem se decepcionar com um filme desses.

A vocação do Brad Pitt pra interpretar personagens idiotas cai muito bem aqui. Aliás, o elenco é uma coisa incrível. Aliás, o filme é quase todo do elenco alemão. Meus dois atores alemães favoritos do momento, Til Schweiger e Daniel Brühl estão de babar - um lindaço como sempre, e o outro soltando um francês de cair o queixo.

(vocês têm noção? Daniel Brühl falando francês? Isso é muito sério!)

Muita, muita coisa do roteiro original ficou de fora , infelizmente. Como resultado, o filme é ágil (passa voando), mas algumas coisas ficaram no ar. Sem problemas - cada um ainda vai sair do filme comentando sua cena preferida - e há várias dignas de nota.

They ghoulishly giggle.

August 31, 2009

Berlim tem MUITOS cinemas. E as salas alternativas são todas cheias de personalidade, acho incrível. Vi que estava passando o novo do Jarmusch, "The Limits of Control", em versão original (procure pela indicação OV, OF ou OmU) no Hackesche Höfe Filmtheater e dei pulinhos de alegria.
Como sempre, fui sem ter lido absolutamente nada sobre o filme - e gostei. Mas entendo quem tenha saído irritado. Tem gente que espera ação, uma história, um sentido. Ele não tem nada disso. É conceitual, minimalista e fabulesco. Os personagens não têm nomes, porque não representam pessoas, e sim noções e outras coisas abstratas: o cinema, a música, o sexo. E claro, o controle.


E assim, esse argumento vago serve de fio de ligação entre performances boas - poucas estelares - de gente como Tilda Swinton, Bill Murray, John Hurt e Gael García Bernal, pontuadas por visitas silenciosas ao Museo Reina Sofia, em Madri. Tudo faz parte de um quebra-cabeça, e apesar do ritmo lento, é impossível desgrudar os olhos da tela, na esperança de finalmente desvendar a ligação entre eles. Há um senso de repetição que traz à mente a matrioska russa, onde cada uma que se abre revela outra menor, e que contém outra menor, e assim por diante. E as situações se repetem, mas não são sempre a mesma. Variações sobre um tema. São duas horas, e durante três quartos disso, não resta absolutamente nada ao espectador a não ser assistir passivamente e só absorver cada elemento apresentado. É agoniante. E dá a chance de apreciar devidamente a cinematografia lindíssima do Christopher Doyle.
Normalmente, esse tipo de manipulação é fácil de pegar, e logo a gente já começa a prever o que o diretor quer que a gente entenda. Nesse, eu realmente fiquei no escuro até quase o final.


A resolução, contudo, me pareceu um pouco infantil. De repente, porque ela não era o principal, e sim apenas uma necessidade estrutural. É um ensaio, é possível entender uma história nisso tudo, se a gente quiser - mas obviamente, o mais importante aqui é o trajeto, e não o destino.
O filme é estranho, um pouco inquietante (mas não a ponto de ser perturbador) e consegue a proeza de permanecer na lembrança por um bom tempo. O mundo ainda não está perdido. Recomendo.

August 29, 2009

O Ramones Museum é uma homenagem sincera de um grande fã da banda. Pelo menos, é essa a imagem que me passou. Por 3,50 euros, ganha-se acesso às incontáveis camisetas, recortes, pôsteres e tranqueiras variadas relacionadas aos garotos de Forest Hills, acumuladas por Florian Hayler, que viu mais de 100 shows deles (é, por mim, por você e por todo mundo aqui). Pra quem é fã, resta morrer de inveja dos objetos autografados, fotos e vinis. Pra quem não conhece muito, é um bom jeito de imergir na imensa contribuição ao pop e ao rock que Joey, Johnny, Tommy e Dee Dee deixaram.
É meio como quando a gente é criança, e o amiguinho te convida pra ver a coleção de brinquedos dele. Você se divide entre a cobiça profunda e a admiração, mas de qualquer forma, sai de lá feliz por ele ter dividido aquilo com você.
(mas que eu fiquei com vontade de pegar tudo pra mim e sair correndo, fiquei)
Pra completar, o café é um lugar tranquilíssimo e agradável, com um chai maravilhoso e poltronas confortáveis, onde se pode relaxar após o burburinho do Hackescher Markt e da Oranienburger Str, ali perto. E tem lojinha! Comprei uma camiseta do museu por 17 euros, mas mesmo os bolsos rasos não vão sair vazios. O ingresso inclui um mini-broche com o emblema clássico dos Ramones, em preto ou em branco :)








August 27, 2009

O que foi que eu disse? Pelo jeito a questão tá no ar mesmo, e não é chatice minha. A ale acertou na mosca no comentário, he.

É o fim dos blogs ou só da blogosfera?

Morte dos blogs, menos barulho e mais foco.

via @trabalhosujo.

Em Berlim, ficamos no Best Western Am Spittelmarkt. Eu tinha reservado outro na mesma área, mas na madrugada antes da partida resolvi dar mais uma procurada, e esse estava mais barato ainda : 157 euros por 3 noites. Além disso, prometia internet de graça e é na frente de uma estação de U-Bahn. E eu adoro um hotel novinho em folha (o Etap Potsdamer Platz, que eu sempre recomendo, já estava meio gastinho da última vez, então também cancelei).
De fato, ele é tudo que promete - o único inconveniente é ficar numa área curiosamente morta à noite, mesmo próxima a Mitte, mas isso não faz muita diferença com o U-Bahn (especialmente aos fins de semana, quando o metrô vai até tarde) de qualquer jeito. O quarto era bem grande, elegante, com cofre (importantíssimo, um dos meus requisitos pra escolher um hotel), ar-condicionado, suporte aquecido para toalhas, etc, etc. Não é luxo, nem charme, mas achei muito bom para um hotel de rede. A internet via adsl é que não estava funcionando, e nem os fucionários se mexeram pra resolver, mas resolvi deixar pra lá, porque de qualquer jeito não estava com saco pra ver email mesmo.
Se eu ficaria de novo? Acho que não - a localização é legal pra quem está indo pela primeira vez (dá pra ir a pé ao Checkpoint Charlie, à ilha dos museus, a uma parte de Kreuzberg, Unter den Linden, Brandenburger Tor, etc - ou seja, o roteiro turístico), mas eu prefiro ter vida noturna por perto, e não preciso ir a esses lugares de novo. Mas não tenho reclamações não.

August 21, 2009

Uuuuuaaaaah. Preguiça de postar. Desde que cheguei do Brasil, em maio, foram três meses de trabalho intenso, apesar de fácil. E eu ainda inventei de fazer viagenzinha no meio, e a correria foi maior. E aí, quando acabou, me senti completamente esgotada. Tô há dias me arrastando, cansada. Mas felizaça.

Juro que tem um post em rascunho datado do dia 6 de agosto, sobre a viagem pra Berlim - uma hora ele vê a luz do dia. E filmes, e shows, livros, blablabla. O caso é que não ando achando nada disso relevante o bastante. Tô achando tudo e todo mundo extremamente repetitivo e redundante (e nisso eu me incluo). Ultimamente só os itens compartilhados no reader e no Facebook têm se salvado, e eu curto as fontes novas de informação que tenho achado. Fora isso, o resto é ruído, e tem me irritado, pra falar a verdade. Bicho, eu não quero saber se você tomou banho, ou se você se sente incompreendido, ou o que você acha dos relacionamentos humanos. O Twitter tá aí pra isso. É muito achismo, pseudo-filosofismo e umbiguismo pra minha cabeça, cansei. Tem algo interessante pra compartillhar, põe na roda. Não tem, fica quieto. Tô seguindo esse princípio.

August 03, 2009











Sometimes I feel like screamin
Sometimes I feel I just can't win
Sometimes I feelin' my soul is as restless as the wind
Maybe I was born to die in Berlin

("Born to die in Berlin", Dee Dee Ramone)

Foi minha terceira ida a Berlim. E a cada vez, eu tenho a certeza de que é um dos lugares mais foda do universo. Ainda.

July 31, 2009



July 29, 2009

Quero terminar logo um trabalho, por isso ando sumida. E ando com preguiça de ir ao cinema (até entrei num estes dias, mas estava movimentado demais pro meu gosto e mudei de ideia). E estou lendo o livro da minha editora-chefe, mas a passo de tartaruga. Portanto, só vim aqui mesmo pra falar pra vocês darem um pulo no Trixxx, porque está um sonho : Ozu, Welles, irmãos Taviani e mais um monte de preciosidades. Pra quem gostou da recomendação do Foriegnmovies, vai fundo.

July 23, 2009

Esperança é o melhor presente que se pode dar a alguém?

July 22, 2009


via luvluvluv.

Encontrei e assisti de novo a um dos filmes que marcou minha infância/adolescência. Lembro que achava "Sybil" aterrorizante e intrigante ao mesmo tempo, e talvez naquela época eu nem tenha entendido tudo por que ela passou e que acabou causando a dissociação de personalidades. As cenas dela sendo pendurada num gancho pela mãe (ops, spoiler) me assombraram por um bom tempo, assim como as outras crueldades de que ela foi vítima quando criança. Depois, achei o livro da Flora Rheta Schreiber e li inteiro mais de uma vez. Não sei se o que me fascinava mais era o lance das personalidades múltiplas ou como cada uma delas se manifestava. Era arrepiante, especialmente os desenhos feitos por elas.
Assistindo de novo agora, várias décadas depois, tenho que dizer que não consegui despregar o olho da tela, mesmo conhecendo a história de trás pra frente. Bom trabalho de atuação? Achei, pra falar a verdade.

Mas agora, o mais curioso foi notar como ver cenas da NY da década de 70 me dá apertos no coração. Como se fossem saudades, ou um sentimento de dor por não poder voltar àquela época. Eu estive lá em 77, com seis anos, e isso me causou uma impressão tão forte - as roupas, as calçadas, as cores, o cheiro do ar - que é a única época que me dá pontadas de angústia de querer voltar. Sério, vocês não imaginam.

I know, sounds insane. Enfim, combina com o post.

July 19, 2009

E acho que estou indo na contramão da opinião geral, mas achei "Brüno" fraco. Quero dizer, é bom, mas não passa de uma repetição diluída de "Borat" - mais forçado, menos revelador. Talvez porque sexualidade não me escandalize, e essa é a base do filme. E a maioria dos "transeuntes" ali são obviamente atores, exceto na cena dos doces e do wrestling, talvez.
Mas admiro a disposição do Sacha Baron Cohen de querer sempre ser provocador e não se importar de pagar os maiores micos da humanidade nessa. O cara é lindo, inteligente, engraçado e não se leva a sério. Isla Fischer, te invejo.

Agora, acho que o ponto alto pra mim foi alfinetar o Tom Cruise e o John Travolta, hahahaha.

July 17, 2009

Quase tive um treco quando soube que ia ter show da Brian Setzer Orchestra aqui. Comprei os ingressos. Anotei no calendário. Esperei ansiosamente. E claro, sem dar um pio pra não zicar, hahaha. E finalmente, na quarta-feira fomos lá no Heineken Music Hall nos juntar à população inteira de rockabillies da cidade. Sério, nunca vi tantos topetes juntos na minha vida (e umas três garotas com o mesmo vestido de cerejas). Bem cheio, mas não lotado como o show dos Stray Cats ano passado. Resolvemos ficar mais pra lateral, de onde dava pra ver bem sem sufoco. E foi bem foda, uma big band completa com metais, vocalistas e vários hits - de "Jump Jive 'n Wail" a "Stray Cat Strut", não faltou nada. Só o som não estava perfeito, o que foi meio brochante, mas mesmo assim os pés não paravam quietos. I'm a happy gal.

July 13, 2009

Berlim é uma das minhas cidades do coração. Diversa, urbana, punk rock. Sendo assim, fiquei bem curiosa com "1 Mai- Helden bei der Arbeit", filme que conta várias histórias que se cruzam em torno das passeatas do dia do Trabalho em Kreuzberg - um menino, um policial, dois rapazes do interior, uma gangue de turcos e um anarquista. O problema é que ele não se aprofunda em nenhuma delas (e todas teriam potencial para se tornar roteiros interessantes, nem que fosse em curta-metragem). Resultado? Zero de empatia com qualquer um dos personagens, porque suas ações não têm sustento, não têm motivação clara. Enfim, vale pelas cenas da cidade, quando muito. Pena.

July 12, 2009

O programa de hoje foi ir a Rotterdam pro North Sea Jazz Festival. Fui basicamente pra ver o show do Burt Bacharach, já que eu morri de inveja do povo de SP que pôde assistir faz uns meses :)
Infelizmente, a convidada especial daqui foi a Trijntje Oosterhuis, que parece que já gravou umas canções do BB. Não que ela seja ruim, muito pelo contrário - tem uma voz linda e técnica perfeita. O problema é que ela é dura pra caralho. Ela só consegue mexer a mão direita, o que me perturbou muito durante a apresentação. I know, eu tenho problemas.

De resto, foi bem lindo. Desculpa, Michael, mas o rei do pop é o velho Burt. Quantos hits, quantas canções pop inesquecíveis. Se deixar, ele fica a noite inteira tocando um clássico atrás do outro. E eu tenho um novo sonho na vida - ser cantora da orquestra do BB. E viajar pelo mundo cantando medleys de "Walk On By" e a minha preferida, "Do You Know The Way To San Jose?".



Ó, saudades da Dionne Warwick.

July 10, 2009

Eu adorava o "A Haunting" - uma série que dramatizava casos reais de assombrações e outros eventos paranormais. Por isso, eu queria muito assistir "The Haunting in Connecticut", que pegou um desses casos e o transformou em longa - e devo dizer que achei bom pacas. Bom elenco, boa produção (sem excessos mas sem pobreza), roteiro bem bolado e bem amarrado, bom clima de suspense e terror. Achei bem sacada a idéia de retirar as pálpebras dos cadáveres.

O que me pegou foram as cenas do tratamento do câncer do personagem principal. Inevitável lembrar do meu pai. E deu uma saudade imensa. E posso dizer a vocês que nenhuma dor é pior do que a de saber que você sente a falta de alguém que nunca mais vai poder ver. Mesmo.

July 08, 2009

Ok, eu sei que o título é "Coco AVANT Chanel". Mas achei o período que o filme cobre tão pequeno que saí meio insatisfeita. Claro, na cola do magnífico "La Môme", a idéia é mostrar as origens de uma mulher de personalidade forte e tenaz, que da origem mais que humilde escalou até o topo da cadeia alimentar criando uma marca icônica. Até aí, tudo bem - era a idéia que eu tinha dela mesmo. O que eu não esperava, contudo, era ver uma mulher tão...dependente de seus parceiros. Certo, no começo do século XX era outra história - e no final das contas, eles se dobraram ao seu jeito. Mas enfim. O filme é sobre uma mulher forte, ousada, apaixonada e desiludida. Se algum desses fatores levou ao sucesso da Maison Chanel, fica subentendido. Porque, afinal, o fim da história todo mundo conhece.

A Audrey Tautou fez um bom trabalho até, exibindo o ar cansado e matter-of-factly da personagem principal, e o Benoît Poelvoorde é cativante como sempre (bicho, como ele envelheceu). Mas o que vai fazer as moçoilas darem pulinhos na cadeira é o Alessandro Nivola, mais gato que nunca. É só olhar essa foto daí de cima e ouvir o sotaque fofo. Mata.

July 07, 2009

* Estes dias também foram movimentados por visitas bem queridas. Uma delas foi do João e da Vania, rapidinha mas sensacional. Não é todo dia que você reencontra amigos de doze anos atrás :)

* A edição de julho da Time Out Amsterdam está muito, muito legal! E nem é jabá, porque nesse número não tenho nenhuma colaboração ;)

* Aproveitando o tempo das viagens de trem das últimas semanas, confirmei que só gosto de uma meia dúzia de bandas mesmo, e que posso deletar todas as outras músicas do player.

* Em Londres, cheguei à conclusão de que tenho alguma espécie de ímã para gaúchos. E se 70% dos meus amigos homens são gays, 50% dos meus amigos e amigas mais próximos vêm do Sul. Vai entender.

* Também percebi que tenho meio birra de quem considera a própria opinião sobre qualquer coisa como a definitiva, não importa quem seja.

* E vamos ver se consigo voltar ao ritmo normal logo.

July 06, 2009

Esta ida a Londres foi um bom motivo para testar o trajeto de trem. E olhem, vai ser minha primeira opção de agora em diante. Em cinco horas e meia, saímos daqui de casa e chegamos a King's Cross/St.Pancras. Podendo levar todos os líquidos e géis que quisemos na mala, sem filas de check-in/controle de passaportes/embarque/bagagem, levando lanchinho feito em casa, ar-condicionado, paisagem na janela, etc. Se vocês fizerem a conta, de avião leva-se quase o mesmo tempo, incluindo os traslados casa-aeroporto-casa. Por pouco mais de cem euros por pessoa, achei negocião.
De Amsterdam Centraal, pega-se um trem para Bruxelas (que sai com frequência e não tem assentos reservados, mas é confortável), e de lá o Eurostar para Londres.
Tem vistoria em raio-x da bagagem, mas não vi nenhuma restrição. Tinha um canivetão na mochila, água, todos meus cosméticos e tudo passou ;)
A imigração é feita em Bruxelas mesmo, com agentes mais sisudos que de costume. Mas normal também.
E no destino final, foi só sacar os Oyster cards da carteira e pronto - a caminho de encontrar nosso anfitrião na Strand, o que levou uns 15 minutos no máximo. Bom, hein?

July 02, 2009

Colônia é uma cidade bem bonitinha. Obviamente, não consegui explorar muito porque foi um bate-e-volta mesmo. Ficamos no Four Points by Sheraton Köln, a dois passos da estação central. A 65 euros a noite, achei ótimo - o staff simpaticíssimo e eficiente, quarto pequeno mas funcional, cofre no quarto, banheira, balinhas no travesseiro e garrafinhas de água como cortesia na geladeira. Tá bom, né?

Chegamos no fim da tarde porque o ICE atrasou uma meia hora (grr). Mas sem problema, porque afinal o centro da cidade é ali mesmo, ao lado da estação. Obviamente, o que domina o cenário é a massiva catedral, plantada como um grande bolo de noiva gótico no meio da praça. O tamanho realmente é impressionante, mas posso dizer que achei o exterior muito mais interessante do que o interior?



Enfim, dali resolvemos parar na Früh, uma das cervejarias que produzem a local Kölsch. Pela aglomeração na frente, achei que fosse ser difícil conseguir uma mesa, mas não - na verdade, todo mundo queria era ficar do lado de fora mesmo. O lugar é enorme, com várias salas distintas, e pudemos escolher uma mesa grande numa espécie de alcova.



A Kölsch é uma cerveja bem leve, e vem em copos estreitos de 200 ml. Por isso, obviamente é difícil tomar uma só, especialmente no calor.

(tomamos umas 12, acho)

Depois do show, aproveitamos que havia várias lanchonetes abertas na estação (mesmo sendo duas da manhã) e mandamos pra dentro uma bockwurst com mostarda no Meister Bock (ótima!) antes de dormir. E nessas horas, como foi bom estar hospedado a dois passos de lá...

June 30, 2009

Ae! Terminei o freela que me consumiu esse tempo todo!

(ok, na verdade ele me consumiu 50% do tempo - a outra metade foi a procrastinação)

Colocando a vida em dia aos poucos. Stay tuned for more.

June 28, 2009


Quando eu soube que o Shonen Knife estava em turnê aqui na Europa, minha reação foi mais ou menos assim :

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

Tudo bem que da formação original só restou a Naoko, mas como ela é a cabeça do grupo, não importa :) E eu sou fanzaça desde os anos 90, e nunca esperava poder ver um show. Mentira, esperava sim, mas vivia frustrada de ir no site delas e nunca ter algo fora do Japão. E, finalmente elas estavam aqui!

Daí vi que elas não vinham tocar na Holanda. Fuén. Mas tinham um show marcado em Colônia, que é na Alemanha, mas relativamente perto daqui. Não tive dúvidas : comprei o ingresso, passagem de trem e reservei o hotel.

E lá fomos nós ontem para o Sonic Ballroom, que é exatamente um Astronete punk na parte oeste de Köln. Eu e Akira já tínhamos enchido a cara de cerveja no trem e antes de ir pro show, e acabamos pegando no sono no hotel. Por sorte, a gente acordou na hora e fomos correndo pro S-Bahn. Chegamos bem quando a banda de abertura estava indo embora e as fofas Naoko, Etsuko e Ritsuko montavam o circo.

Como o lugar é minúsculo, acabei ficando na boca do palco, que de palco não tinha muito - uns dez cm de altura? Ou seja, fiquei de cara pra elas o show inteiro, sem acreditar. Elas são todas minúsculas, mas tocam com uma energia tão sincera que fizeram todo mundo pular e gritar junto. A Naoko (guitarra, vocais e fundadora) então, tem quase cinquenta anos de idade e deixou muita bandinha nova por aí no chinelo. E amei a baterista, Etsuko - que bonequinha!

Enfim, como elas estão divulgando o disco novo, quase não tocaram músicas mais antigas. Mas tudo bem, fiquei feliz do mesmo jeito (mas ouvi "Banana Chips" ao vivo, yay). Depois elas mesmas foram para a banquinha de merchandising, vender e autografar CDs e camisetas. Foram super fofas com todo mundo. E eu, com mais um sonho realizado.

Aqui, um vídeo de uma das músicas novas.


E aqui, um cover dos Carpenters que eu adoro, teria chorado pacas se elas tivessem tocado.

June 25, 2009

Acordei às seis pra me despedir das visitas. Dormi de novo mais duas horinhas, mas já se passaram quase doze horas e não consegui fazer nada. Dor de cabeça.

Mas o dia tá lindão lá fora.

June 17, 2009


Consegui ver "Coraline" estes dias. Achei bonitinho, mas só. Não tem nem de longe o mesmo impacto de "The Nightmare Before Christmas", infelizmente. Será que em 93 a gente se impressionava mais facilmente? O que salva é a direção de arte, e o fato louvável de ser uma animação em stop-motion. A história não conseguiu ser tão aterradora quanto a do livro, o que achei uma pena. Mas entendo. A Coraline do filme é muito mais velha e sassy do que eu imaginava, mas acho que pra fins cinematográficos era preciso.

O de que gostei mesmo foi do cabelo dela. Por que será? hahahaha

June 13, 2009

E nessa correria, esqueci de falar que saiu a Time Out Amsterdam de junho! Me pediram para testar aquelas churrasqueiras descartáveis que se vendem por aqui, fazendo churrasco à brasileira e à coreana. Foi tudo corrido, improvisado, e se não fossem os amigos, não teria rolado. Mas foi bem divertido, porque quem iria imaginar que uma bandejinha de alumínio cheia de carvão fosse capaz de assar carne? Foi, e só dava a gente farofando no parque, hehe. Mas me rendeu uma página inteira, olha só.

A Marina e o Ronnie, que foram importantíssimos na realização dessa matéria, acabaram fazendo fotos mais legais que as do fotógrafo da revista. Então vou bancar a preguiçosa e falar pra vocês darem um pulinho no blog deles pra terem uma idéia do que rolou. Aproveitem pra ver todos os posts, porque as fotos são bacanas.

E aproveito também para dizer que foi minha última colaboração por enquanto. Resolvi dar um tempo por causa do outro trampo que eu peguei, que como já disse, anda consumindo todo meu tempo. O mais engraçado foi ver minha editora-chefe me sacudindo pelos ombros em pânico, dizendo : "O quêêêê? Isso quer dizer que eu não vou te ver maaaaais? Nããão!". Caaaalma...

June 11, 2009

Ops. Deixa eu postar algo aqui antes que vocês achem que eu sumi :)
Estivemos com visitas em casa, estou tentando terminar um frila e me sinto horrivelmente culpada se faço outra coisa (e sempre estou fazendo, portanto me sinto horrivelmente culpada o tempo todo), larguei um livro ótimo pela metade e minha fila de filmes baixados cresce a olhos vistos.

Vi "Angels and Demons" antes de ir pra Roma, o que foi engraçado e adequado. Vi faz mais tempo ainda "X-Men Origins : Wolverine", que é fraco de doer, infelizmente. E depois de voltar de Roma, revi "Quo Vadis", com o Peter Ustinov overacting horrivelmente no papel de Nero.

Teve show do Pains of Being Pure at Heart na segunda, mas perdi (e as visitas estavam aqui, né). Gostaria que as bandas de que gosto fizessem uma pausa até eu terminar esse trampo, bah.

E por falar nisso...acabou o recreio.

June 02, 2009


Roma continua parecendo saída de um filme dos anos 50 - o charme retrô dos cafés e lojas, a elegância italiana caracteristicamente vistosa, as casas cor de terracotta com roupas penduradas na janela, as pessoas caminhando de maneira firme, mas sem a pressa das outras grandes metrópoles. Claro, se você tirar os turistas da cena.

O hotel, o Verona, é pequeno, bem-cuidado e recomendadíssimo. O staff é extremamente profissional e simpático, a estrutura toda nova e imaculada, e a localização preciosa : do lado da Santa Maria Maggiore, e a algumas quadras da Roma Antiga, com vários restaurantes e bares ao redor.

E o quarto tinha sacada! Tudo bem, a vista dava para o pátio do hotel e para o estacionamento do restaurante da frente, mas também tinha algumas árvores e outros predinhos interessantes, o que dava um ar tranquilo e bucólico às manhãs quentes.

A grande sacada dos museus do Vaticano é ir à tarde - não pegamos fila e estava relativamente tranquilo, mesmo sendo sábado. Vistas incríveis do alto da cúpula da Basilica de San Pietro, missa com coral, fotos do topo do Castelo de Sant'Angelo, muitos sinos de igreja, caminhadas intermináveis entre as ruínas do Foro Romano e do Palatino sob o sol, pizza bianca recheada de mortadella e aperitivi para descansar. Ainda estava rolando o Giro d'Italia no domingo, e a multidão em volta do Coliseu só aumentava a impressão de se estar prestes a ver gladiadores e leões na arena. Continuo achando emocionante pisar em solo histórico e imaginar romanos antigos passeando por ali. Não encontrei o melhor carbonara da cidade e nem um bom supplí ainda, mas não faz mal. A moeda na Fontana de Trevi funcionou uma vez, há de funcionar de novo.



(Rossano Brazzi e Maggie McNamara, como adoro!)

June 01, 2009

E eu mal termino de desfazer a mala e já fico sabendo do A330 que sumiu. Graçazadeus, meus amigos que poderiam ter estado nesse vôo trabalhando são altamente responsáveis e já mandaram mensagens dizendo que estão bem, então não me preocupei por muito tempo. Tô com dó é dos que trabalham em solo, porque certamente é a pior situação que poderia rolar na vida de um aeroviário. E está só começando.

May 29, 2009



Volto já. Have fun, kids.

May 26, 2009



Porque eu ando saudosista.

May 23, 2009



“Although maybe all these moments are just in my head
I’ll be thinking ‘bout them as I’m lying in bed
And all that I believe, it might not become true
But in my mind I’m havin’ a pretty good time with you”

Noah and the Whale - Five years time.

Post totalmente surrupiado do LuvLuvLuv, recomendação da linda HelenaN. Apaixonei.

May 21, 2009

Fui assistir ao novo "Star Trek" esperando muito, muito pouco. Primeiro, todos os comentários extremamente favoráveis ao filme vieram de pessoas que pouca ou nenhuma familiaridade tinham com o universo ST original. Segundo, o único amigo cuja opinião sobre ST eu respeito disse ter saído decepcionado. Red alert.

E, de fato, o filme em geral didn't bowl me over. A graça estava nos detalhes - referências a fatos de vários episódios e filmes anteriores - de Sulu com a espada ao Captain Pike na cadeira de rodas, da Nurse Chapel sendo chamada (mas nunca aparecendo) à frase icônica do Dr. McCoy : "I'm a doctor, not a __(insira profissão aleatória)". Faltou o "He's dead, Jim". De repente, no próximo. Pequenas pepitas que provavelmente foram jogadas para amansar os fãs irados pelo bouleversement da mitologia Roddenberry, hehe.

A escolha de elenco foi bem cuidadosa (mas isso a gente já sabia) - Zachary Quinto e sua sobrenatural incorporação de um Spock jovem, Chris Pine fazendo jus ao espírito rebelde e emocional de Kirk, etc, etc. Fisicamente, o único que não tinha nada a ver foi o Chekov, mas o Anton Yelchin é uma gracinha (eu tenho um fraco por garotos branquinhos, né) anyway. E o Scotty apareceu tarde demais, podia ter tido mais tempo. Mas é estranho, o elenco original é o que fazia a série pra mim. Mesmo sabendo que é uma prequel e um universo alternativo, me pareceu às vezes mais um grupo de cosplayers muito bons.

Da história, sinceramente não achei nada. Nero? Romulano careca e tatuado? Destruindo planetas? WTF? Mas vá lá, segurou as duas horas. O que importa é que só a partir do momento em que o meu amado Leonard Nimoy entra em cena, fui fisgada pelo pé. E a melhor sequência é a do final - a organização da equipe como a conhecemos, todos de olhos brilhantes e ansiosos pelo futuro. Cheeeeeeeeesy, mas emocionou. E aí, veio o golpe de misericórdia : o tema original de Alexander Courage nos créditos finais, que realmente foi um nice touch.

Em resumo : é legal. Não ameeeeei, mas acho que os próximos (que claro que virão) vão ser mais redondinhos, e o JJ Abrams deu uma bela rejuvenescida na série, sem destruir o original, e isso é suficiente pra mim, que estou curtindo a perspectiva de poder esperar novas histórias. Acho que a batuta passou para boas mãos.

May 18, 2009

Gripadaça. Ontem foi dia de ver o grande Tony Levin num show da sua turnê Stick Men - com o simpaticíssimo Pat Mastelotto e outro stick player, Michael Bernier.
Dois chapman sticks e bateria, nada mais. Puta som, o que não surpreende ninguém que acompanhe o trabalho do careca mais energético e relevante da música contemporânea. De King Crimson a Lou Reed, pode procurar : ele está lá.

Os meus vídeos saíram tortos, então ainda não fiz o upload. Mas pra vcs terem uma idéia, catei um no YouTube de uma das músicas de que mais gostei, "Relentless".

May 16, 2009

De volta, tomando sakê japonês e vinho espumante francês, e já no limiar da inconsciência. Já aterrissei às onze da manhã, peguei um táxi e dormi do meio dia às três. Re, Luiz, Juli e Lana - vocês foram as pessoas que fizeram dessas duas semanas o tempo mais importante da minha vida nos últimos tempos. Sem falar na xris, na gaybee e murray, na anita e na cris a., marcio k., mari tramontina, lija, fabs, babee, frá e hector, erica, dri, e mais tanta gente que lê aqui ou nem sabe da existência. O simples fato de vocês se deslocarem e ignorarem o cansaço da semana só pra me ver não tem preço ou retribuição que valha. Me faz sentir que o pouco da minha existência vale a pena. Acho que nunca chorei tanto numa viagem, mas saber que tenho vocês é o maior conforto do mundo. Tô aqui, mas volto. Um dia.

May 13, 2009

"Louise (Take 2)". Agora que lembrei, nunca mais vou me esquecer de novo.

É assustador quando você consegue estabelecer uma data precisa para o dia em que tudo poderia ter mudado. Para o dia em que o destino mandou uma mensagem clara de que você estava prestes a incorrer num erro fatal, e que a sua vida podia tomar um rumo diferente. E você a ignora.

E sim, por causa disso, tudo que aconteceu comigo depois disso é em grande parte culpa e responsabilidade minha. Se eu embarquei para o inferno, foi porque fui fraca e cabeça-dura. Porque naquele 15 de outubro eu fui lembrada de como existe um tipo de amor que independe do tempo, e mesmo assim escolhi entrar num relacionamento que não tinha absolutamente nada disso, nada de verdade nem amor e nem de vida. Eu poderia ter enxergado a comparação e dito "peraí, isso aqui não vai prestar".

Não que eu tenha certeza de que seria mais feliz hoje se tivesse aceitado o desvio que me foi apresentado naquele dia, mas pelo menos não teria esse sentimento de tristeza pelo tempo perdido que me invade neste momento. É imenso, e eu não imaginava que fosse capaz de ter isso dentro de mim, depois de tantos anos. E não sei o que fazer com ele.

"Essa viagem pela vida e sonhos de Louise, uma heroína improvável mas verdadeira, é um romance moderno e um manifesto da vagabundagem. Longe de ser um filme de "excluídos", é antes de tudo uma história de amor, marcada pela poesia urbana. É também uma reflexão sobre a liberdade, interpretada como um solo de jazz." (do site da 23a Mostra)

Take 2. Tava tudo lá, eu é que não fui capaz de ler.

May 10, 2009

* Xi, tenho um lugar preferido novo em SP. Mas também, como não gostar de um lugar onde a trilha tem Stray Cats e bebidas com tabasco?

* Tenho aproveitado o tempo pra ver pessoas importantes pra mim. O único dia em que fugi à regra, me arrependi e saí deprê. Não adianta, é outro mundo. Não quero mais isso não, prefiro ser antisocial.

* O almoço do dia das mães foi no Velhão. Half-win, porque a comida e o serviço são ótimos, mas a espera foi de matar.

* Vi os índios no centro. Coisas de São Paulo.

* Fui na exposição do Vik Muniz no Masp. Bacana, apesar de não ter mudado minha vida. Arte pop bem executada.

* E já estou com o coração pesado de ter de partir de novo.

May 04, 2009

Engraçado, só se passou um fim de semana e parece que estou aqui há semanas. Não me animei a ver nada na Virada, porque me deu uma preguiça imensa de sair tarde da noite, enfrentar multidões e cacofonias urbanas. O que me doeu perder foi ver os amigos reunidos no centro, mas eu realmente precisava muito dormir. Eu com sono sou péssima companhia anyway.

Passei pelos pontos da Virada no domingo de manhã, e o cenário era decididamente pós-apocalíptico - pessoas vagando em bandos, o chão coberto de lixo, mendigos tentando dormir no meio da confusão. Interessante.

Fui almoçar no Rota do Acarajé com a família, e só confirmou que é um lugar sensacional - boa comida, serviço simpático, de gente que sabe o que está fazendo. E o quiabinho com camarão é demais.

Convoquei os amigos de fora de SP pra Churrascaria Galvão Bueno, fácil um dos meus lugares favoritos. Lindo demais ver gente querida, pena que eu estava meio zumbi e não consegui conversar direito com ninguém.

Muié tá aqui em casa, e ainda se submeteu voluntariamente a um corte de cabelo by yours truly. Não se preocupem, ela não precisa sair de chapéu.

May 02, 2009

Em SP, pouco sono e opções demais pra hoje. Virada estou eu.